"O CARRO HÍBRIDO É O CAMINHO PARA O ELÉTRICO OU PARA O CARRO A HIDROGÉNIO"
2025-03-14 22:06:09

Thiebault Paquet, vice-presidente da Toyota Motor Europe, sublinha a importância que a maior construtora automóvel do mundo tem dado aos carros híbridos, que podem ser vistos como uma solução intermédia para aceder à mobilidade 100% elétrica, onde o hidrogénio terá uma importante palavra a dizer A Toyota apresentou em Bruxelas as suas novidades para os próximos dois anos e Thiebault Paquet, vice-presidente do grupo, falou ao Expresso sobre o futuro do sector. E acha que não devem ser os políticos a impor prazos. A aposta nos carros a hidrogénio é mais importante do que nos carros elétricos? Não creio que possamos dizer que o hidrogénio é mais importante. Quando dizemos que acreditamos na multiplicidade de opções, é porque achamos mesmo que precisamos de diferentes tecnologias na estrada. Hoje já existem veículos a gasolina, a gasóleo, a GPL e a biocombustível, mas agora parece que todos temos de usar carros 100% elétricos. No entanto, há clientes para os quais o carregamento das baterias é complicado. Aliás, quanto maiores forem os carros mais pesadas são as baterias. E o hidrogénio é muito mais leve. Não dizemos que é melhor, mas é mais uma opção. A Toyota está a chegar tarde demais à mobilidade 100% elétrica? Não me parece. Temos o Toyota bz4x e teremos 15 novos modelos já no próximo ano. E também temos muitos veículos híbridos plug-in. Não é que estejamos atrasados na eletrificação dos nossos automóveis, pois um carro híbrido tem motores elétricos. A Toyota tem vindo a desenvolver baterias desde sempre; produzimos milhões de motores e baterias. É mais uma questão de escolher ter o grupo motopropulsor certo no momento certo. Teremos uma mistura de todos estes tipos de motores, incluindo a gasóleo? Absolutamente, mas convém deixar claro que já não estamos tanto no diesel. "Uma guerra de tarifas aduaneiras não beneficia ninguém e pode ter custos indesejáveis" Mas ainda produzem motores a diesel? Só para veículos de grandes dimensões, como o jipe Land Cruiser ou a carrinha de caixa aberta Toyota Hilux. Mas todos os automóveis de passageiros são híbridos a diesel ou a gasolina. E até 2030 pensamos que 50% poderão ser carros com zero emissões. O restante será provavelmente ainda composto em grande parte por híbridos e híbridos plug-in e também alguns a hidrogénio. Já não produzem ligeiros de passageiros a diesel? Não, parámos complemente com isso. Os híbridos são o caminho para um futuro de emissões zero? Os clientes podem não ter dinheiro ou interesse em mudar num curto espaço de tempo... Correto. É por isso que precisamos de olhar para o cliente. Tem de haver infraestruturas de carregamento, e este é um ponto de partida muito básico, tanto para os carros elétricos como para os a hidrogénio. Em segundo lugar, temos de olhar para a acessibilidade e, nesse sentido, pensamos que o híbrido é uma boa solução; uma solução intermédia, porque traz muita redução de CO2 (dióxido de carbono). Se tiver um híbrido plug-in, pode até conduzir com emissões zero no circuito urbano diário. É um passo lógico passar para o híbrido e depois para um 100% elétrico ou para um carro a hidrogénio, dependendo do acesso ao carregamento. O que pensa desta guerra comercial entre os Estados Unidos da América, a China, o México, o Canadá e a Europa? Por um lado, na Toyota tentamos produzir onde vendemos, onde temos clientes, e, nesse sentido, queremos ser os melhores. Por exemplo, na Europa vendemos 1,5 milhões de carros e mais de metade dos motores são produzidos localmente. Aliás, mais de 80% dos componentes são feitos ali. Desta forma, temos um certo benefício, no sentido em que podemos evitar riscos do mecanismo de taxas de câmbio e também evitar qualquer tipo de tarifas. Sempre quisemos produzir onde vendemos. Por outro lado, uma guerra de tarifas em geral não beneficia ninguém. As tarifas podem ser úteis se, claro, for para corrigir algum tipo de desequilíbrio injusto. E se se utilizar com inteligência, penso que podem ser uma ferramenta a ter em conta, mas se for utilizada indiscriminadamente vai ter custos indesejáveis. Tanto quanto se sabe, os EUA não têm novas tarifas contra o Japão. Como se explica isto? Não sei. O que posso dizer é que a Toyota investiu uma quantidade gigantesca de dinheiro também nos EUA. Acabámos de investir mil milhões de euros numa fábrica de baterias naquele país. Algumas das linhas ainda não estão em produção, mas nós temos várias fábricas nos EUA e também unidades no México. Está previsto o encerramento de alguma fábrica? Que eu saiba, não. Sobre a Europa, não tenho conhecimento de encerramento de fábricas nem de abertura de mais nenhuma, por agora. Alguns analistas dizem que a carga de regulamentação na União Europeia estrangula o sector e que os políticos estão desfasados da realidade. Concorda? Para sermos honestos, todos partilhamos o mesmo tipo de ambição: ser neutros em carbono. Penso que não há discussão sobre isso, pelo menos na Toyota, mas a questão é como lá chegar. Até 2050 queremos ser neutros em carbono a nível global e, na Europa, até 2040. Mas isso não significa que os políticos tenham de instituir prazos à indústria e aos consumidores. Não acho que seja a melhor forma. Acredito que precisamos de dar liberdade suficiente para que os fabricantes criem tecnologias neutras em carbono, que até se pode traduzir em carros elétricos, mas também pode significar carros a hidrogénio ou com combustíveis sintéticos. O Expresso viajou a Bruxelas a convite da Toyota Vítor Andrade Coordenador de Economia Vítor Andrade