LÍDIA JORGE RECEBEU PRÉMIO VIDA LITERÁRIA
2023-06-25 13:43:04

Inaugurado Auditório Vítor Aguiar e Silva nas instalações da DST Prémio Vida Literária entregue a Lídia Jorge a escritora que sempre quis contar histórias A Associação Portuguesa de Escritores e a Câmara de Braga entregaram na sexta-feira no Auditório Vítor Aguiar e Silva, inaugurado para esta cerimónia, o Prémio Vida Literária Vítor Aguiar e Silva à escritora Lídia Jorge. Depois de receber a distinção, no valor de 20 mil euros, Lídia Jorge confessou-se emocionada e grata por receber este prémio que tem por patrono um amigo que, disse ser um «triunfador do pensamento», exibindo à plateia uma segunda edição “Teoria da Literatura”, que lhe serviu para estudo na Faculdade de Letras. Lídia Jorge disse que começou a escrever desde pequena para combater a solidão, recordando que quando estava na Faculdade de Letras, teve todas as dúvidas sobre esta sua vontade de escrever. Depois de defender a tese de licenciatura, em 1970, foi convidada para ser assistente na universidade, o que a deixou feliz. Mas, ao chegar a casa, decidiu que não era análise de texto o que queria fazer, mas contar histórias. «Eu sempre acreditei em contar histórias, contra o mundo literário de hoje que deixou de acreditar no contar histórias, dizendo que contar histórias é um ato primitivo. Eu digo, não. É um ato primordial», salientou. O presidente da Associação Portuguesa de Escritores realçou, sobre Lídia Jorge, que a escritora, desde a sua primeira obra, «nos vem propondo um modo muito próprio, feito simultaneamente da sensibilidade poética e do rigor hermenêutico dos filósofos, para olhar, não apenas sociologica mente a realidade que somos, mas, em cada um, o labirinto interior que o institui e que é». Para José Manuel Mendes, é uma obra, por vezes, surpreendente no modo de tocar a essência sempre melancólica do que somos. «Toda a vida de Lídia é feita de dádiva, de algumas renúncias e, sobretudo, de algo muito raro entre os escritores que é a procura do sereníssimo e impreterível lugar do bem», acrescentou. O presidente da Câmara de Braga sustentou, na sua interven-ção, que, se um prémio tem prestígio pela qualidade do júri, não é menos verdade que ele também é prestigiado pelas pessoas que distingue. «O termos um prémio a distinguir o reconhecimento, como aqui acontece, de Lídia Jorge, que, além desta dimensão de talento, desta dimensão de persistência, tem uma dimensão de empatia, universalidade pela maneira como chega a tantas gerações com as histórias que conta, obviamente que também o prémio fica muito prestigiado com este reconhecimento que lhe é feito», disse Ricardo Rio. Momentos antes da cerimónia começar, o CEO da DST Group, José Teixeira, inaugurou o novo auditório nas instalações da empresa, tendo sido atribuído o nome de Vítor Aguiar e Silva ao equipamento. «Foi o maior intelectual com quem tive a oportunidade de conviver», confessou o empresário, seguindo-se um concerto de Manoel de Oliveira. BRAGA P.07