pressmedia logo

A FIGURA - QUEM É O AMIGO DE MONTENEGRO E DONO DOS CASINOS SOLVERDE?

Expresso

2025-03-07 06:30:07

Já esteve na mira do Atlético de Madrid como guarda-redes. Gere casinos e uma empresa líder mundial e apareceu ligado aos Pandora Papers. Uma imponente estátua do pai, Manuel de Oliveira Violas, não deixa indiferente quem entra no gabinete do filho, que tem o mesmo nome e preside à Solverde, onde os laços de sangue prevalecem como um legado vivo na empresa dos Violas, unidos por uma amizade de longa data à família do primeiro-ministro Luís Montenegro, conterrânea de Espinho. A Solverde começou em 1972 por iniciativa do pai, um self-made man que começou a trabalhar aos 10 anos na fábrica de cordas do tio e aos 26 anos se tornou industrial da cordoaria, na Corfi, esteve ligado à criação do banco BPI e à privatização da Unicer, agora Super Bock Group, e dizia ter “uma amante cara, que é Espinho”. Financiou por lá uma série de obras de benfeitoria e mobilizou um grupo de espinhenses para ganhar a concessão do casino de Espinho, inaugurado um mês antes da Revolução de Abril de 1974, um ano depois da vila passar a cidade, muito pelo esforço do empresário. O filho não esconde a admiração pelo pai,“um homem com uma visão excecional”, pioneiro em Portugal a fabricar sacos sintéticos que soube prepará-lo para a sucessão com uma educação de topo em Madrid e na Suíça, onde se formou em economia. Pegou nos negócios da família com as irmãs Celeste e Otília, acelerou a expansão a partir dos anos 90, conta atualmente com cinco casinos, quatro dos quais terão o prazo de concessão expirado no final do ano e quer “manter na família”, como disse numa entrevista ao Expresso, em 2022, já a preparar-se para a renovação das licenças. “Se perdermos os casinos, poderemos vir a fazer uma orientação diferente no futuro”, avançou então o presidente da Solverde. Na verdade, sendo o lado mais mediático do negócio, o jogo não é o principal ativo da Violas SGPS, detida por Manuel e pela irmã Rita Celeste, com uma fortuna familiar avaliada pela Forbes em €931 milhões no final de 2023. A maior fonte de rendimento da holding vem da cerveja, através de uma participação de 56% no Super Bock Group. E o império abrange ainda 4 hotéis, a Cotesi, o maior produtor mundial de fio agrícola, e outros negócios como o CLIP — Oporto International School ou o “Defesa de Espinho”, um dos jornais da cidade. Em Espinho, é fácil ouvir dizer que Manuel Violas é, “tal como foi o seu pai, o maior empresário da terra”. No meio empresarial é reconhecido como “um homem muito ligado à sua terra, disponível para defender os interesses do norte em geral e de Espinho em particular”. Membro do Conselho Geral da AEP — Associação Empresarial de Portugal, é fundador da Casa da Música e tem na Super Bock um dos “grandes mecenas” de Serralves. Os trabalhadores veem-no como “um patrão intransigente e exigente”. José Mota, antigo autarca de Espinho pelo PS, fala de “uma pessoa sempre correta que nunca pediu nada que não pudesseserfeito”.CavacoSilvateve-o na Comissão de Honra da candidatura à presidência, em 2006. “CASOS MEDIÁTICOS” O estádio do SC Espinho batizado com o nome do pai desapareceu para dar lugar a um projeto imobiliário, mas Bernardo Gomes de Almeida, atual presidente do clube, não tem dúvidas sobre o seu antecessor: “Manuel Violas tem sido a nossa maior ajuda. Sem ele, o clube não estaria vivo.” Benfiquista, acionista da SAD do FC Porto, guarda-redes cobiçado pelo Atlético de Madrid e pelo Neuchâtel Xamax na sua juventude, assume o golfe como “paixão principal” no desporto e tem no Oporto Golf Club, que presidiu durante 18 anos (20052023), o clube de eleição. E de onde vem a ligação a Luís Montenegro que no debate da moção de censura do Chega contra o Governo assumiu ser “amigo pessoal” dos acionistas da Solverde? “Entre o empresário mais importante do concelho, com peso a nível nacional, e um advogado e político da terra que começou a destacar-se em 2011 como líder da bancada do PSD, após a vitória de Passos Coelho nas legislativas, a aproximação é natural”, comentam em Espinho. E os dois também jogam golfe juntos, como provam fotografias do Clube dos Economistas, tiradas dois dias após a votação da primeira moção de censura no Parlamento. A verdade é que Luís Montenegro foi advogado da Solverde nas negociações com o Estado para a atribuição de compensações aos casinos devido aos prejuízos causados pela pandemia da covid-19. E, assim, três meses antes de ser eleito líder do PSD, a empresa conseguiu prolongar a concessão do jogo em Espinho e no Algarve até 31 de dezembro de 2025. Por essa altura, entre trabalhadores e quadros do grupo, corria o rumor de que Manuel Violas iria aproveitar a renovação da concessão, no ano em que celebra o seu 67º aniversário, para passar o testemunho aos filhos Marta e Manuel e chamar Luís Montenegro a ocupar um lugar na administração da Solverde. Apesar de fugir das luzes da ribalta, como garantem amigos e conhecidos, a ligação à Spinumviva e a Luís Montenegro vem colocar Manuel Violas e o seu grupo na mira da comunicação social pela segunda vez, depois de em 2019 o empresário aparecer no processo Pandora Papers como dono da Marplex Enterprises Limited, nas Ilhas Virgens Britânicas. Para já, “em proteção do bom nome”, rescindiu o contrato com a Spinumviva. mmcardoso@expresso.impresa.pt Manuel Violas MANUEL VIOLAS TEM SIDO A NOSSA MAIOR AJUDA ATÉ HOJE. SEM ELE, O CLUBE NÃO ESTARIA VIVO Bernardo Gomes de Almeida Presidente do Sporting Clube de Espinho MARGARIDA CARDOSO; CONCEIÇÃO ANTUNES