UMA ESPÉCIE DE ANTOLOGIA DE PEDRO CALAPEZ
2024-07-28 16:49:03

"Fronteiras" patente na Zet Gallery em Braga tem obras produzidas nos últimos 20 anos Depois de ter exposto, na Galeria Fernando Santos, no Porto, fundamentalmente obra recente, Pedro Calapez (PT, 1953) apresenta, até 21 de setembro, na zet gallery, em Braga, cerca de 23 obras produzidas, sensivelmente, nos últimos vinte anos (2005 a 2023). "Fronteiras" é, assim, uma espécie de antologia do artista que começou por estudar Engenharia no Instituto Superior Técnico de Lisboa, enquanto exercia a atividade de fotógrafo profissional. Em 1972, decidiu frequentar os cursos de iniciação artística que a Sociedade Nacional de Belas-Artes disponibilizava livremente. Completa esta formação em 1975 e, a partir de 1976, frequenta a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, num período marcado pelo contexto pós-revolucionário que transformou também a Academia, procurando romper com vícios e os ecos de um Portugal triste e amordaçado. A partir de 1985 dedica-se, exclusivamente, à Pintura. Entre 1986 e 1998 foi professor no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), Lisboa, tendo sido responsável pelos departamentos de desenho e de pintura. Começou a participar em exposições coletivas na década de 1970 e é em 1982 que realiza a sua primeira exposição individual, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa. O seu trabalho tem sido mostrado em diversas galerias e museus, tanto em Portugal como além-fronteiras, integrando diversas coleções públicas e privadas, numa enumeração que nos daria conta das mais reputadas estruturas de programação artística em exercício. Pedro Calapez afirma-se como pintor logo na 1ª metade da década de 80 em exposições-chave como Depois do Modernismo e Arquipélago. É também neste período que a sua obra se internacionaliza. Em 1986, é premiado na V Bienal Internacional de Arte de Cerveira e participa na Bienal de Veneza e nos anos de 1987 e 1991 na Bienal de São Paulo, factos que lhe trouxeram reconhecimento público, fomentaram e alargaram a sua rede de comunicação e alavancaram a legitimação e projeção do seu trabalho. Realizou igualmente cenografias para espetáculos, assim como executou diversas obras públicas, onde se inclui a do Parque das Nações, vem visível a partir do cimo da Torre Galp. No contexto nacional, Calapez surge na chamada década do regresso à pintura , os anos 80. O seu nome, com os de Pedro Cabrita Reis, José Pedro Croft, Rui Sanches, Rosa Carvalho ou Ana Léon, integra uma geração de estudantes da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa específica e muito afirmativa, que nasceu em meados da década de 50 e se uniu numa ação comum de agitação alimentada pelas diferenças individuais. São dezenas as exposições individuais e coletivas que fazem parte do currículo de Pedro Calapez, com uma vasta carreira internacional, sem pausas, ou seja, mantendo uma produção constante e consistente, que corresponde à sua incansável vontade de criar, sobre diferentes suportes e explorando as inesgotáveis possibilidades da pintura na relação com diferentes materiais, tecnologias e em diferentes contextos. Em "Fronteiras" a seleção de obras tem a característica comum de o alumínio ser o suporte mais comum, exceção feita apenas para duas obras sobre tela e para a obra "16 Blocos", que se trata de acrílico sobre tijolo cerâmico. A exposição tem uma dimensão quase instalativa e uma perspetiva de corpo para uma parte da sua produção ao longo das últimas duas décadas, revelando-nos um artista experimentalista e um incansável disruptor de novas possibilidades para a pintura enquanto espaço e tempo de Liberdade e de construção de um pensamento sem fronteiras. Vista da exposição "Fronteiras. Helena Mendes Pereira