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QUAL O PAPEL DOS DADOS NA GESTÃO DAS NOSSAS CIDADES?

Diário de Aveiro

2023-08-14 10:05:07

Não temos dúvidas que o mundo se está a tornar cada vez mais digital. À medida que avançamos nesta direção, a quantidade de dados gerados e disponíveis cresce exponencialmente. Os dados têm-se tornado um recurso valioso, uma vez que permitem uma tomada de decisão mais informada, possibilitando uma melhor eficácia e eficiência das nossas operações. Se é verdade que a recolha, a análise e o controlo dos dados têm-se revelado fundamentais para o desenvolvimento das empresas, levanto a questão de como podemos recorrer ao uso destas ferramentas para melhorar o nosso bem--estar coletivo? Como será possível obter dados relevantes, sem comprometer a nossa privacidade, acerca do funcionamento das nossas cidades? Que dados relevantes serão esses? A gestão dos municípios, através dos dados, tem-se tornado uma abordagem cada vez mais importante na União Europeia. Segundo alguns artigos publicados na página oficial do Parlamento Europeu, esta prática apresenta um potencial significativo para melhorar a vida das cidades, proporcionando a criação de cidades inteligentes e sustentáveis. Do ponto de vista prático, a tecnologia implementada na vida das cidades poderá recolher um conjunto de dados ao momento e atualizados sobre as suas dinâmicas, problemas, e destacar eventuais oportunidades. Será sempre positivo analisarmos dados concretos, transparentes e acessíveis a todos, seguindo o conceito de “Open Data”. Estes dados partilhados visam a possibilidade de serem utilizados para variados fins, contribuindo para o desenvolvimento económico e social das cidades. É neste pressuposto que foi criado o projeto do Portal de dados do Porto. Já existem cidades na UE, e algumas em Portugal, a utilizarem ferramentas que permitem a recolha de dados em tempo real em áreas como a mobilidade, o turismo, a habitação social, ou a saúde. Isto permite que as decisões políticas sejam assentes em dados reais e factuais. Ao mesmo tempo, a partilha dos dados permite que os próprios cidadãos, empresas ou centros de investigação possam encontrar oportuni - dades. Ao nível ambiental, recentemente a Área Metropolitana de Lisboa lançou uma plataforma que mede e fornece a informação dos dados bioclimáticos divulgados numa plataforma “online”. Também já é possível medir e partilhar ao momento a qualidade do ar, ou, ao nível dos resíduos sólidos, acompanhar a quantidade produzida e as taxas de reciclagem municipal. No que diz respeito ao espaço público, a recolha de dados sobre a utilização de parques, praças e outros espaços, pode ajudar a avaliar, não só a procura dos mesmos, mas também identificar potenciais áreas de melhoria. Já existem cidades onde, através de um QR-Code ou de um pequeno “totem” interativo, os cidadãos dão o seu “feedback” sobre os diferentes espaços públicos que frequentam, fomentando, igualmente, uma maior participação cívica. Esta maior participação também pode ser promovida através de plataformas “online” ou aplicações onde os cidadãos votam ou participam ativamente com sugestões de melhoria. Este é, também, um dos pressupostos principais das cidades inteligentes. Em suma, a verdadeira magia dos dados está na capacidade de conseguirmos revelar os segredos urbanos que nos permitem traçar um caminho de progresso e de inovação rumo ao nosso bem-estar coletivo. Já é possível observar na Europa, e em Portugal, municípios a desencadearem mecanismos de recolha, partilha e tomada de decisões estratégicas recorrendo aos dados provenientes do uso de novas ferramentas tecnológicas. Aqui, muito conta, também, o papel ativo dos dirigentes locais para impulsionarem o desenvolvimento de cidades inteligentes. Analisando a realidade de Aveiro acredito que possa ser operacionalizado um caminho mais ambicioso e eficaz neste campo, podendo aproveitar o bom ecossistema do qual faz parte, conjugando a muita indústria na área tecnológica, juntamente com uma das mais destacadas universidades do país e associações que visam a inovação, para podermos ser ainda mais pioneiros. * Mestrando em Controlo de Gestão no ISCA | Gestor de projetos numa empresa em Aveiro Como será possível obter dados relevantes, sem comprometer a nossa privacidade, acerca do funcionamento das nossas cidades?