pressmedia logo

ISABEL FURTADO: SEM CONFIANÇA NÃO HÁ RUMO NEM LIDERANÇA

Dinheiro Vivo Online

2023-06-02 11:07:05

A afirmação é da empresária que já passou pela QSP Summit como oradora e não perde a edição deste ano, por considerar que o tema não pode ser mais atual, uma vez que, no seu entender, um líder tem que saber com que linhas que se cose. Isabel Furtado. © Gerardo Santos / Global Imagens Comentar Isabel Furtado desde cedo conhece o mundo empresarial, ingressou no TMG Group, depois de estudar no Canadá e se licenciar em Economia pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, hoje é membro do conselho de administração CEO da TMG Automotive. Num momento em que está a braços com um novo investimento de 52 milhões e meio, direcionado para o fornecimento de tecidos a uma grande construtora automóvel, que prevê mais 150 novos empregos, a aquisição de equipamentos e a requalificação de edifícios do complexo industrial de Famalicão, fala da importância de debater o tema da liderança, considerando que o maior atributo de um bom líder é ser capaz de atrair e reter talento, porque considera que em Portugal existe um problema grave de escassez de talento. Por isso, diz que as empresas têm que saber aproveitar as pessoas que têm e tirar o melhor partido de cada uma por um objetivo comum, daí a pertinência para qualquer organização falar neste momento de liderança. Para Isabel Furtado, não se pode pensar sequer em ter uma empresa, se não existir liderança, o que a juntar ao talento, torna o tema mais atual - " é preciso não só ensinar liderança, nas áreas do saber, da responsabilização, da modéstia e do exemplo" - adianta ainda que num evento que é o maior em Portugal na área da gestão, como é o QSP Summit, "se vamos debater a liderança, é extremamente importante que as pessoas olhem para o que queremos fazer e qual a nossa ambição para Portugal e para isso precisamos de bons líderes." Isabel Furtado foi antecessora de António Rios Amorim à frente da direção da COTEC Portugal e também vice-presidente da ATP - Associação Têxtil Portuguesa. Questionada sobre a liderança no feminino, confessa que nunca sentiu nenhuma dificuldade acrescida por ser mulher. Acrescenta que o facto de ser mulher, por vezes, até ajuda, porque considera que as mulheres têm um pouco o dom de ser multitask - "Porque conseguem ver, de uma forma até quase mais natural, a parte humana e a parte mais social das pessoas que estão à sua volta." Por isso, pensa que até é uma vantagem, ser uma mulher líder, ou uma mulher gestora, porque se tem a perceção que não é só a parte profissional, mas também a parte familiar e a parte social, que conta muito na retenção do talento e na evolução de uma empresa. Já perante a situação do país, há uma palavra que Isabel Furtado considera ser muito importante nos tempos que correm: confiança. Para a empresária, se não tivermos confiança em quem nos lidera, não sabemos por onde ir - " Isto é quase como ir numa estrada com marcas, ou sem marcas. Nós sentimo-nos muito mais seguros quando vamos numa estrada marcada. Temos confiança no rumo que vamos tomar. Portanto, para os nossos governantes, o mais importante que podemos ter para o rumo do país, é confiança." A empresária, que recebeu do Presidente da República a Ordem de Mérito Industrial em 2014, questionada sobre o atual quadro de guerra na Europa, considera que os lideres mundiais deveriam estar atentos a muitos temas que não concorrem, mas que se complementam, como, por exemplo, "o tema da responsabilidade social, a própria responsabilidade como entidade europeia e a responsabilidade de não enveredar por uma cultura oca que está muito na moda e não sabemos onde nos leva, nem temos ainda estudos suficientes que nos digam que estamos a ir pelo caminho correto, já para não falar da transição energética e digital que essa há muito que está em curso." Isabel Furtado é ainda membro do Conselho de Curadores da Universidade do Minho, bem como da direção do CEIIA, além da experiência da vida associativa na Associação Portuguesa de Empresas Familiares (que representam mais de 70% do tecido empresarial português e contribuem para a economia nacional com 50% do emprego e 65% do PIB) e, talvez por isso, considere que qualquer líder europeu tem agora um grande bouquet de desafios para resolver. A empresária adianta que "pelo menos, mais do que resolver, cada um tem que tentar encontrar uma estratégia a longo prazo. Não pode ser uma estratégia de governo, tem que ser uma estratégia de vários governos consecutivos. Não pode ser para os próximos quatro anos. Tem que ser "a la long", porque tem que se pensar o que se quer estrategicamente para a próxima geração. Pensar, estilo empresa familiar, que está aqui para a próxima geração. É assim que todos devíamos pensar."