´STARTUP´ DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FUNDADA EM LONDRES POR JOVENS PORTUGUESES CAPTA 1,5 MILHÕES DE DÓLARES
2025-02-11 22:05:21

A Noxus tem cerca de um ano de existência e foi criada por quatro portugueses de 29 anos, sediados em Londres. Em 2025, ambiciona atingir uma faturação de 1 milhão de dólares Depois de se terem cruzado durante a formação académica no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, João, Jorge, Gonçalo e Miguel estiveram uns anos afastados. Fazem parte do universo de jovens portugueses que emigraram à procura de novos desafios profissionais e melhores condições de vida: uns para os Estados Unidos, outros para o Reino Unido. No início do ano passado, foi em Londres que se juntaram para fundar a Noxus, empresa de tecnologia com base em inteligência artificial, que acaba de captar 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,45 milhões de euros, no câmbio atual), numa ronda de investimento. "O objetivo é chegar ao final deste ano com uma faturação de mais de 1 milhão", traça o presidente executivo da startup luso-britânica, João Pedro Almeida, em conversa com o Expresso. Em cerca de um ano, a empresa criada por estes quatro jovens de 29 anos encaminha-se para aquele patamar, contando com seis clientes em Portugal e dois noutros países da União Europeia. Cada um dos contratos atuais gera em média cerca de 70 mil euros por ano. O objetivo passa agora por alargar a carteira de clientes para França, Itália e Alemanha. A Noxus oferece um serviço baseado em inteligência artificial para aumentar a produtividade das empresas através da criação de um pequeno exército de "colaboradores de inteligência artificial", que executam tarefas repetitivas, otimizam a tomada de decisões e simplificam operações em várias áreas que podem poupar cerca de "mil horas mensais de trabalho às empresas". Um caso concreto: "leituras internas de documentos e processamento de análise", explica João Pedro Almeida, adiantando que "o Ministério da Saúde tem muitos problemas com gestão da documentação, quase toda ainda em papel, e isso não é usado para analisar cada paciente". O uso desta plataforma pode adaptar-se a todas as áreas numa empresa, desde recursos humanos até comércio online: "é possível criar um catálogo de produtos, com descrição dos bens ou análise dos preços dos concorrentes". Nos primeiros seis meses, a startup conseguiu fechar alguns contratos na ordem dos seis dígitos anuais. Um deles é relativo a um prestador de cuidados de saúde líder em Portugal, que atualmente consegue poupar 700 horas por mês, diz a empresa, graças aos seus "colaboradores virtuais". Quanto a trabalhar com o Governo português, João Pedro Almeida admite que já teve contactos com algumas empresas públicas e abre a porta a futuras colaborações. "Vemos que existem sobretudo muitos problemas na área da saúde, mas depende sempre da abertura do Governo e da vontade de querer mudar", diz. Esta foi a primeira ronda de investimento da startup luso-britânica, uma operação liderada pela britânica SFC Capital, empresa de capital de risco, e com o investimento de Luís Amaral, acionista do Eurocash Group e jornal Observador, João Menano, ex-Google e fundador da James.AI, e Django LOr, fundador da Paybyrd e Kuanto Kusta. A ronda contou também com o investimento da Bynd Venture Capital, da Altair Capital e da Caixa Capital. A Noxus esteve inserida num "acelerador" de empresas em Singapura, o Antler, antes de levantar voo, e foi também selecionada recentemente para o Programa de Crescimento da Google no Reino Unido. Gonçalo Almeida Jornalista Gonçalo Almeida