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CONHECIDOS OS VENCEDORES DO CARRO DO ANO 2025

Expresso Online

2025-03-14 22:06:11

Citroën C3 triunfa nesta edição, vencendo dois prémios Se a edição do ano passado do Seguro Direto Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal tinha sido marcada pela ascensão dos carros chineses (com a vitória do BYD Seal), este foi o ano do contra-ataque das marcas europeias. O vencedor é o Citroën C3, igualmente distinguido na classe Citadino do Ano, carro que, conforme se refere no texto respetivo, sugere uma viragem no sentido da democratização do automóvel. Em seis das oito classes triunfaram modelos europeus, apenas se intrometendo nesta luta duas marcas coreanas. No que respeita às oito classes em disputa, registem-se, além da já referida vitória do Citroën C3 como Citadino do Ano, três da Renault (R5 e Rafale), duas da Skoda (Superb Break e Kodiaq PHEV), uma da Hyundai (Ioniq 5 N) e outra da Kia (EV3). O prémio Tecnologia e Inovação distinguiu o sistema e-shift do Hyundai Ioniq 5 N, que simula uma transmissão automática de oito velocidades num desportivo elétrico. O prémio Personalidade do Ano foi atribuído a Paulo Pinheiro, impulsionador do projeto do Autódromo Internacional do Algarve desde 2008. Falecido em julho do ano passado, deixa um legado relevante, nomeadamente a realização de provas de Fórmula 1 e motoGP. Carro do Ano 2025: Citroën C3 O Citroën C3 vence este concurso associando um preço contido e uma diversidade de propostas. Existe em versão a gasolina, a partir dos EUR15 mil (motor a gasolina, caixa manual de seis velocidades), e elétrica, a partir dos EUR23 mil (futuramente EUR19 mil, numa versão com menos autonomia). Tanto num caso como no outro prescinde-se do supérfluo para dar ao cliente o essencial. Mas com algumas soluções bem pensadas, como a colocação hábil das principais informações na linha de visão do condutor sem recurso à solução, que seria necessariamente mais cara, do head-up display. É, de alguma forma, o epitáfio da passagem de Carlos Tavares pela Stellantis, pois o ex-gestor português bateu-se para que o carro existisse, com base na mesma plataforma, em versão tanto térmica como elétrica. É um regresso aos velhos tempos da Citroën, quando o Dois Cavalos ou o Mehari eram a versão francesa do carro para todos. O novo C3 traz para os modelos de entrada na gama soluções que a marca só usava em veículos mais sofisticados, caso da suspensão de batentes hidráulicos progressivos (nascida das participações no Paris-Dakar). Com a sua posição de condução elevada, tem ares de um pequeno SUV e não é tão pequeno quanto isso: 4 metros de comprimento. No discurso de agradecimento do prémio, pronunciado no jantar realizado terça-feira, em Lisboa, com a presença do júri e dos representantes das marcas concorrentes, Hugo Sequeira, diretor de Marketing da Citroën, sublinhou que a marca se pretende, ao mesmo tempo, "simples e popular", sendo este carro um exemplo da preocupação do construtor em "propor às famílias soluções acessíveis sem prejuízo da qualidade". Citadino do Ano: Citroën ë-C3 Max A versão elétrica do Citroën C3 representa um esforço do construtor francês no sentido de colocar no mercado um carro acessível a bateria. De facto, a versão já à venda custa EUR23.300, estando a caminho uma outra, com um pouco menos de autonomia (da ordem das duas centenas de quilómetros em vez de 326), mas com um preço mais convidativo, à volta de EUR19 mil. A mobilidade elétrica começa, desta forma, a ser mais do que uma miragem. Dentro da filosofia do grupo Stellantis, este carro é construído com base numa plataforma multienergias, razão pela qual existe também em versão térmica e a um preço ainda mais baixo, à volta dos EUR15 mil. Num caso ou noutro, a carroçaria aproxima-se da de um SUV, sendo a posição de condução alta e desafogada. Apesar da contenção de custos, traduzida num equipamento reduzido ao essencial, beneficia da suspensão de batentes hidráulicos progressivos. Design do Ano. Renault 5 E-Tech Em 1972, o lançamento do Renault 5 foi uma pequena revolução. Era compacto (menos de 4 m de comprimento), original (pára-choques de plástico em vez de cromado), mas tinha cinco portas e uma mala dimensionada para acomodar o conteúdo de um carrinho de supermercado. A primeira versão até reaproveitava as mudanças do Renault 4, rapidamente substituído por uma alavanca no piso. Passados mais de 50 anos, está de volta. Se o projeto original se identificava com a França saída do Maio de 68, o novo R5 aponta aos valores ecológicos dos nossos tempos e pretende conciliar a eletrificação com aquilo que fez o sucesso da indústria, ou seja, a democratização do automóvel (EUR33 mil para já e cerca de 25 mil futuramente, numa versão com menos autonomia). É reconhecível como um Renault 5, mais comprido e largo. Onde havia um respiradouro no capô, agora há um indicador externo de carga de bateria. Desportivo do Ano: Hyundai Ioniq 5 N A marca coreana desenvolveu um modelo 100% elétrico de vocação desportiva, o 5 N. E não esteve com meias-medidas: a potência disponível chega aos 650 cavalos, o dobro de um carro de ralis (WRC) e não muito longe dos 800 cv de um Fórmula 1 atual. É obra, portanto, e convém ser guiado mais com a cabeça que com o coração para termos a certeza de que os cavalos não se tresmalham à primeira curva. Mas se o guiarmos tranquilamente revelar-se-á um carro como os outros, apenas com a suspensão mais dura e a direção mais direta. Uma referência ao sistema e-shift, distinguido, como se refere no texto de abertura, com o prémio Tecnologia e Inovação. Simula a experiência de uma transmissão automática de oito velocidades. Controla o binário do motor para imitar a sensação das passagens de caixa num veículo térmico. Dá-nos as emissões da condução desportiva mas sem poluição. Elétrico do Ano: Renault 5 E-Tech Na classe mais concorrida desta edição do Seguro Direto Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal (nada menos de 20 automóveis) a vitória sorriu ao Renault 5 elétrico, também distinguido em matéria de design. Não era nem o elétrico mais barato, nem o mais potente, nem sequer o de maior autonomia. Contudo, teve a seu favor duas coisas: um desenho atrativo (remetendo para o modelo de 1972) e um compromisso entre os fatores atrás referidos (potência, autonomia e preço). A versão à venda tem 150 cv e uma autonomia de 400 km (bateria de 52 kWh), custando desde EUR33 mil. Uma versão com menos potência e autonomia (setembro) deverá custar perto de EUR25 mil. Traz bloqueio em marcha atrás caso de aproxime um veículo, o mesmo sucedendo com a abertura das portas se houver um obstáculo nas imediações. A caixa tem uma posição de máxima regeneração de energia nas rampas. Familiar do Ano: Skoda Superb Break Esta carrinha Skoda PHEV (híbrida recarregável à corrente com uma potência da ordem dos 200 cv) é ainda mais espaçosa que a sua antecessora. Guia-se com facilidade e, se formos daqueles que viajam com a casa às costas, a mala dá conta do recado. Os sistemas de segurança não são demasiado intrusivos e um destes, a travagem automática em manobras de marcha atrás, funciona a preceito. Acrescem pequenos achados: suporte para os bilhetes no pára-brisas, escova para limpar o ecrã, chapéu de chuva na porta do condutor ou raspador de gelo (na tampa do depósito). A autonomia 100% elétrica ultrapassa a centena de quilómetros. Se na cidade este modo rende e tem vantagens ambientais, na autoestrada, onde a regeneração de energia é residual, a carga depressa se dissipa. Contudo, um ícone no ecrã central permite alternar entre o modo híbrido e o elétrico, guardando bateria para percursos urbanos. Híbrido PHEV do ano: Renault Rafale 4x4 A joia da coroa da Renault é um novo SUV coupé de topo de gama, batizado Rafale. Este nome é, também, o do avião de combate francês de quinta geração, concorrente do F-35 norte-americano ou do Gripen sueco. Era também a designação do C460, avião de corrida produzido em 1934 pela Renault e pela Caudron que, na altura, bateu o recorde mundial de velocidade. Tem dimensões apreciáveis, com 4,71 m de comprimento, praticamente as mesmas do novo Renault Espace. A motorização é híbrida, recarregável na tomada (PHEV) com uma potência da ordem dos 300 cv, tendo este carro tração integral. Além desta há um sistema de quatro rodas direcionais 4Control. E um teto panorâmico de cristais líquidos, desenvolvido em parceria com a vidreira Saint-Gobain, que pode ser escurecido ou clareado pelo condutor e que, além do mais, também tira peso ao carro. Tudo isto surge no mercado a partir dos EUR55 mil. SUV Compacto do Ano: Kia EV3 Tech O EV3 apresenta-se com linhas semelhantes ao EV9, mas mais maneirinho (4,30 m de comprimento, menos 12 cm, por exemplo que um Kia Niro). A aerodinâmica foi cuidada, tal como o sistema de carregamento elétrico, de forma a torná-lo duplamente funcional: máximo de autonomia (da ordem dos 500 km) e maior rapidez a carregar (em corrente contínua basta um quarto de hora para recuperar 239 km). A que preço? Nunca menos de EUR39.900 (desconto de EUR1400 no lançamento). Uma vez mais se confirma que, salvo exceções notáveis (e, como se viu no concurso deste ano, europeias), ainda não há carros elétricos acessíveis ao comum dos mortais. Se, nas patilhas junto ao volante, selecionarmos o máximo de recuperação de energia na travagem ou desaceleração, obteremos duas coisas: mais autonomia e uma condução agradável em cidade, pois basta aliviar o acelerador para o carro praticamente travar sozinho. Grande SUV do Ano: Skoda Kodiaq PHEV Ao Kodiaq, o maior SUV da marca checa, não faltam robustez, espaço e capacidade de carga. Nesta versão PHEV a terceira fila de bancos desapareceu em benefício de um alçapão para guardar os cabos de carga. A carroçaria arredondou-se, perdendo o aspeto original "forte e feio". A autonomia elétrica chega aos 100 km, o que já dá um dia em cheio na cidade e arredores. Passando para a autoestrada (onde a carga elétrica depressa se dissipa) temos a opção de selecionar o modo híbrido, o que, se não evita o uso da bateria recarregável à corrente, a descarrega bastante menos. Mesmo depois de gasta a bateria, os consumos observados não passaram dos 5,5 l/100 km de gasolina. Realcem-se pormenores, como a mola no pára-brisas para prender os bilhetes do estacionamento, à escova para limpar o ecrã tátil. Sem esquecer a simplicidade com que se desativam as ajudas eletrónicas mais intrusivas. Rui Cardoso Rui Cardoso