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ARTE URBANA CONTA HISTÓRIA DE CANTANHEDE

Diário de Coimbra

2023-08-08 07:32:04

A história de Cantanhede contada em arte urbana Pintura Intervenção do artista Juan Domingues no antigo reservatório de água está concluída e é amanhã inaugurada A intervenção de Juan Domingues que transformou o antigo reservatório de água de Cantanhede numa obra de arte urbana está terminada, estando a inauguração marcada para amanhã. Nos seus 18 metros de altura, o reservatório, construído em 1937, passa a contar parte da história e identidade do concelho, expondo características, lutas ou profissões. Em resposta ao desafio/convite lançado pela Câmara Municipal de Cantanhede, o artista venezuelano lançou mãos à obra “Idem et Idem” e, tendo por base o reservatório, conta cronologicamente a história da região, num percurso ascensional, em harmonia com a arquitetura do edifício. O artista, que vive e trabalha em Cantanhede há mais de 30 anos, identificou-se facilmente com o tema. «Desde criança que estas imagens sempre foram muito nítidas e presentes, há muita fundamentação e estudo prévio para que consiga criar uma base pictórica (...) e foi muito simples, porque sabia muito facilmente onde e o que procurar», refere. Na base do reservatório, surgem as batalhas da Guerra da Restauração que concederam a António Luís de Meneses o título de Marquês de Marialva. Depois, no pilar, surgem os gandareses, a «região identitária das gafanhas que se estende de Aveiro à Figueira da Foz. Inspirado no romance “Uma abelha na chuva”, de Carlos de Oliveira, Juan Domingues «espelhou, de um modo folclórico, os habitantes e as suas identidades, alicerçadas na persistência, sacrifício, luta e, ao mesmo tempo, plenas de paradoxalidade», assinala a Câmara de Cantanhede em nota enviada à comunicação social. No topo do edifício, a arte urbana de Juan Domingues ilustra diversas atividades características das 14 freguesias do concelho, desde a arte xávega às varinas a vender na rua, passando pelo vendedor de ouro ambulante. Para o artista, de 41 anos, esta foi uma intervenção fisicamente «bastante exigente». «Tenho de confiar nos meus desenhos e na esquadria para conseguir colocar a informação que pretendo à escala que quero na superfície», expõe, ao notar que, quando está próximo da obra, «tudo me é abstrato ( ), tudo é uma conciliação entre manchas e a paleta cromática». Ao falar das dificuldades do trabalho sublinha «a escala assustadoramente gigante». Depois, acrescenta, «o vento interfere, a chuva interfere, o calor interfere e o número de horas em pé, a uma altitude vertiginosa, também não é algo que se leve de bom ânimo». A obra, que teve curadoria da Zet Gallery, é inaugurada amanhã, às 19h00.| Intervenção artística de Juan Domingues no antigo reservatório de água é inaugurada amanhã Página 12 Pintor prefere intervir em locais públicos Juan Domingues nasceu em Puerto Cabello, Venezuela, em 1981, e escolheu Cantanhede para viver e trabalhar. Licenciado em Pintura pela Escola Universitária das Artes de Coimbra, a sua obra integra diversas exposições.com menções honrosas nos prémios Aveiro Jovem Criador e Prémio D. Fernando II (Sintra), esteve em destaque na Artreview magazine e Showcase London. Está também representado pela Drawing Dreams Foundation de Berkley, Califórnia, lê-se num resumo curricular, que associa a força e densidade das suas obras de pintura e desenho à «gestualidade, conjugação cromática e resíduos de tinta». Hoje em dia, revela Juan Domingues, tem «uma maior vontade» de intervir em locais de domínio público através da pintura cerâmica. O azulejo, completa, «é um suporte nobre» que potencia a obra.| O artista Juan Domingues com a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, e o vereador Pedro Cardoso