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ESPANHA AVANÇA PARA LEGISLATIVAS COM DIREITA A ESPREITAR O PODER

NOVO

2023-06-03 07:01:53

ESPANHA AVANÇA PARA LEGISLATIVA COM DIREITA A ESPREITA - PODE Na ressaca da vitória do PP e da confirmação de uma onda de direita nas eleições regionais e municipais - domina 14 das 17 regiões e a maioria das capitais de província -. o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. surpreendeu ao antecipar! as legislativas para 23 de Julho. evitando mais seis meses de desgaste e pressionando parceiros e adversários a negociarem rapidamente e a posicionarem-se. Nada é certo e ao ascendente da direita pode opor-se um bloco de esquerda. com a possibilidade de não se conseguir uma solução de governo 1 . . ),ffi le o rW Partido Socialista Operário Espanhol r. 2 :51.t YL (PSOE), no governo, perdeu claramente as eleições regionais e municipais de 28 de Maio em Espanha, contabilizando menos votos, menos regiões autónomas e menos mandatos autárquicos do que o Partido Popular (PP). segunda força política nó Parlamento e, agora, depois desta vitória, a maior força regional e autárquica no país. Das 17 regiões autónomas espanholas, 12 foram a votos no passado fim-de-semana e, depois destas eleições, o PSOE. que em tt 2019 governava em nove regiões e controlava 25 capitais de província, ficou reduzido a três governos regionais e 14 cidades. Das cidades mais populosas de Espanha os socialistas controlam apenas uma, tas Palmas; nas Canadas, enquanto o PP contida sete. Os populares foram os mais votados em 30 capitais de província Pg, -4. - e também em Ceuta e Melilla -, mas precisam do Vox, da extrema-direita, em 16 das cidades para formar governo. "A derrota do PSOE era previsível [porque] eleições a meio do mandato tendem sempre a penalizar o partido no poder, ainda mais tendo o PSOE nacionalizado as eleições como uma espécie de referendo à acção do Governo. diz ao NOVO Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais na Universidade Portucalense. "A vitória do ttF PP, idem, tendo em conta a sua renovada energia e a recomposição das direitas. com o colapso do Ciudadanos, acrescenta. tifi Zii ter, As eleições de 28 de Maio mostram o processo de desaparecimento do Ciudadanos, que não logrou conquistar mais de 3% dos votos em nenhuma das regiões, deixando de estar representado a nível regional. Os resultados foram sobretudo maus para as forças políticas à esquerda do PSOE, em que quer. a fragmentação das esquerdas, quer a relativa falta de influência sobre o governo - e. portanto, de uma governaVencedor das eleições. além, obviamente, do PP, o Vox que solidificou o seu estatuto como terceiro maior partido apesar de uni crescimento menos exuberante do que, a certa altura. se podia perspectivar, diz ao NOVO Paulo Sande, professor da Universidade Católica Portuguesa. Surpresa das legislativas Em resposta a esta denota. o primeiro-ministro espanhol, Pedro. _, Sánchez, decidiu antecipar para 23 de Julho as legislativas que deveriam realizar-se até ao final do ano. A decisão de convocar eleições já não deixa de ser surpreendente, tanto mais que até os próprios ministros e aliados de Sánchez pareceram ter sido apanhados de surpresa", diz ao NOVO Jorge Botelho Moniz, director de Estudos Europeus na Universidade Lusófona, explicando- como rationale o evitar mais seis meses de desgaste do Governo e pressionar potenciais parceiros à esquerda. ao mesmo tempo que procura pressionar a direita. "Quer aproveitar o facto de o PP ter ganhado a maioria das cidades espanholas sem maioria absoluta e de necessitar, provavelmente, de alianças com o Vox para governar, ou seja, tentará colar o mais possível o PP à,,, extrema-direita e usar a narrativa de que essas alianças poderão estender-se ao nível nacional através de uma coligação governamental", aponta. Ponte e Sousa concorda: Procura criar instabilidade nos adver21 sários e pressionar diferentes eleitorados e aliados. Pressionar o eleitorado à esquerda no sentido do voto útil - e os partidos de esquerda para um pacto esquerdas-PSOE - e salientar que o PP só será poder incluindo a extrema-direita. Portanto. apresentar-se como o único candidato capaz de produzir estabilidade e credibilidade." Esquerda e direita As eleições legislativas não são o mesmo que as regionais e municipais, não só pelas especificidades destas, mas também porque há diferentes actores e rela-, ções de força em perspectiva para Julho. Desde logo, é necessário contar com o Sumar, a plataforma criada por Yolanda Diaz, segunda vice-presidente do ção do PSOE pouco à esquerda - produziram uma redução do apoio nas umas". continua Ponte e Sousa. Assim, também o Podemos está do lado dos derrotados - assim como a Esquerda Unida, os dois aliados da coligação governamental .com o PSOE - perdendo votos em todas as regiões - e mais de 10% -, com excepção da Gantabria, tendo contribuído para a perda da maioria da esquerda em cinco regiões. Face às eleições de 2019. o PP obteve mais 1,9 milhões de votos, para 7,05 milhões, sendo o partido mais votado, com mais 2,6 milhões de votos do que o PSOE, que perdeu 1,55 milhões. Em percentagern. o partido liderado por Alberto Núfiez Feijóo subiu 8,92 pontos, para 31,54%, superando o partido de Pedro Sánchez por 3,4 pontos. No período em análise, o Vox subiu 3,62 pontos percentuais, para 7,19%, e torna-se um elemento incontornável do quadro político à direita. "Saliento que Vox parece ter já iniciado o tradicional percurso dos radicais perante o poder e a realidade do seu exercício: institucionalizar-se, o que também costuma ser o princípio do fim da sua ascensão, ao perderem a natureza anti-institucional e antipoder que os caracterizam no início do processo. Mas veremos", diz Paulo Sande SUMAR/TWITTER "Sanchéz quer aproveitar o facto de o PP ter ganho a maioria das cidades espanholas sem maioria e de necessitar de alianças com o Vox para governari diz Jorge Botelho Moniz. governo espanhol. mili tante do PCE e antiga coordenadora nacional da Esquerda Unida. que não participou nestas eleições mas que. esta semana, se constituiu como partido para participar nas legislativas. Nas sondagens publicadas em Maio surge com cerca de X10% das intenções de voto, afir-mando-se como a quarta força política e empurrando o movimento de Ione Bela rra para o quinto lugar, com cerca de 6% das intenções de voto. No entanto. a corrida. nos próximos dias. será pela união das esquerdas. pela formalização de um acordo que permita uma coligação com a perspectiva de rivalizar com o Vox pelo lugar de terceira força política. "É importante recordar que o modelo de alternância biparticlária, entre PSOE e PP. dominou a política espanhola até há praticamente dez anos, período no qual vários novos parti40 -,os e movimentos foram criados e desafiaram esse domínio. diz Paulo Sande. "Foi o caso do Podemos. seguindo-se o Ciudadanos e vários outros partidos e movimentos como, à direio Vox. incluindo, já no último ano. o novo Sumar, agregação de tendências à esquerda do PSOE", acrescenta. A média das sondagens publicadas em Maio aponta para que tC 5 " o PP seja o partido mais votado. conquistando 31,48%. o que lhe permitiria eleger 138 deputados. enquanto o partido de Santiago Abascal seria a terceira força política, com 13,77°/o dos votos e 47 mandatos. Juntos formariam um bloco com 185 deputados, mais nove do que os necessários para a maioria absoluta. "A mensagem dada pelos eleitores espanhóis [nas eleições regionais e autárquicas] foi clara: a governação à esquerda não os convenceu. Resta ainda saber se foi sobretudo a impopularidade do presidente do Conselho espanhol, se a fraqueza dos seus aliados Unidos Podemos, se as políticas públicas a desiludirem o eleitorado. Em termos gerais, contudo. a vontade de mudança ficou bem expressa nas urnas", considera Sande. "O que é certo é que. no rescaldo dos resultados de 28 de Maio, Sánchez surpreendeu e fez aquilo que ninguém esperava que fizesse: recupera a iniciativa politica. acrescenta. Mesmo se o PP, e o bloco de direita. parece levar vantagem. nada está decidido. e, como pano de fundo, temos Espanhaa ocupar a presidência do Conselho da União Europeia no segundo semestre do ano, o que constitui um risco. especialmente no quadro de um processo de negociação de uma solução de governo.