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EDITORIAL - PORTUGAL TEM MUITO A GANHAR COM A ELETRIFICAÇÃO AUTOMÓVEL

Dinheiro Vivo

2023-08-19 06:00:08

á no ano passado foi igual, mas para muitos continuam a surpreender imagens das filas de carros daTesla à espera de carregar baterias em Alcácer do Sal, este verão. As vendas de carros 100% elétricos em Portugal aumentaram 34,4% em 2022, face ao ano anterior, de acordo com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP). A Tesla, que é o principal vendedor de automóveis elétricos no mundo (1,31 milhões de unidades matriculadas em2022), lidera destacada também no nosso mercado. Mas essa não é a razão das filas e também não é por limitação da rede de carregamento: existem atualmente 53 tomadas na rede pública, em média, por cada 100 km de estrada e o crescimento do número de postos está a acompanhar as vendas. Acontece sim que em Alcácer estão instalados 10 Superchargers da Tesla de até 150 kW, que somam 275 km de autonomia em apenas 15 minutos. Basta um carregamento rápido para chegar ao Algarve. O que o mercado enfrenta são algumas dores de crescimento, para Lins, e oportunidades, para outros. A indústria automóvel vive hoje uma revolução que coloca Portugal num ponto nevrálgico na Europa. Num momento em que já um em cada cinco carros novos vendidos no Velho Continente estão eletrificados, e quando se espera em 2030 alcançar a fasquia de 30 milhões de carros 100% elétricos e em 2035 será banida a venda de automóveis a gasolina e diesel, a Europa enfrenta o enorme desafio de colocar no mercado baterias suficientes para uma procura exponencial Aí entra Portugal O Tribunal de Contas Europeu, em junho último, disse-o precisamente, pela dimensão das reservas conhecidas de lítio - a par da estratégia de exploração adotada em 2018 - e pela produção de energias renováveis, que baixam custos energéticos e a pegada carbónica Alguns passos estão a ser dados. Em Sines, até 2025, num espaço de 90 hectares, deverá surgir a fábrica de baterias de lítio do quinto má or produtor do mundo, a chinesa CALB (China Aviation Lithium Battery Tecnology). Segundo a empresa, esta que será a maior unidade da fabricante na Europa poderá "representar cerca de 4% do produto interno bruto (PIB) português, uma vez que todas as vendas serão exportações para o mercado europeu". Será um contributo significativo para a balança comercial portuguesa - a somar ao peso da produção automóvel em Portugal, onde 97,7% de um total de 178 939 veículos automóveis produzidos no primeiro semestre se destinaram também ao mercado externo, segundo dados da ACAP. No caso da mineração, pela primeira vez em Portugal, o projeto de exploração de lítio na mina do Barroso, no concelho de Boticas, ainda que contestado pela população, recebeu em maio a declaração de impacto ambiental favorável, condicionada ainda ao cumprimento das condições impostas pela Agência Portuguesa do Ambiente. A Savannah Resources estima iniciar a produção no segundo semestre de 2026. Já em Setúbal, a "joint venture" Aurora Lithium, entre a sueca North volt e a Galp, prevê a criação, até finais de 2025, de uma fabrica de conversão de lítio - das maiores e mais sustentáveis da Europa com capacidade inicial de produção anual entre 28 mil e 35 mil toneladas de hidróxido de lítio, um material critico para a produção de 50 GW de baterias de iões de lítio, que poderão equipar 700 mil carros. Com um setor apostado em equiparar os carros elétricos aos de combustão, as filas nos postos de carregamento são o fator de distração que nos desvia do essencial. A indústria é que comanda o desenvolvimento e Portugal tem de se afirmar estratégico para os investidores.