JAGUAR ADMITE CONTROVÉRSIA MAS MANTÉM APOSTA NOS ELÉTRICOS
2025-03-14 22:06:18

O diretor-geral da Jaguar reconheceu que a recente campanha de relançamento da empresa gerou bastante controvérsia, mas reiterou que, uma mudança era necessária, para a sobrevivência da marca britânica.A mudança de identidade da Jaguar foi, muito provavelmente, um dos acontecimentos da indústria automóvel mais falados em 2024. A campanha promocional, que deu a conhecer uma nova identidade visual, contou, entre outros suportes, com um vídeo sem a presença de quaisquer automóveis, tendo sido notícia nos principais meios de comunicação, motivando todo o tipo de reações entre críticos e fãs da marca. Para lá dos novos logótipos e das expressões arrojadas de mudança, muitos consideraram a abordagem ousada e disruptiva, enquanto outros classificaram-na como excessivamente progressista ou distante da tradição da marca. O diretor geral da marca, Rawdon Glover, admitiu, em declarações à Auto Express, que a empresa avaliou mal a resposta do público à nova identidade da marca, embora não deixe de reforçar a necessidade de uma mudança significativa, que assegure o futuro da Jaguar.Uma das maiores críticas feitas à marca britânica foi o facto de estar a correr o risco de alienar a base de clientes tradicional e conservadora. Contudo, Glover afirmou que não era essa a intenção, mas sim posicionar a Jaguar como uma marca moderna e relevante no mercado atual. "Definitivamente, não estávamos a dizer somos a favor da diversidade", esclarece Rawdon Glover. "Os conceitos criativos e os indivíduos foram escolhidos porque eram muito modernos, marcantes e ousados. E nós apresentámos um automóvel que era muito exuberante, arrojado e moderno". "Se um indivíduo [publica] Não gosto mesmo disto porque é woke, então os algoritmos alimentam isso", acrescentou. "As redes sociais não são um bom canal para nuances e explicações", afirma Glover. "É muito mais binário: Adoro, odeio, é isto, é aquilo. Para transmitir essa mensagem e levar as pessoas nessa viagem, é preciso contar essa história vezes sem conta. Essa é a minha principal lição". O diretor-geral reiterou que a JLR é uma defensora de diversidade, equidade e inclusão, mas que a mensagem central do relançamento da Jaguar perdeu-se durante a polémica nas redes sociais. Sendo que, a verdadeira ideia que se procurava transmitir, era a de que a empresa continua a valorizar os antigos clientes, mas que também precisa de um novo público-alvo. Mudança para vender apenas elétricos é para manter O primeiro veículo de produção da nova era da Jaguar ainda não foi totalmente desvendado, mas já se sabe que será um GT elétrico. A empresa já anunciou que o objetivo é oferecer, com este carro, um alcance máximo de 692 km, além de 1000 cv de potência, na sua versão mais potente. A bateria será de níquel-manganês-cobalto (NMC) e está a ser desenvolvida pela Agratas, empresa detida pela Tata, que também é dona da Jaguar. A plataforma será concebida pela própria empresa britânica e já tem nome: Jaguar Electric Architecture. Glover também fez questão de salientar que a marca britânica não vai voltar atrás na sua promessa de vender apenas veículos elétricos: "Não, não vamos colocar um híbrido plug-in naquele belo capot comprido", prometeu. O compromisso contrasta, no entanto, com a nova estratégia de empresas como a Porsche, a Volvo e a Lotus, que já reconsideraram os seus planos de vender apenas veículos elétricos num futuro próximo. Bruno Gouveia