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NOVAS SUSPEITAS NA DEFESA: CRAVINHO AVANÇOU SEM COBERTURA DO TRIBUNAL DE CONTAS NEM CONTRATO PARA MANUTENÇÃO DOS ´HÉLIS´

Expresso Online

2023-07-14 06:00:07

13 julho 2023 23:00 Ex-ministro da Defesa e atual MNE, Cravinho vai ter de dar explicações sobre casos que envolvem Marco Capitão Ferreira filipe amorim/lusa A manutenção dos helicópteros de busca e salvamento foi realizada sem novo contrato com o fabricante e sem visto do Tribunal de Contas. Foi para a negociação deste contrato que Marco Capitão Ferreira fez a assessoria de EUR61 mil alegadamente fantasma, que lhe valeu ser arguido por corrupção. Mas o Ministério da Defesa cancelou o pedido de visto ao tribunal, e não voltou a apresentar um contrato novo. Porque o fez, ainda é um mistério. Facebook Twitter Whatsapp Email Linkedin Mais 13 julho 2023 23:00 Vítor Matos textos Jornalista O caso que envolve o ex-secretário de Estado da Defesa Marco Capitão Ferreira, constituído arguido há uma semana por corrupção e participação económica em negócio, está a escalar politicamente com a aprovação de uma audição conjunta da ministra da Defesa, Helena Carreiras, e do ex-ministro João Gomes Cravinho, atual ministro dos Negócios Estrangeiros. Deverá ser, sobretudo, Cravinho a ter de explicar aos deputados o imbróglio do processo dos contratos de manutenção geral dos helicópteros EH-101 (cuja esquadra assegura as missões de busca e salvamento), que se mantiveram num limbo ao longo de meses sem contrato nem visto do Tribunal de Contas (TdC). Foi para dar assessoria à renegociação desse contrato com o fabricante - que nunca chegou a entrar em vigor -, que Marco Capitão Ferreira recebeu EUR61,5 mil, sem que a Polícia Judiciária tivesse encontrado provas materiais do serviço prestado em apenas cinco dias. A ministra da Defesa anunciou esta semana, a partir da Cimeira da NATO, em Vílnius (Lituânia), que pediu ao Tribunal de Contas uma auditoria à idD Portugal Defence, a holding das indústrias de Defesa, empresa que foi liderada por Marco Capitão Ferreira entre 2020 e 2022, antes de ir para o Governo (e que tem dois anos de apresentação de contas em atraso). A auditoria, sabe o Expresso, poderá alargar-se às empresas desse universo, de que faz parte a OGMA (onde o Estado tem 35%) e cujas contas a empresa não publicita, recusando-se a fornecer os relatórios ao Expresso. Helena Carreiras, que ainda não se pronunciou sobre o caso, terá de explicar aos deputados por que razão chegou a dizer, antes das buscas judiciais da passada sexta-feira, que já tinha a “informação sobre o contexto e os processos relativos a essa assessoria” realizada por Capitão Ferreira em março de 2019 - e que levou o Ministério Público a constituí-lo arguido por suspeitas de corrupção e participação económica em negócio no âmbito da operação Tempestade Perfeita.