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LOCKHEED MARTIN ABRE PORTA DO F-35 A EMPRESAS PORTUGUESAS E RECEBE TEKEVER NO TEXAS

Público Online

2026-10-22 11:39:04

Ainda sem decisão sobre o maior negócio de sempre de defesa em Portugal, a candidata norte-americana à substituição dos F-16 esboça plano de cooperação industrial e diz que “quanto mais cedo, melhor”. A gigante norte-americana da defesa Lockheed Martin, candidata com o F-35 à substituição dos F-16 portugueses, vai convidar em Novembro quatro empresas portuguesas da área dos materiais compósitos e das aeroestruturas a submeterem propostas para integrarem a cadeia de fornecedores de dois componentes do caça de quinta geração, numa amostra do que poderá ser posteriormente um “pacote industrial robusto” a acompanhar a compra do avião. O anúncio foi feito nesta quarta-feira em Fort Worth, estado norte-americano do Texas, perante uma comitiva de jornalistas portugueses que o PÚBLICO integrou. Os convites a quatro empresas, cujos nomes permanecem sob sigilo, para um concurso em que vão competir com seis entidades estrangeiras, afirmam os norte-americanos, são independentes da escolha do Ministério da Defesa de Nuno Melo pelo sucessor do F-16. “Estamos a envolver a indústria portuguesa antes mesmo de Portugal seleccionar o F-35”, sublinhou no Texas Brigetta Shanley, directora de desenvolvimento de negócios. O contexto, contudo, é evidente. A construtora aeroespacial pretende sinalizar as possibilidades de cooperação industrial com Portugal num segundo momento, pós-decisão, não só no âmbito do F-35 como em “todo o portfólio” da empresa. Simultaneamente, a Lockheed Martin responde aos anúncios feitos pelos seus concorrentes à substituição dos F-16, nomeadamente a Airbus e a Saab, que admitem produzir parte dos seus aparelhos no país e apontam nomes nacionais como a OGMA, a Aernnova, a Lauak ou o CEiiA como potenciais parceiros. Tal como os europeus, também os norte-americanos recorreram ao cluster AED (Aeronáutica, Espaço e Defesa), à IDD (Portugal Defence) e à AICEP para identificar empresas portuguesas, e muitas destas entidades repetem-se nos contactos e memorandos de entendimento assinados nos últimos meses. A compra de perto de 30 aviões que vão render os F-16 poderá rondar os cinco mil milhões de euros, superando o negócio dos submarinos no início do século ou a aquisição, já este ano, das fragatas italianas. A Força Aérea Portuguesa expressou em vários momentos a preferência pelo F-35 norte-americano em detrimento do Eurofighter Typhoon (Airbus, BAE e Leonardo), do Gripen E/F (Saab) ou do Rafale (Dassault), mas a decisão está nas mãos do Ministério da Defesa, num processo que não arrancou oficialmente. Os candidatos têm desenvolvido propostas não solicitadas, aguardando que o Governo indique o caderno de encargos. Este poderá ser conhecido até ao final do ano com a apresentação da revisão da Lei de Programação Militar. Por agora, o campo de batalha entre europeus e norte-americanos tem sido o das relações públicas e das promessas de cooperação industrial como contrapartida pela aquisição. Dezassete áreas de colaboração No Texas, nesta quarta-feira, a Lockheed Martin repetiu os argumentos do F-35: o único caça furtivo de quinta geração do mercado, a interoperabilidade com mais de uma dezena de países europeus, a tecnologia de fusão de sensores, as possibilidades evolutivas de software, incluindo no campo da inteligência artificial e na operação de drones, ou as quatro décadas de vida útil esperada da plataforma. Prometeu oferecer uma solução “soberana” para cada operador, 25% fabricada na Europa, e negou a existência de um kill switch, ou de um mecanismo para inutilizar remotamente o aparelho num cenário de divórcio total entre europeus e norte-americanos. E voltou a afirmar ter identificado 17 áreas de cooperação em Portugal, da vigilância marítima aos drones. “Trata-se de produção, de tecnologia. Há exportações, há um projecto potencial que estamos a analisar neste momento relacionado com minerais críticos, que são necessários para projectos de defesa”, indicou Lisa Herrmann, responsável de negócios internacionais. Há um mês, a divisão de pesquisa e desenvolvimento da empresa recebeu a portuguesa Tekever nos EUA, prelúdio de maior cooperação. “Estamos a trabalhar com eles para integrar um dos nossos componentes [um sensor ISR, ou de inteligência, vigilância e reconhecimento] num dos seus sistemas aéreos não tripulados para fazer uma demonstração para um cliente em comum na Primavera do próximo ano, e continuamos a ter reuniões de intercâmbio técnico com a Tekever para identificar áreas a expandir e outras oportunidades de parceria”, afirmou Herrmann. Em paralelo, acrescenta a responsável, a fabricante do motor do F-35, a Pratt & Whitney, estabeleceu uma parceria com a OGMA que poderá ser expandida com a aquisição portuguesa do caça norte-americano. “Ao todo, há uma oportunidade de gerar milhares de milhões de dólares de retorno económico” com o F-35 em Portugal, afirmou Herrmann. “Nós temos o nosso portfólio de projectos e temos fornecido detalhes disto ao Governo português. Temos fornecido números do retorno económico”, acrescentou. Robert Weitzman, director internacional do programa do F-35, afirma que Portugal apresenta como vantagem na frente industrial a experiência de “50 anos de parceria” com a Lockheed Martin, dos C-130 aos P-3 Orion aos F-16. Alerta, contudo, para a redução de uma janela de oportunidade para a entrada na cadeia de produção do F-35: o crescimento rápido da frota, a caminho das 1400 aeronaves, 700 das quais na Europa até 2035, obriga à procura célere de fornecedores e Portugal pode perder o comboio. “Quanto mais cedo, é sempre melhor. Mas, devido à nossa parceria, estou confiante de que, se e quando Portugal escolher o F-35, haverá um pacote industrial robusto a acompanhar a aquisição militar”, declarou. O PÚBLICO viaja a convite da Lockheed Martin tp.ocilbup@orierreug.ordep Fábrica da Lockheed Martin em Fort Worth, Texas, EUA Lockheed Martin Corporation Pedro Guerreiro