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CONTRA-OFENSIVA UCRANIANA AVANÇA MAS COM NOVA TRAGÉDIA EM CURSO

NOVO

2023-06-10 06:31:58

ti , ºy fp td desenvolvimento e os ano is avisam que demorará semanas ou meses, com o risco de tiãO vermos alterações relevantes nas, posições consolidadas durante o Outono e Inverno. Acresce que também se desenrola um drama ambiental humanitário criado pelo colapso parcial da Barragem de Kakhovka, pelo qual os beligerantes recusam ser responsáveis, mas que afectará o decurso da guerra. A prazo, será determinante o acesso a recursos para continuar o esforço de guerra TEXTO Ricardo Santos Ferreira II ,?" tão falada contra-ofensiva das forças ucranianas contra posições russas terá já começado. segundo indicações de operacionais ucranianos e russos e de acordo com a avaliação feita pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), que tem acompanhado o conflito no leste europeu desde o seu início - isto, mesmo depois do colapso parcial da Barragem de Kakhovka, que alterou de forma significativa o teatro de operações ao longo do troço final do rio Dniepre. tomando a movimentação mais difícil, ainda mais quando os dois lados do conflito têm consolidado posições nos últimos meses. A actividade em toda a Ucrânia é consistente com uma variedade de indicadores de que as operações de contra-ofensiva ucraniana estão em andamento no teatro de operações", assinalou o think tank norte-americano na rede social Twitter, esta quinta-feira, 8 de Junho. No início da semana, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou que repeliu uma "ofensiva de larga escala" ucraniana ao longo da frente sudoeste do oblast de Donetsk. que fica no leste do país. enquanto o Ministério da Defesa da Ucrânia apontava que as forças ucranianas estavam a passar "para acções ofensivas" em algumas áreas não especificadas da frente de combate. A comunicação internacional reportou movimentações de tropas e a intensificação do uso de artilharia. Depois, na noite de terça-feira. 6 de Junho, o que se pensa ter sido uma explosão causou o colapso parcial da barragem da central hidroeléctrica de Kakhovka. provocando a inundação de terrenos, cidades e aldeias, numa área superior a 600 quilómetros quadrados. em ambas as margens do rio Dniepre. controladas por ucranianos e por russos. incluindo partes da capital regional. Kherson. e deixou a população sem acesso a electricidade ou água potável. podendo colocar em risco a central nuclear de Zaporijia. a maior da Europa. Segundo a Organização das Nações Unidas. cerca de 700 mil pessoas foram afectadas. O Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, visitou a região afectada e pediu ajuda urgente, criticando o atraso na resposta por parte de entidades internacionais. s » v), ri -- Tanto Kiev como Mos covo negam a responsabilidade na explosão que levou ao colapso parcial da barragem, localizada numa zona controlada por forças russas. Certo é que os analistas consideram que o incidente beneficia mais as forças russas do que as ucranianas. que vêem dificultada a capacidade de avançar no terreno, no quadro da contra-ofensiva militar. "Uma das estratégias poderosas da guerra é justamente a interrupção do fornecimento de energia ou o comprometimento de infra-estruturas críticas, incluindo no que diz respeito à questão " logística", diz ao NOVO Sabrina Evangelista Medeiros. professora da Universidade Lusófona e líder de investigação no InterAgency lnstitute. "Embora não se tenha clara a autoria, sabemos que as áreas ocupadas pelos russos estão externamente afectadas e que o deslocamento dessas populações faz com que a própria ocupação da área não tenha o mesmo valor, no sentido de que as ocupações seriam funcionais, e isso é um elemento importante". aponta, acrescentando que, "embora oobjectivo máximo seja uma ocupação de longo prazo. pode haver um dano que impossibilite a ane- Tiago André Lopes Professor de Diplomacia da Universidade Portucalense Sabrina Medeiros Professora da Universidade Lusófona SPUTNIK/ REU TERS Volodimir Zelenski e Vladimir Putin. A Ucrânia iniciou a contra-ofensiva contra o invasor russo xação no que diz respeito à funcionalidade desses territórios, de modo que o objectivo deixa de ser a anexação e passa a ser a sua destruição objectiva", neste caso, dificultando uma contra-ofensiva. Mas o ISW também nota que as imagens captadas na região mostram que "as inundações estão a prejudicar fortemente as posições defensivas preparadas pela Rússia na margem esquerda do rio Dniepre". Com estas novas dificuldades e depois de meses de consolidação de posições, nomeadamente nas fronteiras do Donbass e, depois, ao longo do Dniepre, há a possibilidade de uma intensificação do conflito sem ganhos relevantes de parte a parte. "Na guerra, como na diplomacia, o impossível, hoje, torna-se possível amanhã, mas acho um cenário provável termos um período de Junho a Setembro muito intenso e violento, que resulte apenas em ganhos territoriais pont ais de parte a parte", diz ao NOVO Tiago André Lopes, professor de Diplo macia da Universidade Portucalense. A Rússia tem mais interesse na faixa sudeste, centro-este, e a Ucrânia poderá, por isso, tentar cortar as linhas mais a norte, na rota para Kiev, mas. materialmente, temo que aconteça na Ucrânia o que vimos acontecer na Síria, no lémen e na Líbia: posições entrincheiradas e ganhos ou perdas pouco significativos", acrescenta Esforços mais Intensos Independentemente do colapso parcial da Barragem de Kakhovka, a expectativa é que a contra-ofensiva ucraniana prossiga e que assistamos a uma intensificação dos combates, consumindo mais recursos de ambos os lados. Nestes dias, observadores registam que Kiev já empenhou em combate veículos militares de transportes e carros de combate fornecidos pelos países ocidentais, nomeadamente os germânicos Leopard II. Com o aumento da intensidade dos combates e conhecidas as limitações no acesso a veículos e munições, por impreparação das linhas de produção, coloca-se a questão de como se vai manter o esforço de guerra. "Se olharmos para isto ao nível dos Estados que estão em contenda, nem a Rússia nem a Ucrânia têm capacidade logística para alimentar uma contra-ofensiva que tem uma frente de operações com mais de 900 quilómetros, diz Tiago André Lopes. Assinala que "Kiev terá capacidade material enquanto os aliados forem capazes de suprir as necessidades da Ucrânia sem colocar em causa a reposição mínima de stocks de defesa", ao passo que "a Rússia terá capacidade de suprir as suas necessidades logísticas enquanto a rede clientelas que desenvolveu for capaz de dar vazão aos pedidos e encomendas feitos". "O que poderá, contudo, obrigar a um abrandamento das operações será a escassez de recursos primários, como metais raros e produtos ferrosos, necessários à produção de armamento", diz. "Com uma guerra de atrito típica. é possível que ambas as posições se modifiquem substancialmente nestes próximos meses, porque está em jogo a ideia de que os suprimentos dos países do Ocidente possam criar condições de melhoria substancial para a capacidade de defesa. ao mesmo tempo que a capacidade ofensiva russa está em pleno esgotamento", acrescenta Sabrina Medeiros. apontando. no entanto, que. "por outro lado. sabe-se que o suporte do Ocidente pode ser limitado no tempo e, nesse caso, há aqui uma possibilidade de congelamento do conflito, mesmo que transitório. que pode é vir a calhar no sentido de também não elevar o grau da guerra". Regista-se, nestes dias, que o Parlamento suíço rejeitou um projecto de apoio à Ucrânia no valor de 5.1 mil milhões de euros nos próximos dez anos, uma decisão que surge uma semana antes de o Presidente ucraniano discursar por videoconferéncia para os deputados helvéticos. Há Estados europeus que tiveram ou vão ter eleições em breve e. nos Estados Unidos da América, o processo que vai conduzir às presidenciais de 2024 está já em andamento, o que pode condicionar tudo. Além disso, a Ucrânia criticou o tom menos decidido das autoridades ocidentais em condenarem o que aconteceu com a Barragem de Kakhovka. "Sabemos que. sem a frente ocidental, os ucranianos têm menores chances de manter a guerra de atrito, de longo prazo", assinala Medeiros. e