MAIS INOVAÇÃO
2026-10-03 15:43:02

A propósito de mais uma Conversa SK no CEIIA - desta vez sobre Mais Inovação com Francisca Guedes de Oliveira, algumas breves notas sobre o tema. Portugal vai ter que apostar muito rapidamente na implantação duma Sociedade da Inovação como resposta a estes novos tempos. A inovação tem que ser a grande ideia para o país. Na nova agenda que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar a sociedade com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Fazer da tecnologia e da competência os elementos que farão a diferença na criação de valor e no reforço dos níveis estratégicos de confiança. É esse o imperativo de uma verdadeira Sociedade da Inovação. Tem que se ser capaz de induzir na sociedade uma capacidade endógena de reação empreendedora perante os desafios de mudança suscitados pela sociedade em rede e que a IA veio acelerar. Os instrumentos de modernidade protagonizados pela tecnologia são essenciais para se desenvolverem mecanismos autosustentados de adaptação permanente às diferentes solicitações que a globalização das ideias e dos negócios impõe. Esta nova dimensão da inovação configura desta forma uma abordagem proactiva da sociedade abordar a sua própria evolução de sustentabilidade estratégica. A Sociedade da Inovação é a resposta certa aos novos desafios que temos pela frente neste tempo incerto e complexo. Os centros de competência do país (Empresas, Universidades, Centros de I&D) têm que ser orientados para o valor. O seu objetivo tem que ser o de induzir de forma efetiva a criação, produção e sobretudo comercialização nos circuitos internacionais de produtos e serviços com valor acrescentado susceptíveis de endogeneizar massa crítica no país. Só assim a lição de Porter entra em ação. A internalização e adoção por parte dos atores do conhecimento de práticas sustentadas de racionalização económica, aposta na criatividade produtiva e sustentação duma plataforma de valor com elevados graus de permanência é decisiva. A cooperação estratégica entre setores, regiões, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da cooperação em competição e os alicerces da vantagem competitiva passam por este caminho. Sob pena de se alienar o capital intelectual de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os atores do conhecimento têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante. Importa fazer da inovação o driver da mudança no território. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Não se pode conceber uma aposta na competitividade estratégica do país sem entender e atender à coesão territorial, sendo por isso decisivo o sentido das efetivas apostas de desenvolvimento regional de consolidação de clusters de conhecimento sustentados. O imperativo de uma Sociedade da Inovação é assim o grande desafio para o nosso futuro coletivo. O autor escreve segundo a antiga ortografia Francisco Jaime Quesado Economista e Gestor , Especialista em Inovação e Competitividade Francisco Jaime Quesado