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AVIÃO FURA LIMITES DE VENTO

Diário de Notícias da Madeira

2023-05-12 08:03:49

AVIAÇÃO Voo da Binter, proveniente de Canárias, foi dos únicos a aterrar na tarde da passada terça-feira. FOTO ARQUIVO/ASPRESS Binter aterrou ultrapassando os limites de vento ANDREIA DIAS FERRO aferro@dnoticias.pt Na passada terça-feira, dia em que o vento finte voltou a condicionar as operações no Aeroporto Internacional da Madeira — Cristiano Ronaldo, o voo da Binter NT 942, proveniente de Tenerife, aterrou pelas 18h09, ultrapassando os limites de vento impostos pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC). Segundo apurou o DIÁRIO, esta situação motivou o reporte por parte da torre de controlo à ANAC, estando o caso agora sob investigação, após a abertura de um processo. Numa tarde em que a esmagadora maioria das aterragens não se concretizou, chamou a atenção o facto de um Embraer de pequenas dimensões ter sido capaz de o fazer. Esse dia ficou marcado por vários voos divergidos e cancelados, com centenas de passageiros a ficarem retidos no aeroporto, alguns deles apenas com a possibilidade de remarcar o voo para este fim-de-semana. Dado o reporte da torre de controlo, que acontece sempre que se registam situações semelhantes, o caso está agora sob investigação, a fim de perceber qual a motivarão do sucedido: se por uma emergencia a bordo, por falta de combustível para retomar a Canárias ou por insistência do piloto. De qualquer das formas, corre agora o proçesso. A explicação é dada ao DIÁRIO pelo experiente piloto Timóteo Costa, agora reformado, que conta com um recorde de aterragens na ilha da Madeira. Este caso vem levantar uma série de questões relacionadas coma legislação em vigor relativa ao Aeroporto Cristiano Ronaldo. Neste momento, os limites impostos são tidos como "obrigatórios/mandatórios", com caracter sancionatório, para quem não os cumprir. Já em 2018, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira instou a ANAC a alterar os limites de vento para "recomendações/alertas", mas tal ainda não veio a acontecer. Isto significa que os pilotos que aterrem fora dos limites, mesmo que estejamos a falar de uma diferença de 1 ou 2 nós, estão em infracção e são alvo de processo. Mediante o decorrer do processo, este pode resultar na suspensão temporária do piloto até à retirada da sua licença de voo. Tal como num tribunal civil, as consequências vão depender dos factos que forem apurados ao longo da investigação. O comandante Timóteo Costa é um dos defensores de que os limites de vento devem ser meras recomendações, uma vez que considera que os pilotos têm capacidade para averiguar se estão reunidas as con TORRE DE CONTROLO REPORTOU CASO À AUTORIDADE NACIONAL NA QUARTA-FEIRA OPERAÇÃO AFECTADA O vento não dá tréguas e voltou ontem a condicionar o Aeroporto Internacional da Madeira pelo quinto dia consecutivo. Um voo da easyJet, proveniente de Lisboa, não conseguiu aterrar e regressou à origem. Vários aviões efectuaram várias voltas antes de se fazer à pista, tal como tem acontecido ao longo da semana. No balanço final do dia, fixam loas ligações aéreas que foram canceladas. Nas chegadas foram cinco suspensos - um voo da TAP, um da Ryanair, um da Condor e dois da Rqsyjet. Por sua vez, como consequência destas suspensões, outros tantos voos que tinham saídas previstas da Madeira também foram cancelados pelas referidas companhias aéreas. dições de segurança para a aterragem. Além g r o, ao nosso jornal, admitiu que a diferença de 1 ou 2 nós pode não ser o suficiente para afectar a segurança da aterragem, pelo que se pode estar a desistir de aterrar quando é seguro fazê-lo dada a experiência do piloto. Estas são regras que se aplicam desde 1976 e nunca foram revistas. Desde então, há pilotos com mais experiência, aeronaves mais seguras, mas mesmo assim esses limites não são revistos. O DIÁRIO contactou a Binter, mas até ao fecho desta página ainda não tinha obtido qualquer resposta por parte do abinete de comunicação em Canarias. ANAC já foi informada sobre o sucedido O DIÁRIO contactou a ANAC para perceber quais os procedimentos que vão ser agora tidos em conta. No entanto, não conseguiu resposta oficial sobre o sucedido em tempo útil. Todavia sabe o nosso jornal que a NAV (Navegação Aérea), responsável pela Controlo de Tráfego Aéreo fez o reporte do sucedido na passada quarta-feira, dia 10 de Maio. Já foi confirmada que a matrícula da aeronave em causa, que é espanhola, pelo que o caso é reportado numa plataforma europeia, dando conta do sucedido, e informado a autoridade espanhola sobre o caso.