UNIVERSIDADE DE COIMBRA DÁ UM SALTO NA SUSTENTABILIDADE COM “BICICLETAS, AUTOCONSUMO E MENU SOCIAL”
2023-06-28 06:00:08

É a segunda vez, num curto espaço de tempo, que a Universidade de Coimbra aparece bem classificada nos rankings de sustentabilidade. Desta vez foi no Quacquarelli Symonds World University Ranking que a classificou como a melhor em Portugal e a 154ª no mundo. O reitor, em declarações ao Expresso SER, diz que em 2024 a escola será “totalmente autónoma” em energia A Universidade de Coimbra foi considerada a instituição de ensino mais sustentável em Portugal e a 154ª do mundo, no ranking mundial Quacquarelli Symonds World University Ranking 2024 (QS WUR), divulgado esta terça-feira. Esta distinção surge poucas semanas depois da revista Times Higher Education Impactter classificado a escola como a primeira em Portugal e a 29ª do mundo num ranking com 1.591 instituições do ensino superior que mais se destacam no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Em declarações aos Expresso SER, o reitor da Universidade de Coimbra diz que “é gratificante vermos reconhecido externamente, e por dois rankings de prestígio internacional, o trabalho que temos vindo a desenvolver nesta matéria, no cumprimento dos desígnios da Agenda 2030 da ONU. Contudo, os resultados obtidos nestes rankings não devem ser sobrevalorizados ou entendidos como um fim em si mesmo. Há ainda muito trabalho a fazer e temos de continuar comprometidos com o objetivo da neutralidade carbónica”. O QS WUR é um indicador que analisa cerca de 1.500 universidades em todo o mundo e as classifica em função de vários critérios, tais como a capacidade de atrair estudantes internacionais, a reputação, o número médio de citações por docente/investigador e o nível de empregabilidade dos estudantes. Este ano, pela primeira vez, foi acrescentado o critério da sustentabilidade para avaliar as universidades. Foram considerados indicadores como o impacto que os antigos alunos das instituições estão a ter na ciência e tecnologia para resolver problemas climáticos, até ao impacto que a investigação está a ter nos 17 ODS das Nações Unidas. É neste novo critério de sustentabilidade que Coimbra aparece como a 154ª na classificação mundial. Neste critério de sustentabilidade, a Universidade do Porto está na posição 167ª e a Universidade de Aveiro aparece no lugar 210. Veja aqui o ranking global de 2024. Na classificação geral do QS WUR, que avalia a qualidade das instituições de ensino superior de acordo com um total de nove indicadores, a Universidade de Coimbra subiu 87 posições comparativamente à edição do ano passado, ocupando agora o 351º lugar, num total de 1.500 universidades de todo o mundo. Acima de Coimbra neste ranking global aparecem três universidades portuguesas: a Universidade do Porto (253º), a Universidade de Lisboa (266º) e a Universidade de Aveiro (344º). A Quacquarelli Symonds, que dá o nome a este ranking, é uma empresa britânica especializada na análise de instituições de ensino superior em todo o mundo. “A Universidade de Coimbra sempre trilhou um percurso que mostra que somos uma universidade preocupada com a sociedade e os seus desafios, com grande responsabilidade social. Uma universidade de topo deve ser forte no Ensino e na Investigação, mas não pode viver fechada sobre si própria: tem de partilhar com a sociedade o conhecimento que produz e contribuir para a superação dos maiores desafios com que nos deparamos. E, quanto a desafios, não tenhamos dúvidas: a sustentabilidade e a ação climática podem ser o maior desafio das nossas vidas e as instituições de ensino superior devem ter um papel fundamental na sua superação”, afirma Amílcar Falcão. Três medidas que ajudaram a escalar o ranking O Expresso SER desafiou o reitor da Universidade a detalhar três das medidas que considera mais importantes e que ajudam a explicar o porquê de Coimbra aparecer bem posicionada nestes rankings internacionais de sustentabilidade. Amílcar Falcão começa por dizer que “a medida mais significativa estará relacionada com a eficiência energética. Esperamos ainda este ano multiplicar por seis a nossa produção atual para autoconsumo, através de painéis fotovoltaicos. E projetamos que em 2024 a Universidade de Coimbra seja totalmente autónoma do ponto de vista energético”. A outra medida tem a ver com a mobilidade sustentável na escola: “Outras iniciativas que gostaria de destacar são os projetos UCicletas (disponibilização de bicicletas) e as alterações de trânsito e estacionamento na Alta universitária, para garantir mais espaço aos peões: são medidas com grande impacto na comunidade e que muito contribuíram para o resultado destes rankings, em particular na última edição do THE Impact Rankings 2023, no indicador relativo ao ODS 11- Cidades e Comunidades Sustentáveis”. Finalmente, o reitor destaca “as ações desenvolvidas no âmbito do ODS 2 , Erradicar a Fome, que vão desde a existência de um menu social (a preço acessível) nas cantinas à promoção de campanhas de combate ao desperdício alimentar, e a existência de mecanismos de monitorização do desperdício, passando também pela participação em projetos de investigação e consórcios de desenvolvimento de soluções mais sustentáveis para a produção do sector agroalimentar”. A nível nacional, a Universidade de Coimbra destacou-se também no indicador International Students, sendo considerada a segunda melhor universidade portuguesa na captação de estudantes internacionais. Questionado se estes rankings podem funcionar como fator de atração de mais alunos, nomeadamente estrangeiros, o responsável da Universidade acredita que sim, embora ressalve que a motivação principal não é essa. “Acredito que sim, embora não o façamos para aumentar a atratividade, mas, sim, porque consideramos que é o que está certo. A sustentabilidade é, cada vez mais, uma preocupação de toda a sociedade e, principalmente, da camada mais jovem, que despertou mais cedo para a importância da mudança de comportamentos, exigindo aos seus representantes a tomada de medidas. Nós partilhamos dessa preocupação. E acreditamos que, tanto a nível nacional como internacional, podem reconhecer essa mais-valia, tanto quanto reconhecem a excelência do ensino e da investigação praticados na UC”.