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ALSTOM PRESTES A GANHAR CONCURSO PARA VENDER 117 COMBOIOS À CP

Público

2023-06-14 06:32:17

Apesar de não ter o preço mais baixo, júri propõe adjudicação ao grupo francês. Stadler e CAF deverão contestar decisão Carlos Cipriano O relatório preliminar que analisou as versões Ænais dos três concorrentes ao fornecimento de 117 comboios à CP concluiu que o consórcio AlstomDST (Domingos da Silva Teixeira) reúne as melhores condições para lhe ser adjudicada aquela encomenda. A análise final, a que o PÚBLICO teve acesso, atribui uma pontuação de 83,1 à Alstom, 78,2 à Stadler e 75,3 à CAF. Esta pontuação tem como base um conjunto de factores de avaliação que atribui 21% ao preço, 28% à qualidade dos comboios regionais, 28% à qualidade dos comboios suburbanos, 8% ao prazo de garantia dos bens fornecidos e respectivos componentes e 15% àquilo que o Governo e a CP têm referido como muito importantes para a decisão Ænal: a montagem dos comboios em Portugal (com construção de uma fábrica) e a utilização de recursos humanos especiais. Curiosamente, os três concorrentes Æcam empatados neste último requisito, pois o júri atribuiu a todos a pontuação máxima, bem como no que diz respeito ao prazo de garantia dos bens fornecidos e respectivos componentes. De acordo com o Eco, a multinacional francesa propõe-se construir uma fábrica em Matosinhos e uma oÆcina em Guifões, criando 300 postos de trabalho directos, caso ganhe o concurso. Por sua vez, a Stadler fez uma parceria com a Salvador Caetano para fazer uma fábrica de comboios em Alstom prestes a ganhar concurso para vender 117 comboios à CP Ovar. Já a CAF nunca foi muito clara na sua comunicação, mas, a julgar pela validação do júri, terá feito uma proposta idêntica que a levou a ser pontuada da mesma maneira que os seus concorrentes. O que diferencia a Alstom são as ponderações atribuídas ao preço e condições de pagamento e a uma complexa panóplia de itens técnicos onde a multinacional francesa sai sempre mais bem pontuada, seguida de perto pela Stadler e pela CAF. O relatório não refere os preços propostos pelos concorrentes (o concurso está avaliado em 819 milhões de euros), mas o PÚBLICO apurou que o preço mais baixo é o da CAF, seguido do da Alstom e depois do da Stadler. Tanto os espanhóis da CAF como os suíços da Stadler deverão contestar o concurso, por discordarem das ponderações do júri e por terem identiÆcado alegados erros na proposta da Alstom. Os 117 comboios têm diferentes tipologias: 62 automotoras destinamse ao serviço suburbano e 55 destinam-se a reforçar o serviço regional. Naquele que é o maior concurso de compra de material circulante da história da CP, apresentaram-se também os chineses da CRRC, os japoneses da Hitachi e um consórcio germano-espanhol formado pela Siemens e Talgo. Todos Æcaram pelo caminho, tendo o júri optado pela sua exclusão, por incumprimento do caderno de encargos. Depois disso, os três Ænalistas passaram à fase de negociação, tendo a CP optado por não fazer uma seriação prévia das suas propostas, na expectativa de que estes baixassem preços e melhorassem condições. O resultado foi agora este, com o consórcio Alstom-DST bem posicionado para ganhar o concurso. Avaliado em 819 milhões, o concurso é o maior de sempre da CP MIGUEL MANSO