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OS MAIS PODEROSOS 2023

Negócios

2023-08-16 06:31:05

#26 Pires de Lima A Brisa continua em prova na "Champions" das autoestradas que está a disputar na Grécia, mas Pires de Lima já está a analisar novas oportunidades de expansão na Europa e na América. O plano estratégico para 2025 está neste momento em revisão. BILHETE DE IDENTIDADE • Cargo: CEO da Brisa • Naturalidade: Nasceu em Lisboa, a 7 de abril de 1962 • Formação: Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Lisboa, MBA no IESE da Universidade de Navarra, em Barcelona, e Programa de Gestão Avançada do Insead • Outros cargos: Presidente do Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal PORQUE MANTÉM António Pires de Lima está a concretizar os objetivos que definiu no plano estratégico para 2025 - que tem agora em revisão. Até 2028 o gestor quer atingir um terço da atividade fora de Portugal, num regresso à internacionalização que Via Verde e A-to-Be já conseguiram nos Países Baixos e que a Brisa está a procurar alcançar na Grécia. A transição para uma mobilidade elétrica está também no topo da sua agenda, mas é crítico da falta de incentivos no país. MARIA JOÃO BABO e DIANA RAMOS Há um ano, quando a Brisa foi qualificada para a fase filial do concurso para a concessão Altiki Odos na Grécia, António Pires de Lima frisava que a empresa portuguesa estava nos "quartos de final da Champions das autoestradas". Agora depois de ter entregue em julho uma proposta vinculativa pela concessão rodoviária da região de Atenas por um prazo de 25 anos, o CEO ficou a conhecer os cinco adversários que continuam em competição, entre os quais Abertis, Macquarie e Vinci. "O concurso é muito competitivo, uma verdadeira fase final entre as melhores empresas de infraestruturas do mundo", assumiu o gestor, assegurando, 110 entanto, que "independentemente do resultado final" - ou seja, caso o grupo português não se revele um "tomba-gigantes" - concorrerá "a outras oportunidades no futuro". E que "até 2028 queremos atingir um terço da atividade da Brisa fora de Portugal", disse ainda o presidente executivo da empresa que em 2020, em plena pandemia, passou a ser controlada por um consórcio internacional de fundos liderado pela holandesa APG (o que o levoujá a alienar a sua posição na Horizon Equity Partners). Há 15 anos que a Brisa não se candidatava a uma concessão no estrangeiro, e deste disputado concurso, em que se aliou à grega Intrakat, espera conhecer o resultado até ao final deste ano. O plano estratégico que delineou em 2021, designado "Vision 25", tem como um dos objetivos voltar a pôr a concessionária portuguesa no mapa da internacionalização. Pires de Lima vai agora, a meio do processo, rever as ambições. "Nos próximos cinco anos, aproximadamente, vemos a Brisa a tomar-se não só o melhor operador de mobilidade em Portugal mas também a expandir as nossas capacidades de gestão e o nosso know-how de engenharia no estrangeiro". afirmou numa entrevista que deu em julho ao site da Swiss Life Asset Managers, que integra o consórcio que controla a empresa. Aí assumiu ainda estar "a analisar outras oportunidades em toda a Europa e na América do Sul e do Norte". Também para a Via Verde o gestor - que este ano foi reconduzido como CEO - tem como objetivo a expansão internacional nos próximos cinco anos. O primeiro passo foi dado no final de 2022, quanto a Via Verde e a A-to-Be, ambas detidas pela Brisa, ganharam o concurso para a gestão da cobrança de portagens de uma autoestrada nos Países Baixos. Um contrato de 16 milhões de euros ganho "aos melhores players mundiais", e um modelo que o grupo assumiu que pretende repetir noutras oportunidades na Europa, designadamente em Espanha, que está comprometida a reforçar o princípio do utilizador-pagador nas suas autoestradas. Também a A-to-Be, empresa de tecnologia do grupo, reforçou a presença das suas operações nos EUA no ano passado, somando agora 15 contratos em 11 estados. No ano em que a Brisa celebrou o seu cinquentenário - e foi distinguida pelo Presidente da República com a Ordem do Mérito Empresarial - Classe do Mérito Industrial - viu o tráfego nas suas autoestrada soltar aos níveis pré-pandemia. Alta velocidade sem interesse Se a expansão internacional dos negócios está a concretizar-se. em Portugal a vontade de estar no projeto da alta velocidade assumida em2021desvaneceu-se com o modelo que foi definido. Em abril passado, na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade 20|30, Pires de lima assumia que a Brisa se tinha desinteressado do projeto - cuja primeira PPP está prevista ser lançada no início de 2024 - pelo facto de o modelo não encaixar nas competências da empresa. Ainda que frisando que a decisão final ainda não estava tomada, recordou que "a parceria que foi apresentada é mais orientada para o financiamento e para a construção", quando "a principal mais-valia da Brisa estaria na gestão da manutenção e operação". Gestor reclama apoios à transição da mobilidade Apesar do desinteresse que agora mostra pela alta velocidade ferroviária, Pires de Lima garante que o grupo está "interessadíssimo" em continuar a investir em Portugal dentro do espaço da mobilidade rodoviária. A aposta na mobilidade elétrica tem sido outra bandeira de Pires de Lima, que no entanto já lamentou que "a Brisa está sozinha e desiludida" neste caminho por não ver no Plano de Recuperação e Resiliência "o foco no investimento em carregamentos elétricos". "Se queremos fazer a transição para uma mobilidade elétrica e mais amiga do ambiente seria importante, tal como aconteceu na energia renovável, que as autoridades dessem maior prioridade e maior atenção à criação deste "cluster elétrico", disse. "Há interessados em produzir lítio, há interessados em construir uma fábrica de baterias e há empresas como a Brisa que estão interessadas em infraestruturas que permitam aos portugueses utilizar as autoestradas de forma a podermos fazer esta transição, como se está a fazer no norte da Europa, de forma mais acelerada", assegurou, referindo-se à Noruega, país que investiu em incentivos e onde hoje 80% dos carros vendidos são elétricos. Em Portugal, 20% a 25% dos automóveis vendidos este ano são elétricos ou híbridos, mas uma transição completa no prazo de 10 anos só será possível com "uma maior disponibilidade de postos de carregamento", que "deve ser integrada num sistema de políticas fiscais e outras políticas governamentais que promovam a mobilidade elétrica". À frente do BCSD Portugal desde o ano passado, Pires de Lima defende que a sustentabilidade não é apenas ambiental mas também de combate à desigualdade e luta pela paridade de género nas empresas portuguesas. Nesse sentido, a Brisa atingiu em 2022 o objetivo de duplicar, face a 2020, o número de mulheres em cargos dirigentes De volta ao Parlamento O gestor voltou há dois anos aos Mais Poderosos, onde já tinha estado como ministro da Economia do Governo liderado por Passos Coelho. Um cargo que este ano também o levou à comissão parlamentar de inquérito à TAP, onde disse aos deputados continuar "convencidíssimo" que o negócio com a Airbus foi feito a preços de mercado", recusou que a privatização que conduziu em 2015 tenha lesado o Estado e considerou "desnecessário" o pagamento de 55 milhões a David Neeleman para sair da TAP em 2020.