A PRÉ-VENDA DA EFACEC
2023-06-17 07:31:30

Sinédrio A pré-venda da Efacec Carlos Guimarães Pinto D e 2021 para 2022, o volume de encomendas da Efacec caiu para cerca de metade. Isto até poderia ser esperado numa empresa que trabalhasse em sectores estagnados ou em declínio. Mas não é o caso. A . Efacec está em alguns dos sectores em maior crescimento do mundo: mobilidade eléctrica, transformadores ou automação. Outras empresas do sector têm tido crescimentos de dois dígitos nos últimos anos. A Efacec, pelo contrário, desde a nacionalização, viu as encomendas da unidade de automação caírem 67%. da unidade de transformadores caírem 73% e a unidade de mobilidade eléctrica caiu 80%. Não é surpreendente. Se a empresa já tinha problemas em 2019, desde 2020, esses problemas agravaram-se de forma acentuada. Empresas tecnológicas portuguesas que contavam com o fornecimento de transformadores e outros produtos da Efacec viram a entrega adiada até não poderem esperar mais e terem de as cancelar. Clientes que se perderam para sempre porque há relações de confiança que não se restabelecem. Do lado dos fornecedores, o mesmo problema. Muitos pequenos fornecedores à espera meses, por vezes, anos, enquanto viam o dinheiro que lá era injectado pelos contribuintes a ser usado para outros fins. Sem grande surpresa. os fornecimentos começaram a falhar porque os fornecedores de mercados em crescimento preferem fornecer a quem lhes paga, e não a quem os trata como credores de segunda. Isto alimentou ainda mais a incapacidade de cum prir as encomendas, receber o pagamento por essas encomendas e usar esse dinheiro para pagar a fornecedores. Se o dinheiro dos clientes não entrava, o dinheiro dos contribuintes não parava de fluir. Os incentivos perversos da gestão pública em todo o seu esplendor. Foi assim, com a Efacec reduzida a pouco mais de um terço da actividade passada, que foi anunciada com pompa e circunstância pelo Governo a venda da empresa a um fundo alemão. Por quanto? Não se sabe. Que injecção adicional será feita pelo comprador? Também não se sabe. Que projecto de reestruturação tem a Mutares? Não se sabe. Que unidades se manterão? Também não se sabe. Qual o papel dos credores, quanto irão abdicar de receber na expectável reestruturação? Também não se sabe. Quanto da conta deste negócio ainda recairá sobre os contribuintes, que ainda têm dívida da Efacec garantida pelo seu dinheiro? Também não se sabe. Quando questionado sobre estes detalhes, o ministro da Economia pediu "sentido de Estado" para "salvaguardar o interesse do país", afirmando que anunciar aspectos essenciais do processo de venda poderia fazer descarrilar essa mesma venda. É interessante este pedido para salvaguardar o interesse do país por parte de um governo que. na ânsia de um número de propaganda, tratou de anunciar com pompa, numa conferência de imprensa, um negócio que ainda não está assegurado, colocando-se nas mãos do comprador e de credores que sabem que, agora, têm o Governo na mão porque qualquer recuo neste negócio o deixaria numa posição politicamente frágil. Quem pagará por mais este erro? Os contribuintes, como é habitual. Deputado da Iniciativa Liberal