MADURO CUMPRE 10 ANOS NA PRESIDÊNCIA E QUER LIMPAR IMAGEM
2023-04-17 00:38:08
0 MIG UEL GUTI ER REZ/ EPA VI A LU S Ricardo Santos Ferreira rsferreira@medianove.com Li unta quis ser pre sidente, mas uma circunstância histórica trouxe-me aqui", afirmou o recém-empossado Nicolás Maduro. depois de lhe ter sido imposta a faixa de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, sucedendo ao carismático Hugo Chavez, que morreu de cancro, em 2013, e de quem foi vice-presidente e por ele apontado como seu herdeiro político. Cumpriu-se, esta semana. uma década sobre este episódio que marcou o início formal do percurso de Maduro como continuador do chavismo sem Chavez. Se a eleição. em 2013. foi ganha com 50,6% dos votos - uma margem mais escassa do que qualquer sondagem fazia antever -, a reeleição. em 2018, com 67.8% dos votos - com a mais elevada abstenção de sempre. de 46% -. foi contestada, devido a diversas irregularidades, levando ao pedido de um novo plebiscito e, no limite, a que o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó. se auto-proclamasse presidente-interino, com gabinete ministerial formado. ainda que não tivesse qualquer poder efectivo, que continuou nas mãos de Nicolás Maduro, que manteve o apoio dos limitares e da polícia. "Esta década ficou marcada por uma série de crises económicas e políticas, com impacto até aos dias de hoje. Entre a saída de As irregularidades eleitorais atiraram a Venezuela para a situação de estado pária milhões de venezuelanos, os protestos pela situação política e económica. a elevada inflação, as sanções económicas e um certo isolamento internacional, estes 10 anos têm sido especialmente difíceis para a Venezuela". diz ao NOVO Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense. As irregularidades eleitorais atiraram a Venezuela para a situação de estado pária, com poucos países a reconhecerem o regime, que foi alvo de sanções diversas. em primeiro likrir dos Estados Unidos da América, com muitos estados a escolherem relacionar-se com Juan Guaidó, situação que durou até agora, tendo a Assembleia Nacional decidido o fim do interinato no início deste ano. "O último ano foi marcado por um forte crescimento económico [de 15%, segundo Maduro], em grande parte devido aos preços do petróleo e à guerra na Ucrânia". explica Pedro Ponte e Sousa. Maduro tem apostado em furar o ostracismo internacional a que foi votado, participando, por exemplo. na COP27. a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, no Egipto, onde se encontrou com diversos chefes de Estado e de governo, incluindo o primeiro-ministro português, António Costa. As mudanças políticas na Colômbia e no Brasil, em que os novos presidentes rapidamente retomaram as relações diplomáticas com Caracas também ajudam. Agora, a questão será saber se poderão realizar-se eleições. "As negociações entre o governo e a oposição. mediadas pela Noruega, que seriam centrais para as presidenciais de 2024. têm dado poucos frutos, quer no que toca às eleições propriamente ditas. quer a outros problemas fundamentais: sanções económicas, ajuda humanitária, fundos venezuelanos congelados no exterior", diz Ponte e Sousa. Além disso, Maduro, que prometeu na tomada de posse mão dura no exercício do poder, parece entendê-la como fundamental para a sobrevivência da Venezuela da revolução bolivariana". lembra o especialista. E a organização Freedom House refere que as instituições democráticas da Venezuela se têm deteriorado desde 1999. "mas as condições pioraram acentuadamente nos últimos anos, devido à repressão mais dura do governo". Ou seja, as condições que levaram à contestação não se alteraram. VENEZUELA Maduro cumpre 10 anos na presidência e quer limpar imagem Nicolás Maduro cumpre uma década na presidência da Venezuela e quer recuperar a imagem internacional para manter o poder, mesmo que o que levou ao isolamento a que foi votado se mantenha