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ESTADO JÁ GASTOU EUR250 MILHÕES COM EFACEC

Expresso

2023-05-26 06:02:13

INDÚSTRIA Estado já gastou EUR250 milhões com Efacec Bancos e obrigacionistas são chamados à solução da privatização e vão ter de perdoar dívida Anabela Campos e Isabel Vicente A cada mês que passa sem que a Efacec seja privatizada aumenta a fatura do Estado. Desde meados de 2020, data da nacionalização, os apoios do Estado à Efacec, entre injeção de capital e garantias públicas, ascende pelo menos a EUR250 milhões. Se a venda avançar como o previsto haverá um perdão de dívida por parte dos principais bancos credores em cima da mesa está um corte de pelo menos 50%. E os obrigacionistas serão chamados à solução. Vamos por partes. Os apoios à Efacec passam por injeções diretas na tesouraria pela Parpública para garantir o seu funcionamento e por empréstimos bancários com aval do Estado. Até novembro de 2022 foram injetados EUR70,5 milhões pela Parpública. Em novembro e dezembro, a gestora das participações públicas do Estado transferiu para a tesouraria da Efacec EUR20 milhões para garantir que a empresa funciona. E a partir de janeiro passaram a ser EUR14 milhões. Desde novembro até agora, o dinheiro canalizado perfaz cerca de EUR90 milhões. Nem a Parpública nem as Finanças, questionados pelo Expresso, confirmam ou comentam os valores. Quanto aos empréstimos garantidos pelo Estado, atingiram os EUR100 milhões foram créditos feitos já depois da nacionalização, uma parte garantida a 90% e outra a 80%. Certo é que os apoios concedidos à Efacec penalizaram o défice em 0,07% do PIB em 2022, segundo o “Eco”. O valor foi revelado no Programa de Estabilidade 2023-2027 apresentado pelo Governo e mostra que as ajudas à empresa totalizaram EUR159 milhões nesse ano. Montante que o Estado assume que vai perder, a que se somam os EUR90 milhões que foram para ajuda da tesouraria. E as perdas poderão não ficar por aqui. Tudo aponta para que a venda da Efacec seja acompanhada ainda da obrigação do Estado de colocar mais capital, a par do novo acionista. Ainda que seja este o modelo de venda escolhido, nada garante que avance. É que o desenho final da operação terá de ter a aprovação da Comissão Europeia, que, recorde-se, acabou por ser um entrave na conclusão do negócio com a DST, já que Bruxelas considerava que havia uma ajuda de Estado, logo ilegal. Banca e obrigacionistas chamados a perdoar A Efacec deve ainda à volta de EUR115 milhões à banca, financiados pela CGD, Novo Banco, Montepio, BPI e BCP. E terá de haver perdão destes montantes. O Expresso sabe que a Parpública e os assessores da privatização contactaram os bancos para estes perdoarem cerca de 50% da dívida. Os principais bancos estão disponíveis para o fazer no contexto de venda e viabilização da empresa. Foram feitos também contactos com representantes dos obrigacionistas cujo empréstimo de EUR58 milhões vence em 2024 no sentido de haver um corte, sabe o Expresso. São investidores institucionais, sobretudo espanhóis. A porta não está fechada, mas a proposta terá de ser aprovada em assembleia-geral. Entretanto, as contas da Efacec foram-se deteriorando significativamente desde que o Estado nacionalizou a participação da investidora angolana Isabel dos Santos (71,73%). A empresa tem uma situação líquida negativa de EUR52 milhões, valor que só não é mais elevado porque há um crédito fiscal por reporte de prejuízos passados. A carteira de encomendas continua a cair e já é menos de metade do que era em 2019. As contas de 2022 mostram que o EBITDA (meios libertos) foi negativo em EUR90,6 milhões, contra -EUR38,9 milhões em 2021. As receitas recuaram de EUR224,3 milhões em 2021 para EUR160,9 milhões em 2022 (63%) bem longe dos EUR354 milhões de 2019. A dívida voltou a subir em 2022, aumentou mais de EUR74 milhões, em resultado de empréstimos do próprio Estado. E as provisões e imparidades saltaram de EUR2,9 milhões para EUR23,2 milhões. Desde que o Estado entrou no capital, o número de trabalhadores caiu 30%. Os candidatos na reta final Chegaram à fase final da privatização o fundo alemão Mutares, o norte-americano Oaktree e o português Oxy Capital, e ainda o consórcio formado pela Visabeira e pela Sodecia. A Parpública entregou na semana passada o relatório com as propostas hierarquizadas e com a opção que considera mais adequada, cujo nome não revela. Mas não será ela a escolher. Se fosse, apurou o Expresso, a preferência recairia na Mutares. Os modelos de negócio propostos diferem entre si. O Oxy Capital, ao que se sabe, impôs como condição um Plano Especial de Revitalização (PER) prévio, enquanto Mutares e Oaktree preveem a venda da empresa ao fim de cinco anos e prometem uma injeção de capital em igual dimensão à que for feita pelo Estado cerca Parpública transfere para a Efacec todos os meses desde outubro mais de EUR10 milhões para garantir funcionamento A Efacec trabalha nas áreas da engenharia e da energia onde se destaca nos postos de carregamento de carros elétricos FOTO RUI DUARTE SILVA de EUR100 milhões, ao que o Expresso apurou. Já a Visabeira/ Sodecia está interessada nas empresas, não na casa-mãe, mas apenas nas subsidiárias. A escolha cabe ao Governo e vai ser anunciada pelo ministro da Economia, António Costa Silva, que tem a última palavra. “Será uma boa decisão. Vai dar uma base de sustentabilidade a uma das maiores empresas tecnológicas do país”, garantiu na semana passada o ministro da Economia e do Mar. António Costa Silva defendeu que a decisão final permitirá “conservar o projeto industrial e os empregos”. E acrescentou: “Será um novo fôlego para o seu futuro.” Num autoelogio, Costa Silva afirmou que o seu ministério fez “um trabalho meticuloso de análise de várias propostas interessantes e irá manter a mais interessante”. Apesar de o relatório ter sido entregue na semana passada pela Parpública, houve, sabe o Expresso, ainda melhorias de última hora. Quais não se sabe, e a Parpública não clarificou. acampos@expresso.impresa.pt NÚMEROS 50% é o valor do corte proposto pela Parpública ao crédito concedido pela banca sem garantia de Estado 159 milhões de euros é o montante da perda estimada pelo Estado com a Efacec até agora; falta juntar-lhes cerca de EUR90 milhões injetados na tesouraria da empresa pela Parpública Efacec já custou EUR250 milhões aos contribuintes Estado deu EUR159 milhões como perdidos, que entraram no défice de 2022 Banca e obrigacionistas chamados a perdoar dívida Parpública continua a injetar dinheiro para manter empresa E6