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EXPERIMENTAND O

Marketeer

2023-06-30 13:09:05

Sabia que já há tecnologia com ADN português capaz de interpretar automaticamente electrocardiogramas, com a precisão de um médico cardiologista? O empreendedor João Neto garante que estamos apenas no início da era da Inteligência Artificial João Neto, da Digital Logic «A única maneira de desenvolver algo que funcione é Empreendedor em Inte ligência Artificial. Foi desta forma que João Neto, CEO da Digital Logic, um fundo de in vestimento especializado no sector tecnológico, se apresentou no palco da 20." Conferência Marke teer, onde revelou alguns casos práticos de como a Inteligência Artificial (IA) está a revolucionar sectores como o retalho ou a saúde em Portugal. De acordo com o empreendedor, formado em Engenharia, o desenvolvimento tecnológico a que temos assistido nos últimos tempos, em particular na área da IA, deve-se sobretudo ao facto de plataformas como a OpenAI estarem abertas e disponíveis para os programadores de todo o mundo. «Todo o know-how necessário para desenvolver a IA e redes neuronais está totalmente disponível. É a cultura de open source mais forte que alguma vez vi. Claro que há produtos fechados, mas todas as técnicas necessárias para desenvolver software estão disponíveis. Há uma evolução astronómica na comunidade científica», salientou o keynote speaker da conferência, que decorreu no Sagres Campo Pequeno, em Lisboa. Nesse sentido, acrescentou, quem conseguir potenciar e testar estas ferramentas o mais rápido possível terá vantagens competitivas no mercado: «É importante entender os conceitos teóricos e as bases para trabalhar este sistema, que é um sistema extremamente experimental. A única maneira de desenvolver algo que funcione é testando e experimentando.» E é essa mesma cultura de experimentação que, garante, tem estado na base da actividade da Digital Logic, que, desde a sua fundação, em 2014, tem contribuído para a criação e desenvolvimento de empresas de software como a Cloudware ou a KuantoKusta. Agora, com o advento da IA e do machine learning, o fundo portuense tem-se posicionado cada vez mais neste mercado, contribuindo para o desenvolvimento de empresas que exploram estas novas tecnologias e que «não existiriam sem a IA». São os casos da PriceWare e da Cardiolife. A PriceWare é uma plataforma de price intelligence, ou um comparador de preços, que permite aos retalhistas online terem uma ferramenta de recolha e análise que monitoriza preços (quase) em tempo real (neste caso, de hora a hora). A plataforma é baseada numa rede neuronal, semelhante à que está na base do ChatGPT, que foi afinada para «aprender como funciona a dinâmica de escrever nomes de produtos em Portugal», uma vez que a recolha de preços obriga a "ler" o que os retalhistas escrevem na descrição de cada produto. «É necessário entender que a descrição que dois retalhistas dão a um iPhone, por exemplo, apesar de ser distinta, refere-se ao mesmo produto», explica João Neto.com base neste modelo, que vai aprendendo à medida que mais informação é analisada, a plataforma consegue fazer o match entre os produtos disponíveis e os preços. A plataforma desenvolvida pela PriceWare está a processar cerca de mil milhões de preços por dia, num universo de cinco milhões de produtos e 2000 lojas online. «Com a particularidade de que não se cansa e é um milhão de vezes mais rápida do que o ser humano. Se não tivéssemos esta ferramenta, seria necessária uma equipa de 30 pessoas, apenas em Portugal, para processar os dados manualmente», frisa, acrescentando que o produto terá escalabilidade internacional, uma vez o modelo linguístico de base está disponível em 120 idiomas. Além da comparação, a PriceWare permite fazer previsão de preços (por exemplo, antecipar como é que um concorrente se vai comportar no futuro próximo) e a expectativa é que novas aplicações venham a surgir com o tempo e a experiência. «As oportunidades surgem à medida que estas soluções vão sendo construídas. Todos este domínio está em evolução permanente. Estamos longe de saber o que vai ser possível fazer com as redes neuronais», sublinhou. Quanto à Cardiolife, é uma plataforma baseada em redes neuronais, mas com o intuito de ler os resultados de electrocardiogramas (ECG) e obter diagnósticos médicos. A tecnologia permite fazer uma interpretação automática dos electrocardiogramas, com um grau de precisão «superior a 99%» (num universo de mais de 1,2 milhões de electrocardiogramas que serviram para treinar o algoritmo). «A cardiologia é um domínio verdadeiramente complexo. O principal problema é o facto de haver cada vez mais exames de longa duração, o que significa que aquilo que já era uma sobrecarga, pela falta de médicos, passa a ser um problema maior. Há exames de longa duração que são impossíveis para um médico monitorizar», frisou o CEO da Digital Logic. «A tecnologia da Cardiolife pretende contribuir para resolver este problema, sendo que a decisão final sobre o diagnóstico é sempre do médico, mas isso vai mudar no futuro.» Neste momento, a tecnologia portuguesa está em fase de ensaios clínicos e a ser testada junto de um painel de electrofisiologistas, mas o objectivo passa por certificá-la em toda a Europa e nos EUA. «Como antecipávamos, os médicos têm estado interessados neste projecto, porque não só lhes melhora a prática, como lhes permite dedicar mais tempo aos doentes», salienta João Neto. No futuro, a plataforma deverá evoluir no sentido da prevenção de doenças a partir da leitura dos ECG - por exemplo, saber o padrão de um determinado sinal. Em jeito de conclusão, João Neto deixou no palco da 20." Conferência Marketeer um conselho para todas as empresas de software: apesar de a IA «requerer um esforço de preparação», ela é necessária e tem de ser encarada de uma forma holística para o negócio. «Para uma empresa de software, este é o único caminho. Quem não o fizer, vai ficar fora-de-jogo», rematou o keynote speaker. M