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O SUCESSO DA PRIO NOS SEUS ANOS DE VIDA DEVE-SE À SUA RELAÇÃO COM O PORTO DE AVEIRO - ENTREVISTA

Diário de Aveiro

2023-05-27 06:30:08

Diário de Aveiro: A PRIO tem sido classificada como a mai or empresa do distrito de Aveiro no que diz respeito ao volume de negócios. Qual o significado deste estatuto? Luís Nunes: Ser reconhecido como a maior empresa do distrito de Aveiro em termos de volume de negócios é algo que muito nos orgulha, porque significa que a PRIO continua a crescer, sendo hoje uma empre sa de escala nacional, sem esquecer a sua origem em Aveiro. Acresce que isso é também um sinal de que estamos a contribuir para o desenvolvimento económico local, a criar empre go e desenvolver parcerias com empresas e entidades locais. No entanto, é importante destacar que o sucesso financeiro não é o único critério pelo qual avaliamos o nosso desempenho. Continuamos comprometidos em fornecer produtos e serviços de alta qualidade, inovar e trabalhar de forma ética e sustentável e procurando dar resposta com soluções inovadoras para a transição energética. Por fim, esperamos continuar a cres cer e a servir a comunidade de Avei ro com excelência. Mas o mundo passou por uma pandemia e agora por uma guerra na Europa, com enormes efeitos económicos. Que impactos é que essas situações tiveram e têm na atividade da empresa? A PRIO ajustou-se, como todas as empresas que atravessaram por esse período atípico. É verdade que ninguém foi imune aos efeitos da pandemia e que ninguém é imune aos efeitos que resultam da guerra. Mas na PRIO temos a sorte de ser uma empresa mais flexível e adaptável, e colocámos essas carate rísticas ao serviço da procura de soluções. Atualmente, consideramos que estamos relativamente adaptados aos efeitos mais imediatos da crise pelas medidas que adotámos: tivemos de readaptar a nossa estrutura de fornecimen to, de aumentar o capital empregue no negócio, de mudar a forma de gerir “stocks”, entre muitas outras medidas que fomos tomando. Esperamos conseguir tomar as medidas adequadas para fazer face à inflação e poder ajudar os portugueses e as empresas nacionais a não sofrerem tanto com os aumentos dos preços da energia. Com estes eventos, a nossa preocupação continua e é reforçada para encontrar soluções criativas para o chama do trilema da energia: sustentabilidade energética, segurança energética e acesso justo à energia. Como olha para a ação do Governo na resposta à atual crise económica? Como empresa, preocupa-nos o ambiente económico em que operamos e acreditamos que a ação do Governo é fundamental para a estabilidade e o crescimento da economia. A atual crise económica tem sido um desafio para muitas empresas, incluindo a PRIO, mas entendemos que têm sido tomadas medidas importantes para mitigar os impactos da crise e apoiar as empresas e trabalhadores afetados. Naturalmente, há ainda espaço para melhorias que permitam ajudar as empresas na sua capacidade de inovar e crescer. Para isso, é fundamental que o Governo trabalhe em estreita colaboração com as empresas, para desenvolver políticas que apoiem a transição para uma economia mais sustentável e resiliente. Estamos comprometidos em fazer a nossa parte para superar a crise e ajudar a impulsionar a economia. Continuaremos a investir em inovação, a melhorar os nossos produtos e a gerar empregos de qualidade. Vamos também continuar a apostar na transição energética e produ tos ino va dores, permitindo gerar conhecimento e cres ci mento em setores inovadores em Portugal. Quais as expectativas da PRIO para 2023? Estamos entusiasmados com as perspetivas para este ano e temos boas expetativas pa ra o futuro. Prevemos continuar a crescer e a expandir as nossas operações em Portugal e noutros mercados internacionais, mantendo sempre o nosso foco nas novas tecnologias e iniciativas de e nergia renovável, na mobilidade elétrica, bem como em projetos de economia circular e redução de emissões de carbono, con tribuin do assim para uma transição pa ra uma economia mais sustentável e crian do valor pa ra nossos clientes, colaboradores e acionistas. Em termos concretos, vamos continuar a reforçar a presença no retalho em Portugal, com mais pon tos de ven da, aumentar capacidade industrial e dar o nosso contributo na tran sição energética no setor marítimo. «O sucesso da PRIO nos seus anos de vida deve-se à sua relação com o Porto de Aveiro» Entrevista Luís Nunes, chefe de operações da PRIO Supply, revela que, em 2023, a empresa vai lançar um novo produto para o retalho, que acredita «ser inovador» e no qual há grandes expetativas a médio prazo Quais as grandes apostas de futuro? A PRIO pretende continuar a investir em tecnologias e soluções de energia renovável, co mo a produção de biocombustíveis avançados e o uso de hidrogénio verde. Por outro lado, estamos comprometidos em criar uma economia circular mais sustentável, onde os recursos são usados de forma mais eficiente e os resíduos minimizados. Em 2023, vamos lançar um novo produto para o retalho, que acreditamos que vai ser inovador e no qual temos grandes expetativas a médio prazo. Como têm evoluído as exportações e quais os objetivos para os próximos anos? O nosso mercado de exportação é, sobretudo, em dois segmentos: biocombustível avançado e combustível marítimo. Em ambos temos grandes expetativas de crescimento. No caso de Bios, a nossa aposta tem sido em diferenciação pelo tipo de matérias-primas e processo usado. Com uma Europa cada vez mais focada na transição energética, pensamos estar em boa posi ção para competir por ganhos em quota de merca do. No segmento marítimo, com o nosso produto de bandeira, “ECO Bunkers”, já chegamos a alguns “players” de gran de relevo internacional, e sendo um mercado ain da em fase iniciais de transição energéti ca, acreditamos que te rá um crescimento muito gran de nos próximos anos. A PRIO tem instalações no Porto de A veiro. Qual a relação com a estrutura portuária e que novos investimentos se podem esperar da vossa empresa? A relação com o Porto de Aveiro é de muita proximidade e cooperação. O sucesso da PRIO nos seus anos de vida deve-se à sua relação com o Porto de Aveiro. Fizemos investimentos de expansão em Aveiro nos últimos anos e, este ano, devemos começar um projeto de transformação das nossas instalações em verdadeiras fábricas de combustíveis verdes - transformação quer em termos de equipamentos físicos quer em sistemas de informação. Temos dois outros projetos em “pipeline” para Aveiro que, neste momento, não podemos ainda tornar público. A companhia tem uma forte atividade na mobilidade elétrica. Como perspetiva o futuro desse setor? A PRIO, desde a sua criação, que se posicionou como uma empresa de energias para a mo bilidade do futuro, apostan do na mobilidade elétrica e em combustíveis sustentáveis que sejam promotores de uma verdadeira transição energética. Foi uma das primeiras empresas em Portugal a investir na mobilidade elétrica e é um dos principais comercializadores de eletricidade para a mobilidade. A nossa aposta é firme neste setor, sabendo nós que vai ser uma das soluções para ultrapassarmos o problema da transição energética. É a maior produtora de biocombustíveis em Portugal e a terceira maior produtora europeia de biodiesel a partir de matérias-primas residuais, transformando óleos alimentares u sa dos em diversos combustíveis quer para automóveis, quer para navios, com diferentes níveis de incorporação de biocombustíveis, que reduzem consideravelmente as emissões de dióxido de carbono (CO2). Começaram também a dar os primeiros passos no hidrogénio verde... Sim. Estamos a estudar dois investimentos que poderão ajudar na descarbonização económica. Esta é uma nova fonte de energia extremamente sustentável e cujo potencial de utiliza ção em aplicações na mobilida de e na indústria poderá ser e nor me. O futuro da mobilidade está nas várias tecnologias que podemos usar. Desde biodiesel, que tem níveis de emissão de CO2 muitíssimo mais baixos que o diesel normal, passando pela possibilidade das novas tecnologias de hidrogénio, até ao elétrico. A PRIO sempre foi, e quer continuar a ser, uma empresa de energias para a mobilidade do futuro. Claro que o futuro vai ser mais verde, mais eficiente, mais tecnológico e a PRIO estará sempre na diantei ra do pelotão no que toca a explorar novas soluções. A eletrificação poderá demorar mais ou menos, mas ainda terá o seu caminho e o seu tempo, é transversal aos mercados euro peus. O parque automóvel vendido atualmente ainda é 95 por cen to composto por motores de com bustão. Mesmo com o a pro ximar de 50 por cento dos veículos vendidos em “phev” e “bev”, demorará a chegar a 10 por cento do parque automóvel. E o que se pode esperar da PRIO nessa área? Têm sido diferentes as soluções inovadoras que a PRIO tem vin do a trabalhar, como, por exemplo, a substituição dos com bustíveis fósseis por limpos, os biocombustíveis, como o biodiesel de resíduos. Atualmente, são produzidas cerca de 90 mil toneladas de biocombustível por ano na fábrica de biocombustíveis da PRIO em Aveiro. Os biocombustíveis a van çados a partir de resíduos emitem menos 84 por cento de CO2. São, hoje, a solução de descarbonização mais imedia ta, mais radical e mais eficiente de transição energética. Assumem também cada vez mais relevância o CCS (“Carbon Capture and Storage”), o HVO (“Hydrotreated Vegetable Oil”), o bioetanol que ajuda a economi a circular ao obter o biocombustível a partir de biomassas residuais, e o próprio hidrogéni o verde. Que papel terão os combustíveis tradicionais e o biocombustível num futuro ca da vez mais elétrico? O nosso desafio é tremendo. Neutralidade carbónica está ao virar da esquina. Todas as te c nologias são necessárias. Quan do o principal combustível ainda é de origem fóssil, é extemporâneo comparar o biocombustível com o elétrico. Am bos fazem parte da solução; são aliados e não inimigos. No imediato, curto e médio prazo, é necessário substituir os combustíveis fósseis na frota atual. Isso só é possível com os biocombustíveis. No médio e lon go prazo, teremos a eletrificação dos carros ligeiros, mas continua a haver os camiões, os navios e os aviões. Estamos a comparar os biocombustíveis face ao elétrico é estarmos a não olhar para o desafio que te mos. O caminho que temos percorrido dá-nos a segurança de nos mantermos fiéis à nossa missão, de ser uma empresa de energias do futuro para a mobilidade, com a certeza de sermos, hoje, um “player” de referência na mobilidade elétrica com uma vasta rede já instala da em postos próprios em Portugal. Na bioenergia, para o segmento dos transportes, além de diversos projetos de investigação em novas frentes de produção de biocombustíveis a vançados sustentáveis, desenvolvemos o “PRIO ECO Diesel”, um substitu to direto do gasóleo, certificado pela Autoridade Tributária co mo elegível para Gasóleo Profissional. Este combustível é compatível com a maior parte dos veículos no mercado e, só em 2020, permitiu aos portugueses percorrerem 10 milhões de quilómetros de uma forma mais “verde” e mais eficiente, uma vez que os testes mostraram que emite menos 18 por cento de CO2 e tem reduções de consumo na ordem dos cinco por cento, num trajeto misto. Nesse seguimento, desenvolveram a “PRIO Zero Diesel”. Sim. É um combustível líquido 100 por cento sustentável, que permite reduções de emissões de gases de efeito de estufa na ordem dos 84 por cento. As vantagens deste produto ficaram comprovadas no projeto piloto em parceria com a Carris: consumos mais baixos do que os previstos e sem complicações de manutenção. Isto são ótimos resultados para nós, mas, acima de tudo, para o ambiente e para o país. Na PRIO, a creditamos que os biocombustíveis avançados são muito relevantes para o presente por possibilitarem uma transição energética mais rápida, mais justa e mais eficiente, uma vez que não dependem da aquisição de novos veículos, de substituição de frotas, ou de construção de infraestruturas, que exigem tempo. Acreditamos que todas as soluções têm um papel, por isso apostamos também noutras fontes de energia. Na mobilidade elétrica, a PRIO conta já com 12 anos de experiência acumulada. Comercializamos eletricidade verde, ou seja, energia com origem apenas em fontes renováveis, sem qualquer custo acrescido para os clientes. Numa era de transição energética, como perspetiva os próximos cinco ou dez anos? Apesar de todas estas soluções que temos vindo a desenvolver, estamos conscientes de que ainda há muito trabalho a fazer em prol do planeta e do ambiente, por isso temos desenvolvido inúmeros projetos de investigação que têm por base a procura de novas soluções tecnológicas para melhor contribuir para os desafios da transição energética. Também acreditamos que os próximos cinco a dez anos podem ser os mais decisivos. No mercado de energia para a mobilidade, os próximos anos devem-nos trazer enormes mudanças, e devemos estar de espírito aberto à competição das diferentes soluções. Nem todas as soluções vão funcionar, mas temos de garantir que conseguimos atingir o objetivo de redução de forma séria e consolidada das emissões que todos nós fazemos ao nos deslocarmos. triangle45left O nosso mercado de exportação é em dois segmentos: biocombustível avançado e combustível marítimo Na mobilidade elétrica a PRIO conta já com 12 anos de experiência acumulada. Comercializamos eletricidade verde