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BMW ASSUME INVESTIMENTO NOS MOTORES DE COMBUSTÃO COM POLÍTICAS DE TRUMP

Público Online

2025-02-11 22:05:28

O caminho para a electrificação do transporte na maior economia do mundo vai ser "uma montanha-russa", diz administrador da empresa alemã. Em meados de Janeiro, a agência Reuters citava uma análise da consultora especializada Rho Motion para dar conta de que as vendas globais de veículos eléctricos e híbridos plug-in subiram 25% em 2024, para um total de 17 milhões de unidades, graças ao crescimento do mercado chinês, perante a estagnação do mercado europeu. Os mesmos dados indicavam que os fabricantes estavam a olhar para 2025 como um ano de incógnitas, tendo em conta um previsível abrandamento do crescimento de vendas na China, novas metas de redução de emissões mais exigentes na Europa (que tem prometido, para Março, um plano de salvação da indústria automóvel) e as expectáveis alterações de política dos Estados Unidos sob a nova Administração Trump. Nesta segunda-feira, uma das principais fabricantes mundiais, a alemã BMW, do grupo que também tem as marcas Mini e Rolls-Royce, confirmou que os sinais dados na maior economia do mundo fazem com que seja inevitável continuar a apostar nos motores convencionais, a gasóleo e gasolina. Em declarações ao Financial Times, um dos administradores do grupo, Jochen Goller, confirmou que a BMW continuará a investir nos motores de combustão e na tecnologia híbrida e que está optimista quanto à continuidade das vendas de veículos a gasolina e gasóleo nos Estados Unidos. Já a procura de veículos eléctricos parece condenada a um abrandamento nos próximos anos. "Penso que seria ingénuo acreditar que o movimento para a electrificação [nos Estados Unidos] é uma via de sentido único. Será uma viagem de montanha-russa", disse Goller, responsável pelos clientes, marcas e vendas, ao Financial Times (FT), na sede da BMW, em Munique. "É por isso que estamos a investir nos nossos motores de combustão", afirmou o gestor. "Estamos a investir em híbridos plug-in modernos. E vamos continuar a lançar carros eléctricos", disse ainda. As vendas de automóveis totalmente eléctricos do grupo aumentaram 13,5% no ano passado, para 426.594 veículos, representando 17% das vendas totais. Incluindo os híbridos, a proporção de veículos eléctricos nas vendas foi de 24%. O Financial Times nota que as rivais alemãs Volkswagen e Mercedes-Benz, que tinham ambições de se converterem totalmente aos eléctricos, estão agora com dificuldades para se adaptarem a um ritmo menor de crescimento de vendas. Analistas ouvidos pelo jornal britânico consideram que a fabricante de carros de luxo alemã está mais bem posicionada do que as rivais para "cumprir metas de emissões mais rígidas sem ter de vender os veículos eléctricos com grandes descontos" e está também "menos exposta à guerra tarifária", uma vez que 65% dos automóveis vendidos nos Estados Unidos são construídos localmente. A maior unidade de montagem da BMW está localizada em Greer, na Carolina do Sul. Ainda assim, na China, a empresa não tem tido a vida facilitada, dado que as vendas da BMW e da Mini caíram 13%, para 714.530 unidades, registando uma descida mais severa do que as rivais Mercedes-Benz e Audi. No ano passado, vários fabricantes mundiais de automóveis reduziram os objectivos de produção de eléctricos devido ao abrandamento da procura, ao desenvolvimento limitado de infra-estruturas de carregamento e ao aumento da concorrência de rivais chinesas com modelos mais baratos, entre elas marcas como a BYD, Voyah, Dongfeng e M-Hero. Por exemplo, a Toyota reviu em baixa os objectivos de produção até 2026, a Stellantis e a General Motors decidiram atrasar a produção de alguns modelos, assim como a Ford, que também anunciou a transferência de parte da produção de baterias da Polónia para os Estados Unidos na expectativa de baixar custos de fabrico com os incentivos propostos pela anterior Administração Biden através do Inflation Reduction Act, que o Presidente Trump agora deixou pelo caminho. Numa das muitas ordens executivas que assinou assim que regressou à Casa Branca, Donald Trump decretou "eliminar o mandato do veículo eléctrico (VE) e promover a verdadeira escolha do consumidor, que é essencial para o crescimento económico e a inovação, eliminando as barreiras regulamentares ao acesso aos veículos a motor". Decidiu-se também pôr fim "às isenções de emissões estatais que funcionam para limitar as vendas de automóveis a gasolina" e eliminar "subsídios injustos e outras distorções de mercado mal concebidas impostas pelo Governo que favorecem os VE [veículos eléctricos]". tp.ocilbup@otirb.ana Ana Brito