ALTOS VOOS PARA A INDÚSTRIA AERONÁUTICA PORTUGUESA
2023-06-21 06:31:27

Reconhecida como uma área marcada pela excelência, competência técnica e capacidade de responder com sucesso aos desafios colocados por alguns dos principais programas internacionais, a indústria aeronáutica portuguesa é, por mérito próprio, um dos setores com maior peso nas exportações nacionais. Num contexto atual marcado por novos desafios colocados por um inesperado contexto geopolítico, a indústria aeronáutica pode e deve ser vista como uma oportunidade para elevar a competitividade da economia nacional. A capacidade de rasgar horizontes, de ousar ir mais além e de encontrar soluções técnicas para superar desafios sempre esteve presente em Portugal. Desde os precursores da aviação, passando pelo marco histórico conquistado há 100 anos por Gago Coutinho e Sacadura Cabral com a Travessia do Atlântico Sul, até à criação da Força Aérea Portuguesa, da TAP, passando mais recentemente pelo forte envolvimento do nosso país na conceção e desenvolvimento de novas aeronaves. Portugal sempre marcou presença em algumas das páginas mais importantes da história da aviação a nível internacional. Hoje, mais do que nunca, importa continuar a impulsionar este capital de notoriedade e de confiança e ser capaz de ser competitivo num mercado cada vez mais global. De acordo com os dados divulgados pela AED Cluster Portugal, as empresas do setor representam 1,4% do PIB e empregam cerca de 18.500 pessoas, gerando um volume de negócios anual superior a 1,7 mil milhões de euros, dos quais 87% são provenientes de exportações, com crescimentos anuais que chegaram aos 12% nos últimos 10 anos. Esta realidade demonstra que existe capacidade humana e técnica, experiência acumulada e ligação entre as universidades, centros tecnológicos e empresas que, juntas, devem procurar consolidar uma cadeia de fornecimento competitiva e flexível. Se a isso juntarmos o facto de as previsões apontarem para a necessidade em 2041 de mais de 610 mil técnicos de manutenção aeronáutica em todo o mundo, dos quais 120 mil estarão na Europa, fica claro o potencial existente para fazer crescer o “cluster” aeronáutico. A criação da Academia Aeronáutica de Portugal, da qual a OGMA é uma das entidades dinamizadoras, é um passo importante para responder às necessidades de profissionais qualificados que o mercado necessita. A Europa vive um momento histórico pelas razões menos desejáveis. O regresso da guerra ao continente europeu está a causar evidentes impactos sociais, económicos e políticos, sentidos por todos, cujo desfecho, infelizmente, não se antevê ainda para breve. O conflito na Ucrânia veio lançar o debate sobre as necessidades de reforço das capacidades de defesa e a pertinência do investimento em plataformas capazes de conduzir missões civis e militares. Nesse propósito, a indústria aeronáutica nacional tem todas as condições para participar nesse movimento, havendo capacidade instalada, conhecimento, tecnologia e, acima de tudo, vontade em unir esforços para colocar a engenharia e a tecnologia ao serviço da economia nacional. Portugal está no “radar” dos principais fabricantes aeronáuticos e tem uma localização geoestratégica favorável para captar investimentos dos “players” internacionais que têm na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) um território-chave para a consolidação das suas estratégias na área da manutenção de aeronaves civis e militares, motores e componentes, bem como no fabrico e montagem de aeroestruturas. Este é o momento certo para a indústria aeronáutica nacional fazer o “take off” rumo a um futuro ambicioso. PAULO MONGINHO CEO da OGMA - indústria Aeronáutica de Portugal, S.A.