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UCRÂNIA CONSEGUE MAIS PROMESSAS DA NATO MAS TAMBÉM MAIS ARMAMENTO

NOVO

2023-07-15 07:02:05

Nada se alterou taqqalmènte /pa relação entre a NaIg e a ^Jc^ânia na cimeira de Vilnius,- ^ com o Presidente Volodimir ^.Z^lg^ski a conseguir o reforço ^ ^ i n a promessa de adesão ^^^jártem 15 anos. o cjúe o desapontou, mas também rejubilou com garantias^e mais e melhor armamento, fn1:íuindo caças, mísseis e bombas de fragmentação, que nãb siíb consensuais entre os afiac^sJ % ^pàrtb de fundo continua feitoid^lqições, que poderão alterar tudo Ornais importante para a Ucrânia na cimeira da Organi zação do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), que se rea lizou em Vilnius, na Lituânia, não cons ta dos 90 pontos do comunicado final, mas antes dos compromissos que foram sendo assumidos pelos países, individualmente ou em grupos mais pequenos do que aquele que forma a maior aliança global de defesa, para o reforço do apoio ao esforço de guerra. O Presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. que tinha insistido muito na formalização de um convite ou de um calendário para que o país integrasse a NATO - o que acabou por lhe valer críticas acabou por partir com a garantia de solidariedade e o reforço da promessa inicial, de há 15 anos, feita na cimeira de Bucareste, de que um dia a Ucrânia fará parte da Aliança Atlântica, "quando os aliados acordarem [por unanimidade] e as condições forem cumpridas". "Ninguém sério poderia acreditar que sem um horizonte de fim para a guerra e num país com território ocupado e fronteiras disputadas se pudesse avançar com um convite de ade-são calendarizado. Lembre-se que em 2008. na cimeira de Bucareste, mesmo sem guerra, não houve consenso sobre a adesão da Ucrânia", diz ao NOVO Jorge Botelho Moniz, director de Estudos Europeus na Universidade Lusófona. Mesmo assim, ficou estabelecido que a Ucrânia dispensará um plano de acção para a adesão (MAR na sigla em inglês), porque já existe uma interoperabilidade e uma integração poli-f tica com a organização e porque o caminho que o país tem de fazer para o processo de entrada na União Europeia (UE) tem obrigado - e obrigará - a que sejam concretizadas as reformas que os aliados consideram necessárias. "O que tivemos em Vilnius foi um reafirmar de compromissos", diz ao NOVO Tiago André Lopes, professor de Diplomacia da Universidade Portucalense, apontando que mesmo a dispensa do MAP acaba por ser mais política dó que real. "porque a declaração conjunta deixa expresso com clareza que a ausência de um Plano de Acção para Estados-Membros para a Ucrânia não implica que não tenham de ser feitas várias reformas em sectores como corrupção, justiça, governança e democraticidade ou a legitimidade do sistema político". Por isso. no final, o ênfase dado pelo Presidente ucraniano aos resultados da cimeira foi no reforço da capacidade bélica. "Regressamos a casa com um bom resultado para o nosso país e. muito importante, para os nossos combatentes: um bom reforço de armamento", disse Volodimir Zelenski, num discurso dirigido à nação, gravado no comboio que o levou de Vilnius de volta a Kiev. A Ucrânia terá mais carros de combate, mais munições, incluindo de artilharia, mas também acesso a mísseis de longo alcance, novas munições, como as bombas de fragmentação, e capacidade de combate aérea, com aviões de combate e formação para os operar. "As garantias de segurança oferecidas pela NATO e também pelo G7 à Ucrânia, o reforço do f i n a n c i a m e n t o plurianual - demonstrando um investimento de longo prazo dos aliados -, a reactivação do Conselho NATO-Ucrânia, a retirada do MAP e 0 memorando sobre os F-16 são conquistas efectivas, directas ou indirectas, desta cimeira", aponta Jorge Botelho Moniz. Armas pouco consensuais Para Tiago André Lopes, a questão dos F-16 é "o assunto mais contencioso, que já levou a uma resposta dura de Moscovo". O Kremlin reagiu, como se esperava, criticando o reforço da promessa da continuação do processo de adesão da Ucrânia à NATO. mas foi mais incisivo sobre a disponibilização de aviões de combate, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Sergei Lavrov, a dizer que a presença dos F-16 na Ucrânia representa uma ameaça de âmbito nuclear para o país. porque os caças têm capacidade para j transportar este tipo de armas. Para o ex-Presidente e ex-primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev, a terceira guerra mundial estará, assim, mais perto. Ao NOVO, Tiago André Lopes aponta que a disponibilização deste tipo de material e de armamento não é consensual entre os aliados. "É curioso que pouco mais de um terço dos Estados--membros da NATO - 11 em 31 - aderiram à coligação para treino de pilotos ucranianos para os F-16, e ainda mais curioso que os treinos, anunciados pública e politicamente desde Março, só irão arrancar depois de Agosto. Isso demonstra que a questão dos F-16 é divisiva, complexa e nada consensual", diz. Acrescenta que, além disso, "o envio unilateral, pelos EUA, de bombas de fragmentação para a Ucrânia pode levar a Rússia a sentir--se justificada na utilização dos seus stocks de armas incendiárias e termobáricas, o que escalaria o tipo e o grau de violência no teatro de operações". Os F-16 Fighting Falcon começarão a ser entregues à Ucrânia no início do próximo ano, o que, tendo em conta a declaração da NATO de que irá apoiar a Ucrânia "enquanto for necessário", indicia uma guerra longa, mesmo que o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, tenha declarado, em Helsínquia, na Finlândia - o mais r e c e n t e membro da Aliança Atlântica -, que o Presidente russo, Vladimir Putin, já perdeu a guerra, porque não tem como sair da actual situação nem recursos para manter o conflito. Esta evolução da retórica terá também em conta que muitos dos Estados-membros da NATO vão ter eleições, que poderão alterar as promessas que têm sido feitas. Não podemos esquecer que as eleições antecipadas em Espanha (Julho) e nos Países Baixos (algures no Outono) e as eleições pariamentares na Eslováquia (Setembro). Polónia (Outubro) e Luxemburgo (Outubro) podem trazer novas lideranças políticas com um entendimento diferente da dimensão do auxílio prestado", diz Lopes. "Além do mais, a partir de Novembro/Dezembro, tanto o Reino Unido como os Estados Unidos da América precisam de ter resultados mais tangíveis da contra-ofensiva. sob pena de serem penalizados", porque enfrentam eleições em 2024. "Não ficaria surpreso se a pressão para negociar aumentasse a partir de Dezembro deste ano", diz o professor da Universidade Portucalense. "As garantias de segurança oferecidas pela NATO, o reforço do financiamento plurianual, a reactivação do Conselho NATO-Ucrânia, a retirada do MAP e o nnemorando sobre os F-16 são conquistas efectivas, directas ou indirectas", da Ucrânia na cimeira, aponta Jorge Botelho Moniz éé Não podemos esquecer que as eleições antecipadas em Espanha e nos Países Baixos e as eleições parlamentares na Eslováquia, Polónia e Luxemburgo podem trazer novas lideranças políticas com um entendimento diferente da dimensão do auxílio prestado" Tiago André Lopes Professor de Diplomacia da Universidade Portucalense