MAIS CIÊNCIA
2026-10-18 06:01:02

A propósito de mais uma Conversa SK no CEIIA - com o CEO da Bial António Portela sobre Ciência - algumas breves notas de reflexão sobre o tema. A mensagem que vem dos grandes mercados internacionais é muito clara - só com uma aposta séria numa ciência inteligente será possível desenvolver uma economia de valor com efeitos no mercado. Num tempo incerto e complexo, o objetivo da aposta numa ciência inteligente implica uma mobilização das competências nacionais para uma nova agenda. Portugal tem que saber agarrar esta nova oportunidade associada às opções europeias e a participação integrada das empresas, universidades e centros de inovação será fundamental. A economia portuguesa está claramente confrontada com um desafio de crescimento efetivo e sustentado no futuro. Os números dos últimos trinta anos não poderiam ser mais evidentes. A incapacidade de modernização do sector industrial e de nova abordagem, baseada na inovação e criatividade, de mercados globais, associada à manutenção do paradigma duma economia interna de serviços com um caráter reprodutivo limitado criou a ilusão no final da década de 90 dum crescimento artificial baseado num consumo conjuntural manifestamente incapaz de se projectar no futuro. Portugal precisa de potenciar a sua presença ativa nas novas redes inteligentes de ciência e competitividade, com todas as consequências do ponto de vista de impacto na sua matriz económica e social. A política pública tem que ser clara - há que definir prioridades do ponto de investimento estrutural nos sectores e nos territórios, sob pena de não se conseguirem resultados objectivos. Estamos no tempo dessa oportunidade. Definição clara dos pólos de competitividade em que atuar (terão que ser poucos e com impacto claro na economia); selecção, segundo critérios de racionalidade estratégica, das zonas territoriais onde se vai atuar e efetiva mobilização de redes ativas de comercialização das competências existentes para captação de IDE de Inovação. O Investimento Directo Estrangeiro desempenha neste contexto um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do IDE associado à captação de Empresas e Centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia - Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronática, entre outros. Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por "redes ativas" de atuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas setoriais (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes. Uma Nova Economia, capaz de garantir uma Economia Nova sustentável, terá que se basear numa lógica de focalização em prioridades claras. Assegurar que a Ciência é vital na atração de competências que induzam uma renovação ativa estrutural do tecido económico nacional; mobilizar de forma efetiva os centros de competência para esta abordagem ativa no mercado global - mas fazê-lo tendo em atenção critérios de racionalidade estratégica definidos à partida, segundo opções globais de política pública, que tenham em devida atenção a necessidade de manter níveis coerentes de coesão social e territorial. Precisamos de facto de Mais Ciência. (O autor escreve segundo a antiga ortografia) Francisco Jaime Quesado