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TRANSPORTES - A DELTA E O DELTA NO AEROPORTO DE LISBOA

Publituris

2025-03-14 22:06:08

A partir do final deste mês, a Delta Air Lines aumentará a sua capacidade no aeroporto da Portela, em Lisboa, em 30% sem adicionar novos voos. Como é que isto é possível de um dia para o outro num aeroporto saturado e à beira do colapso? TEXTO: SKYeXPERT Lisboa-Boston: evolução dos aviões dominantes na rota A boleia desta estratégia da Delta, a SkyExpert, empresa de consultoria especializada em aviação, aeroportos e turismo, explora o "delta" de crescimento à disposição de qualquer companhia no dito "congestionado" aeroporto de Lisboa. O “DELTA" DO AEROPORTO DE LISBOA Um dos "deltas" da Portela refere-se à diferença entre o número de voos e a quantidade de lugares oferecidos por esses mesmos voos. Em muitos aeroportos saturados, uma das soluções mais comuns é a substituição de aeronaves menores por aviões de maior capacidade, permitindo acomodar mais passageiros sem ter de aumentar a frequência das operações. ê mais fácil constatar essa transformação em companhias de longo curso como a United, a LATAM, a American Airlines ou a Etihad, mas essa é uma realidade que também toca as companhias e OS vOOS europeus. Basta pensar que a própria TAP descontinuou aeronaves como o Embraer 145 (50 lugares) e o ATR72 (70 lugares) e reduziu a sua frota de 18 Airbus A319 (132 lugares) para apenas três unidades, favorecendo modelos de maior capacidade ou que a Turkish Airlines utiliza regularmente OS Airbus A330 em vários voos para Lisboa com mais quase 100 lugares por voo relativamente ao A321, para perceber o efeito geral que a substituição de aeronaves menores tem ao nível da oferta de lugares num aeroporto. A ESTRATêGIA DA DELTA PARA LISBOA A Delta Air Lines, numa abordagem alinhada com essa tendência adequada e acertada para Lisboa, irá substituir os seus Boeing 767-300 e 767400ER pelos novos Airbus A330900neo nos voos entre Lisboa e os seus hubs em Nova lorqueJFK e Boston já a partir do dia 30 de março. Esta substituição permitirá um aumento de capacidade na ordem dos 30% e proporcionará inclusivamente uma experiência melhorada aos passageiros sem sobrecarregar o aeroporto de Lisboa com mais vooS. Algo de muito semelhante ocorreu no passado recente quando a Delta substituiu o Boeing 757 (193 lugares) nas rotas de Lisboa pelos Boeing 767 (entre 216 e 238 lugares, consoante as variantes). Entre as vantagens destes novos Airbus A330-900neo destacam-se mais um aumento significativo de lugares disponíveis, permitindo responder melhor ao crescimento no tráfego transatlântico e a introdução da classe Delta One Suites de última geração, uma oferta premium que reforça a competitividade da companhia no mercado corporate. Em termos de gestão aérea, este aumento de capacidade sem recurso a mais voos apresenta diversos benefícios relacionados com a economia de escala e a diluição dos custos operacionais fixos por um maior número de passageiros, reduzindo o custo por assento disponível; um melhor aproveitamento dos slots para outros destinos e companhias; a redução do impacto ambiental com a combinação virtuosa de se utilizarem aviões maiores simultaneamente mais modernos e com maior eficiência de combustível e com menores emissões por passageiro transportado. A TAP, pelo contrário, no que diz respeito aos seus vOOS LisboaBoston apostou na tendência oposta: num curto espaço de tempo, duplicou os seus voos para Boston para dois por dia, mas deixou de utilizar OS A330 nesta rota e passou a utilizar exclusivamente os A321LR de apenas 168 lugares. Em consequência disso, a capacidade de transporte entre as duas cidades não aumentou na mesma proporção que a duplicação da ocupação da infraestrutura com os dois voos diários. HA MAIS DELTA E DELTAS EM PORTUGAL: A DESCONCENTRAçAO DO TRAFEGO E O IMPACTO NO AEROPORTO DE LISBOA Para 2026, a Delta tem ainda duas cartas na manga: a possibilidade de utilizar um avião ainda maior nos seus voos para Lisboa (o Airbus A350, por exemplo) e, sobretudo, a possibilidade de confirmar os rumores de que a companhia irá iniciar voos inéditos sazonais para o Porto a partir do aeroporto de JFK em Nova lorque no verão de 2026. Apesar de ter sido a última das grandes companhias americanas a aterrar em Portugal, a Delta opera com voos próprios neste mercado há quase 10 anos. A joint-venture com a Air FranceKLM, a aliança SkyTeam com ligações via Madrid através da Air Europa e as relações interline permitem-Ihe ter uma noção estatística quantitativa e qualitativa muito concreta do seu atual fluxo de passageiros de Nova lorque e dos Estados Unidos para o Porto e vice-versa seja através dos vários “hubs” parceiros, seja através de Lisboa. Iniciando um voo para o Porto, a Delta irá contribuir para uma redistribuição geograficamente mais eficiente da oferta por relação à procura e com isso também alivia a pressão sobre o aeroporto de Lisboa, ao reduzir a importância da capital como ponto de entrada e de saída do país. Numa perspetiva puramente continental, Lisboa representa mais de 60% do total do tráfego aéreo comercial em Portugal continental, uma proporção que se encontra limitada pelo "tampão" proporcionado pela capacidade do atual aeroporto. Imaginar que essa limitação um dia deixará de existir através da construção de um novo aeroporto conetado à alta velocidade é investir numa infraestrutura macrocéfala, centralizadora e centralizante às portas de Lisboa que penalizará os restantes aeroportos e as suas regiões. O que a Delta nos demonstrará em 2026 é que existe um outro delta na Portela: alivia-se a pressão sobre Lisboa ao estimularemse voos diretos para outros aeroportos portugueses, reduzindo a dependência de Lisboa como ponto único ou principal de entrada e saída do país e ao permitir uma maior aproximação geográfica da oferta de voos à procura que Ihes assiste. Algumas iniciativas nesse sentido incluem OS VOOS diretos que a United Airlines terá entre Nova lorque e Funchal e Nova lorque e Faro, criando verdadeiras alternativas para os turistas americanos conhecerem o país e uma mobilidade intercontinental disruptiva nesses aeroportos. A própria TAP fará algo de semelhante ao inaugurar a rota direta PortoBoston em complemento aos dois voos diários Lisboa-Boston. Todas estas iniciativas não só descentralizam o tráfego, como também libertam capacidade em Lisboa para passageiros que realmente necessitam de utilizar este aeroporto tendo Lisboa e arredores como destino final. CONCLUSãO O aumento de 30% na capacidade da Delta em Lisboa sem adicionar voos demonstra como a gestão inteligente de frotas e a otimização de recursos em coordenação com os gestores aeroportuários podem mitigar a saturação das infraestruturas. A tendência de substituição de aviões menores por modelos de maior capacidade tem sido fundamental para maximizar o uso das aeroportos existentes e é uma estratégia que tem sido adotada em diversos aeroportos congestionados pelo mundo. Por outro lado, a descentralização do trafego, com novas ligações diretas para outras cidades portuguesas, complementa essa abordagem e reduz a pressão sobre Lisboa. Assim, o "delta” do aeroporto da Portela não é apenas uma questão de matemática aeronáutica, mas é um fator estratégico essencial para a descentralização, mobilidade, política pública e sustentabilidade da aviação em Portugal. Em muitos aeroportos saturados, uma das soluções mais comuns é a substituição de aeronaves menores por aviões de maior capacidade, permitindo acomodar mais passageiros sem ter de aumentar a frequência das operações 2019: Boeing 757 Capacidade: 193 lugares 2023-24: Boeing 767-300 Capacidade: 216 lugares 2025: Airbus A330-900 Capacidade: 281 lugares 2025: Airbus A330 Capacidade: 269 lugares 2023-2025: Airbus A321LR Capacidade: 168 lugares O que a Delta nos demonstrará em 2026 é que existe um outro delta na Portela: aliviase a pressão sobre Lisboa ao estimularemse voos diretos para outros aeroportos portugueses, reduzindo a dependência de Lisboa como ponto único ou principal de entrada e saída do país O aumento de 30% na capacidade da Delta em Lisboa sem adicionar voos demonstra como a gestão inteligente de frotas e a otimização de recursos em coordenação com os gestores aeroportuários podem mitigar a saturação das infraestruturas