OGMA ATRASA C-130 DOIS ANOS
2023-06-30 06:00:46

Força Aérea admite eventuais penalidades depois de entregue o primeiro avião. Empresa justifica-se com pandemia A Força Aérea está limitada a gerir de forma “muito criteriosa” metade da frota de aviões Hércules C-130, desde que duas destas aeronaves de transporte estratégico estão na OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal para uma modernização dos sistemas que lhes permitam continuar a voar no céu único europeu. Quando o primeiro avião foi para as oficinas em março de 2019, fonte oficial da empresa anunciava ao “Diário de Notícias” que os quatro C-130 estariam prontos até 2020. Passados quatro anos, nenhuma das primeiras duas aeronaves foi entregue. O programa está atrasado dois anos, uma vez que, como o porta-voz da Força Aérea Portuguesa (FAP), coronel Manuel Costa, explica ao Expresso, “o prazo para a entrega contratualmente estabelecido era 2021” e “uma das aeronaves já realizou vários voos de teste”. As eventuais penalidades serão apreciadas de acordo com “a legislação aplicável”, depois da entrega do primeiro avião, tendo “em consideração a quantificação do período de atraso imputável à empresa e as concretas circunstâncias que o possam ter originado”, admite a FAP. As OGMA detidas a 65% pela brasileira Embraer e a 35% pelo Estado justificam o atraso com a pandemia e a complexidade do processo: “A calendarização foi grandemente afetada por diversas circunstâncias de força maior relacionadas com a pandemia de covid-19, designadamente no que respeita à disrupção mundial das cadeias de abastecimento aeronáuticas, que impactaram fortemente a execução dos serviços contratados, bem como limitações ao controlo de exportação, que dificultou a transferência de informação técnica para a OGMA”. Fonte oficial da empresa justifica que “estamos perante trabalhos dotados de uma especial complexidade e carácter de inovação, nunca feitos em Portugal, e que implicam o projeto e implementação de uma modificação, tecnicamente muito complexa, customizada aos requisitos da FAP”. De acordo com a OGMA, “está em elaboração um novo plano com a FAP, tendo em conta a conciliação entre as necessidades operacionais e os aspetos de segurança de voo e aeronavegabilidade”. A FAP reconhece os problemas gerados pela pandemia e diz que agora, “ultrapassada a situação, a maioria dos desafios decorre da complexidade técnica do projeto, que modifica os sistemas aviónicos críticos para voo”. Por isso, refere o coronel Manuel Costa, “apenas no decurso das campanhas de teste, quer no solo quer em voo, é possível verificar o adequado cumprimento dos requisitos do projeto”. Todas as anomalias observadas, explica, “requerem avaliação e subsequente correção, mandatória para garantir as condições de aeronavegabilidade, a segurança de voo e a certificação da modificação, num processo moroso e que requer o elevado empenho de recursos humanos”.