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UM GOVERNO AINDA AOS PAPÉIS: PATRIMÓNIO PARADO E EM RUÍNAS

Sábado Online

2026-09-29 23:58:02

Há prédios antigos, onde estavam ministérios, sem solução ainda. As obras continuam no Campus XXI. O MAI (o ministério...) mete água. Em 2024, vários ministros, espalhados por vários locais de Lisboa, começaram a empacotar caixotes para se juntarem todos na nova casa do Governo, um edifício na avenida João XXI, junto à praça do Campo Pequeno, em Lisboa, que na altura era ocupado pelos serviços centrais da Caixa Geral de Depósitos, incluindo a sua administração. Ao mesmo tempo, o banco público começaria a mudar-se para o outro lado da cidade, deixando o espaço totalmente livre. António Leitão Amaro, ministro da Presidência do Conselho de Ministros, no antigo gabinete em mudanças para a nova sede do Governo Luis Manuel Neves Desde então, já se mudaram para o Campus XXI , como ficou apelidada a nova sede do Executivo , sete ministérios: Presidência do Conselho de Ministros (liderada pelo ministro António Leitão Amaro), Cultura, Juventude e Desporto (Margarida Balseiro Lopes), Economia e Coesão Territorial (Manuel Castro Almeida), Infraestruturas e Habitação (Miguel Pinto Luz), Agricultura, Pescas e Mar (José Manuel Fernandes), Reforma do Estado (Gonçalo Matias) e Ambiente e Energia (Maria da Graça Carvalho). Ao rol de ministros juntaram-se também os seus secretários de Estado e equipas. Também estava prevista a mudança do Ministério da Administração Interna da sua sede (uma ala do Terreiro do Paço) para o Campus XXI, segundo o que ficou decidido em 2024 (ainda no Governo de António Costa). Para o espaço libertado iria um Centro Interpretativo do 25 de Abril, que até chegou a ser formalizado num protocolo celebrado em abril desse ano entre a Associação 25 de Abril, a câmara de Lisboa e o Governo. Poucas semanas depois, chegou um novo Executivo, o de Montenegro, que voltou atrás com tudo, a começar no destino do MAI, que ficaria onde já estava, pese embora o adiantado estado de degradação das instalações. Em fevereiro, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna fez um relatório (noticiado na altura pelo Página Um) onde eram elencados vários problemas no edifício situado numa ala do Terreiro do Paço, incluindo infiltrações de água e queda de rebocos. À SÁBADO, o gabinete de Luís Neves diz que “logo a seguir a tomar posse, tomou conhecimento da situação, que se arrasta há anos”. Mais adiantou que “o processo de reabilitação tem sido afetado por diversos constrangimentos de ordem legal e orçamental” e que “nesta altura estão a ser ponderadas e analisadas internamente as soluções mais eficazes”. Uma coisa é certa, o Ministério vai continuar no mesmo local. Em 2025, em resposta a uma pergunta de âmbito parlamentar, o gabinete do ministro da Presidência justificou apenas que “não se apurou racionalidade” para a transferência do MAI para o Campus XXI “ou sequer para outro ponto da cidade”. Quanto ao projeto do museu do 25 de Abril (que devia ter sido inaugurado no início de 2026), ficou adiado e condicionado a uma nova localização. No fim deste mês de setembro de 2026, segundo nos referiu Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, ia ocorrer uma reunião com o Governo e a Presidência da República, mas o Executivo adiou-a abruptamente com o argumento de que ainda não havia em cima da mesa um local. Vasco Lourenço diz que o Presidente da República “está agora à espera que o Governo se chegue à frente” para marcar nova reunião. Arrendamento aos patrões Quanto aos edifícios que ficaram livres com a saída dos ministérios, ainda não está tudo resolvido. Salvo algumas exceções, os ministros remeteram-se ao silêncio e não responderam às perguntas colocadas. A começar pelo gabinete de Leitão Amaro, ministro da Presidência. Em setembro de 2025, anunciou que a sua antiga sede, um prédio na rua Gomes Teixeira (que teria um valor comercial de 25 milhões de euros, segundo noticiado na época), seria vendida , juntamente com outras , com o alegado objetivo de financiar políticas de habitação, segundo disse ao Público uma fonte do Governo. Antiga sede da Presidência do Conselho de Ministros Pedro Catarino Meses mais tarde, em maio de 2026, mudança de planos: o prédio ia afinal para a câmara de Lisboa, que o reconverteria em 90 apartamentos a preços acessíveis para profissionais ligados à administração pública. Nem a câmara nem o gabinete de Leitão Amaro nos responderam sobre o evoluir do caso, mas há dias o vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, disse na Assembleia Municipal que estão ainda “a protocolizar ” com a Estamo, empresa pública de gestão do património imobiliário do Estado. Quanto ao local onde estava o Ministério da Agricultura e do Mar, numa ala do Terreiro do Paço, ainda é usado por essa tutela, nomeadamente “o Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral”, esclareceu à SÁBADO o gabinete do ministro, José Manuel Fernandes. Não obtivemos resposta à pergunta sobre se o antigo edifício vai ter outra função ou utilização no futuro. Outro caso é o edifício que estava a ser utilizado pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação, na avenida Barbosa du Bocage, no Campo Pequeno, em Lisboa. O imóvel pertence ao Metropolitano de Lisboa, que nos informou estar agora a ser totalmente arrendado ao IMT , Instituto da Mobilidade e dos Transportes. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, fotografado para a SÁBADO nas mudanças e o antigo edifício do Ministério Mariline Alves e Pedro Catarino Já o Palácio do Manteigueiro, na Baixa de Lisboa, onde estava instalado o ministério da Economia, tem sido alvo de muita atenção mediática. Quando o ministério tutelado por Manuel Castro de Almeida saiu para o Campus XXI, em 2024, o imóvel ficou alocado ao Revive (programa que entrega imóveis públicos inutilizados a privados para que estes os reabilitem e usem depois para turismo). Em 2025, o palácio saiu do Revive e ficou desde então na esfera da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP). Primeiro, falou-se na “cedência”, gerando contestação, o que levou o ministro a esclarecer que se tratava de arrendamento. À SÁBADO, Armindo Monteiro, presidente da CIP, sublinha que nunca esteve em cima da mesa a venda, mas o arrendamento. “Foi uma falha de comunicação”, recorda. Quanto ao valor da renda, ainda está hoje por definir. “Não tenho nada [de novo]”, diz Armindo Monteiro, acrescentando que não tem tido quaisquer conversas com o Governo para definir o valor da renda. Palácio do Manteigueiro, a antiga sede do Ministério da Economia Miguel Baltazar Perguntámos ao Ministério da Economia e ao da Presidência quais eram os valores que estavam em cima da mesa, os critérios utilizados para os definir e para quando seria o fecho deste dossiê, mas não obtivemos resposta. Uma palavra ainda para a Caixa Geral de Depósitos, que nos confirmou que todos os seus serviços já se encontram, desde o dia 1 de setembro, no novo edifício-sede, na avenida D. João II, no Parque das Nações. “A nova sede já está em soft opening”, diz a assessoria de imprensa, acrescentando que a transição ocorreu “dentro do prazo e do orçamento” e que o edifício do Campo Pequeno, com a exceção da Culturgest, que pertence à CGD, está desde o início do mês totalmente disponível para o Governo e para os serviços da Administração Pública. Adjudicações para nova sede Os ministros apreciaram a ida para a nova casa do Governo. Em 2024, quando estava a mudar os seus pertences do antigo edifício da Presidência do Conselho de Ministros, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, disse à SÁBADO que estar mais próxima de outros ministérios ajuda na articulação de assuntos pluriministeriais: “Tutelo áreas transversais [a vários ministérios], com grande esforço de grande articulação”, como é o caso do Porta 65, que tem de ser articulado com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz. Há planos para concentrar ainda mais ministérios na nova sede. Para isso, é necessário realizar mais obras de remodelação, que o Governo já anunciou em 2025. Segundo o Jornal de Negócios, a conta vai chegar aos EUR16,5 milhões. Até agora, há 20 adjudicações feitas para o Campus XXI no portal Base para os contratos públicos, num total EUR15,2 milhões. A maior adjudicação, para a “empreitada de remodelação dos pisos 2 e 3 do edifício do Campus XXI”, foi entregue por concurso público às construtoras DST e CARI, por EUR13,4 milhões. Outra empreitada, para a remodelação de espaços do edifício, foi ganha pela Ecociaf, por EUR423.545. Entre as restantes adjudicações, destacamos ainda uma bem gorda, para apenas três meses. O contrato foi assinado a 2 de setembro para “serviços de vigilância e segurança humana no Campus XXI” por EUR411.641. Foi um ajuste direto à Securitas. Perguntámos à Presidência do Conselho de Ministros qual era o estado atual das obras no Campus XXI, se o valor inicialmente anunciado pelo Executivo ainda se mantinha, qual era o prazo previsto para a sua conclusão e que ministérios iriam para a nova sede. A resposta da assessoria de Leitão Amaro obtida pela SÁBADO foi a seguinte: “Não tenho informação...” Francisco Máximo GaiéMarco Alves 07:00 Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login. Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito. Francisco Máximo Gaié