ALOJAMENTO LOCAL TEM "CAPACIDADE POR EXCELÊNCIA" PARA RESISTIR À IA COM EXPERIÊNCIAS ÚNICAS, DIZ ADMINISTRADORA DO TURISMO DE PORTUGAL
2026-10-08 22:51:04

Na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local, no Porto, a administradora do Turismo de Portugal defendeu que as experiências únicas e irrepetíveis são o futuro do setor. A administradora do Turismo de Portugal avisou esta quinta-feira, no Porto, na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local, que a inteligência artificial vai mudar o setor turístico e que é preciso criar experiências únicas e aproveitar as tradições locais. “Muita coisa vai mudar [com a inteligência artificial], mas há valores como a inteligência emocional, a hospitalidade, a empatia que nunca vão desaparecer e que é o valor do turismo”, declarou esta manhã, no Centro Batalha do Porto, a administradora do Turismo de Portugal, Catarina Paiva, durante a sua intervenção no painel “Qualificar para Criar Valor: Pessoas, Experiências e Ecossistema , Como criar mais valor através das pessoas, da hospitalidade e do ecossistema do Alojamento Local?”. Catarina Paiva afirmou que “hoje um gestor de alojamento local precisa de estar focado na unidade de alojamento”, mas “precisa de estar muito mais focado naquilo que é a experiência, em toda a cadeia de valor da experiência, o que significa que vai precisar de competências diferentes” e em várias “dimensões”. As questões financeiras, o enquadramento legal, o enquadramento fiscal, são temas fundamentais, bem como a rentabilidade, mas há componentes novas que começam a surgir com a evolução da sociedade e com a introdução da inteligência artificial na vida das pessoas. “De facto, aquilo que vai diferenciar o alojamento local, nomeadamente de outras áreas, é a sua capacidade de tornar e de criar experiências únicas e que não são replicáveis” Catarina Paiva destacou que há valores como a inteligência emocional, a hospitalidade, a empatia que transformam a experiência de um turista como sendo única e tais experiências irrepetíveis oferecidas pelo ser humano jamais vão ser substituídas pela IA. Para amplificar o valor das competências dos profissionais do Alojamento Local para o futuro, o que vai fazer a diferença são as experiências que se proporcionam aos hóspedes, aproveitando a envolvência nas ofertas locais. As empresas que conseguirem manter-se são as que vão conseguir criar experiências únicas e o “AL tem capacidade, por excelência, para oferecer as tais experiências únicas”, reiterou a administradora. Paulo Teixeira de Morais, professor da Universidade Portucalense, participou no mesmo painel e também concordou que a IA é “uma nova revolução industrial em curso”, mas considera que um dos setores menos vulneráveis a esta IA é o turismo, porque precisamente vai continuar a precisar de mão de obra humana para algo tão simples como cozinhar para os turistas. “Não se fazem refeições sem pessoas”, disse. Paulo Teixeira de Morais considera que o setor do turismo, designadamente a hotelaria e a restauração, pode ser alavancado com a IA, mas avisa que é necessário que todos tenham formação para ter competências digitais, e recorda que muitos imigrantes a trabalhar no setor não têm formação e que os que a têm “fogem de Portugal para outros países da Europa, porque os salários são mais atrativos“. Na quarta-feira, dia 07, foi o primeiro dia da Cimeira Nacional do Alojamento Local e foi anunciado que o primeiro Livro Branco do Alojamento Local em Portugal iria ser coordenado pelo ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral e que seria publicado até maio de 2027. A primeira versão desse documento está disponível para leitura no sítio da Internet da associação de Alojamento Local Porto e Norte, a entidade que está a organizar a cimeira nacional e a coordenar o Livro Branco do Alojamento Local. O documento vai poder receber contributos da sociedade civil até ao final deste ano, avançou Elsa Pereira, vice-presidente da ALPN. [Additional Text]: Uma turista usa um leque para se refrescar enquanto passeia no centro histórico de Évora, numa altura em que já se registava temperatura acima dos 35 graus centígrados, Évora, 27 de maio de 2026. O IPMA prevê continuação de temperaturas elevadas para os próximos dias para várias regiões do país com perigo de incêndio muito elevado. NUNO VEIGA/LUSA Agência Lusa