HÁ MAIS HOTÉIS PARA ANIMAIS MAS PROCURA ESTÁ SEMPRE A CRESCER
2023-07-30 11:07:05

Recurso a unidades hoteleiras e creches para cães e gatos está a aumentar, assim como a "pet sitters", que chegam a ganhar 200 euros por semana, O número de hotéis e de creches para animais de companhia tem vindo a aumentar nos últimos anos. No entanto, a oferta é insuficiente para a procura que cada vez é maior. Há hotéis para todos os gostos e para todas as carteiras: alguns têm piscina, outros têm praia privada. Em todo o país, existem 224 hotéis e 57 creches registados no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Os serviços de "pet sitting", longe de serem uma novidade, são cada vez mais requisitados. Nos últimos anos, tem existido uma maior consciencialização e preocupação com o bem-estar animal. A par disto, crescem as oportunidades de negócio. Desde o início do ano, já foram registados 21 hotéis no ICNF. Só passaram sete meses e já se atingiu o total de registos de 2022. A maioria dos 224 hotéis situa-se na região Lisboa e de Vale do Tejo (103). Seguem-se a região Norte com 59 e a região Centro, com 31 hotéis. A Quinta da Patada, em Loures, abriu portas em 2011. Além do hotel para cães e gatos, tem disponível uma creche, serviço de banhos e tosquias, transporte, veterinário e uma loja. O hotel surgiu devido à necessidade de existir um "espaço onde os cães pudessem ser cães e estivessem em contacto com a natureza", explicou Daniel Gameiro ao JN. Com capacidade para acolher 50 cães e dez gatos, o hotel está "praticamente cheio o ano todo", declara o proprietário. Apesar de a procura aumentar nas épocas festivas e no verão, o número de chamadas e pedidos de reservas tem crescido de dia para dia (recebem cerca de 20 telefonemas todos os dias). Hotéis são insuficientes O aumento de alojamentos e serviços de "pet sitting" é notório, mas a procura é ainda maior. De acordo com a Fixando, os pedidos aumentaram 80% entre 2019 e 2022. No total, desde 2019, esta plataforma de serviços recebeu mais de 35 mil pedidos relacionados com a área. Só este ano, já foram registados quase oito mil, mais de metade do que em 2022 (11 507). O ano da pandemia foi o único que registou uma quebra na procura, menos 28%. "Nós falamos muito em prevenir o abandono, mas temos um défice de infraestruturas para dar resposta aos donos responsáveis", afirma Laurentina Pedroso, provedora do Animal. Os dados revelam que os serviços inscritos na plataforma são claramente insuficientes para tantos pedidos. Atualmente, a Fixando tem 6189 empresas da área inscritas no site. Em 2019, inscreveram-se cerca de 400 novas atividades, já em 2022 os registos foram superiores a dois mil. A provedora do Animal garante que muitos donos têm dificuldade em encontrar hotéis que aceitem animais e que aqueles que são destinados para os patudos estão muitas vezes lotados e que nem qualquer pessoa tem possibilidade de pagar os preços praticados. "Há pessoas que deixam de ir de férias por não terem onde deixar os animais", alerta. Para o mês que se avizinha, a Fixando estima receber cerca de três mil pedidos para passear e cuidar de animais domésticos. Entre os dias 1 e 24 de julho, a procura aumentou 26% em relação ao período anterior. Segundo a Fixando, "quem estiver disponível para prestar estes serviços no seu tempo livre" poderá ganhar "um rendimento extra de quase 200 euros por semana". Já os preços dos hotéis, creches e ATL variam conforme o estabelecimento, as comodidades, o serviço pretendido, o tipo de animal, a altura do ano e o tempo da estadia. Por exemplo, uma estadia de um dia num hotel para um cão pode custar cerca de 15 euros, já para um gato o preço ronda os 11 euros. Se pretender deixar o patudo durante um mês, no caso dos cães, o preço mensal corresponderá a cerca de 300 euros. Além disto, há ainda pacotes para alojar mais do que um animal. Quanto maior o número de cães ou de gatos, maior o desconto. Há hotéis onde os animais podem refrescar-se na piscina, outros onde podem brincar na areia de praias privadas e alguns até têm spa. Há mais hotéis para animais mas procura está sempre a crescer Diana Morais Ferreira