GEOSAT AJUDA 3 MIL ILHAS NA ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA
2026-10-23 06:00:04

Espaço A empresa lusa, operadora de satélites de observação da Terra, vai trabalhar com as Nações Unidas tem evoluído a linha da água, o que está a acontecer à vegetação, como estão a evoluir os ciclos agrícolas com o aquecimento global vemos que os cultivos que funcionam com uma determinada temperatura não funcionam com outra, e é necessária esta adaptação. No fundo, é possível fazer esta gestão de três mil ilhas sem ter de as visitar.” Mais satélites a caminho A Geosat é uma de apenas duas empresas europeias a deter a operar satélites próprios de observação da Terra com muito alta resolução ótica (o nível de detalhe das imagens é in-ferior a um metro por pixel). A outra é a Airbus. Aliás, em 2024 as duas fizeram a primeira cobertura da Europa assegurada integralmente por satélites e empresas europeias. A empresa, que tem hoje 6o trabalhadores, foi fundada em 2021 e “gera lucro desde o início da sua atividade”. “Ao contrário de outras organizações com a mesma idade, a Geosat foi criada já com uma capacidade operacional. Comprámos satélites em órbita e no dia seguinte estávamos a entregar imagens.” são dois os satélites em operação plena: o Geosat-1 e o 2. “Cada um dá 15 voltas à Terra por dia, todos os dias. Cobrimos o mundo todo”, avança o engenheiro aeroespacial. Depois, há a Constelação do Atlântico, um projeto ibérico de satélites capazes de fornecer imagens de alta e muito alta resolução (oito espanhóis, ainda a ser fabricados, e, do lado de Portugal, uma primeira geração de oito satélites óticos de muito alta resolução operados pela Geosat, complementados por outros satélites operados pela Força Aérea). “Estamos neste momento a terminar a transferência da operação de dois satélites do Atlântico para a Geosat”, detalha. Estes são os dois primeiros satélites da componente portuguesa da Constelação já em órbita. Com “um volume de negócios [anual] na ordem dos EUR10 milhões, que crescerá significativamente com a entrada em operação de novos satélites até 2028", Francisco Vilhena da Cunha adianta que a empresa trabalha com a Força Aérea Portuguesa e: a Comissão Europeia, incluindo O Copernicus (programa de observação da Terra da União Europeia). “Entre 80% e 90% da nossa atividade é exportação para a Europa, principalmente, mas também para outros países.” As áreas de atuação abrangem a Defesa, segurança e emergências (proteção civil), sustentabilidade, gestão do território e infraestruturas críticas. mtribuna@expresso.impresa.pt Foto NUNO BOTELHO omo é que as imagens captadas por satélites no Espaço podem ajudar as populações de países em desenvolvimento a adaptar-se às alterações climáticas? E isso que a portuguesa Geosat, um dos principais fornecedores europeus de satélites de observação da Terra, vai perceber ao trabalhar com as Nações Unidas numa coligação internacional chamada SDG Data Alliance. No total, a Geosat vai observar um universo de três mil ilhas espalhadas por cerca de 40 Estados insulares, desde o Tuvalu, na Oceânia, às Maldivas, na asia. A empresa, que é a primeira da Europa a integrar esta aliança global, vai usar as suas imagens de satélite de muito alta resolução e outros dados de observação da Terra “para permitir aos países em desenvolvimento e com uma situação mais frágil perante as alterações climáticas terem acesso a dados fundamentais para a adaptação das suas populações”, explica o presidente executivo (CEO), Francisco Vilhena da Cunha. “Estamos a falar de todos os oceanos, desde o Pacífico ao indico. Há ilhas no Atlântico que estão também sujeitas ao aumento do nível da água do mar, portanto estamos a falar de uma cobertura global. Mais do que só enviar as imagens de satélite, vamos apoiar as populações a processar e analisar estas imagens para que possam utilizá-las na gestão do território”, revela. Esse processo já começou: a parceria foi assinada na Assembleia-Geral das Nações Unidas no final de setembro. E o que podem revelar os dados de satélite? “E difícil atuar sobre o que não conseguimos medir. As imagens permitem identificar como Francisco Vilhena da Cunha é 0 CEO da Geosat Portugal acelera no Espaço A Geosat é uma das mais de 150 empresas em Portugal dedicadas ao Espaço, número avançado pela consultora Novaspace num estudo para a Agência Espacial Portuguesa divulgado em julho. Desde a viragem do milénio que o sector está em franco crescimento: o número de empresas, postos de trabalho e contribuição para o PIB tem aumentado Entre 2019 e 2024, o Espaço gerou mais de 4000 empregos e um contributo de EUR1,2 mil milhões para o PIB, segundo a Novaspace. Esse contributo ainda deve aumentar: o sector espacial poderá vir a alcançar um volume de negócios anual de EUR2 mil milhões, diz um relatório da New Space Alliances e do Boston Consulting Group de 2025. Construir satélites, obter dados de observação da Terra, melhorar a rede de internet marítima e ter um foguetão orbital próprio são alguns exemplos do que se está a fazer por cá. MARA TRIBUNA