pressmedia logo

MOSCOVO CONFIRMA MORTE DE PRIGOZHIN COM TESTES GENÉTICOS

Jornal de Notícias

2023-08-28 06:02:05

Comité de Investigação da Rússia disse que resultados dos exames forenses comprovam as identidades das dez pessoas que seguiam a bordo do avião siIvia.goncalves@jn.pt VOO FATAL Quatro dias apenas após a queda do jato privado da Embraer que se despenhou na ligação entre Moscovo e São Petersburgo, e que alegadamente transportava a cúpula do grupo Wagner, o Comité de Investigação da Rússia declarou ontem que os testes genéticos confirmam as identidades das dez pessoas que seguiam a bordo, nomeadamente do líder dos mercenários, Yevgeny Prigozhin. Segundo a porta-voz do comité, Svetlana Petrenko, após os exames forenses, as identidades dos dez corpos recuperados, sete passageiros e três tripulantes, estão em conformidade com alista inicial: "Os exames genéticos moleculares foram concluídos como parte da investigação da queda do avião na região de Tver. De acordo com os resultados, foram apuradas as identidades de todas as dez vítimas, que correspondem à lista constante da lista de voos". Petrenko não adiantou, contudo, qualquer informação sobre as causas do alegado acidente, ainda sob investigação. Além de Prigozhin, de 62 anos, e de alguns dos seus principais tenentes, na lista figurava ainda Dmitry Utkin, apontado como um dos fundadores dos Wagner, que participava na gestão das operações da organização de mercenários e que terá servido nos serviços secretos russos. O anúncio do comité russo vem, por agora, aquietar vários dias de especulação sobre o destino do líder dos mercenários, presumivelmente morto na queda do avião de que era proprietário, exatamente dois meses após o motim fracassado dos paramilitares em território russo, numa marcha rumo a Moscovo que se traduziu na maior afronta ao Kremlin na era Vladimir Putin. O que tem alimentado, nos mais diversos quadrantes, a tese de que o presidente russo possa estar associado ao desaparecimento de Prigozhin e restantes elementos dos Wagner, em retaliação pela ousadia dos mercenários - que acusavam o Ministério da Defesa russo de falhar continuamente no fornecimento de armas e munições para os paramilitares que seguravam os combates sangrentos na linha da frente de Bakhmut, no Donbass - em afrontar o regime. Estados Unidos e alguns dos aliados ocidentais de Kiev têm sugerido, ainda de forma inconclusiva, que a queda do avião da empresa brasileira Embraer pode ter resultado de uma explosão devido àcolocação de explosivos ou outros dispositivos a bordo, rejeitando a tese inicial, veiculada nas plataformas associadas aos Wagner, de que a aeronave teria sido atingida por um míssil das defesas aéreas russas. QUATRO MÍSSEIS ABATIDOS A Força Aérea ucraniana anunciou ontem ter intercetado quatro mísseis de cruzeiro no Norte e centro do país durante um ataque aéreo que ocorreu durante a noite, e que envolveu cinco bombardeiros estratégicos russos. As forças de Kiev dizem ter detetado até oito alvos aéreos, mas não houve relatos de outros ataques, considerando, por isso, os militares ucranianos que os restantes alvos seriam "provavelmente falsos". Antes, já o Ministério da Defesa russo tinha afirmado que as suas forças neutralizaram um ataque de drones em duas regiões que fazem fronteira com a Ucrânia (ver texto ao lado). EM DESTAQUE Segundo cargueiro deixou Odessa A Ucrânia anunciou ontem que um segundo cargueiro saiu do porto de Odessa, através de um corredor temporário criado após o fracasso do acordo de cereais do mar Negro. "Ograneleiro Primus, com bandeira da Libéria e pertencente a um operador singapurense, deixou Odessa, através do corredor temporário estabelecido para navios civis", informou o Ministério da Reconstrução ucraniano. Kiev anunciou o estabelecimento do novo corredor marítimo no início deste mês, depois de a Rússia ter abandonado o acordo de cereais do mar Negro. Rússia diz que impediu ataques O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ontem que os seus sistemas de defesa aérea impediram novos ataques de aeronaves não tripuladas (drones) ucranianas nas regiões fronteiriças de Bryansk e Kursk. "O regime de Kiev tentou novamente lançar ataques terroristas contra a Federação Russa", lê-se numa mensagem publicada na plataforma Telegram, na qual se indica que "a defesa aérea detetou e destruiu dois drones sobre os territórios de Bryansk e Kursk". Semana de decisões Na habitual mensagem noturna, o presidente ucraniano apontou ontem para uma semana decisiva no que toca à capacidade aérea das forças de Kiev. "Haverá decisões que nos permitirão fortalecer ainda mais os nossos guerreiros. Permitir que os comandantes militares preparem mais ativamente a infraestrutura para novas aeronaves ucranianas." Diplomacia em marcha Volodymyr Zelensky acrescentou que as decisões vão "permitir que os diplomatas promovam tudo o que os nossos guerreiros precisam de forma mais ativa na comunicação com os parceiros. As solicitações de cada uma das unidades são muito claras". Sucedem-se as homenagens ao líder dos Wagner, entre Moscovo (na imagem) e São Petersburgo FOTOS NATALIA KOLESNTKOVA/ AFP