DOURO PRECISA DE 15 MILHÕES DE EUROS PARA ACOMPANHAR CRESCIMENTO DO TURISMO FLUVIAL
2026-09-24 19:14:03

A Via Navegável do Douro registou 1,139 milhões de passageiros em 2025, mas o aumento da procura começa a colocar pressão sobre uma infraestrutura que ainda tem vários constrangimentos por resolver. A APDL tem identificadas intervenções de cerca de 15 milhões de euros, mas a sua execução depende da obtenção de financiamento. O Douro quer crescer no turismo fluvial. O investimento previsto inclui o alargamento de dois troços do canal, atualmente com 25 metros de largura, para pelo menos 40 metros. Um dos troços tem cerca de 14 quilómetros e o outro cerca de 10 quilómetros. A medida pretende reforçar as condições de segurança da navegação num rio que tem registado oito anos consecutivos de crescimento da atividade. Em 2025, foram ainda registadas 16.974 eclusagens. O pacote de intervenções inclui ainda a motorização das eclusas e a criação de cais de espera, com o objetivo de melhorar a operação e reduzir constrangimentos à passagem das embarcações. Os estudos necessários estão concluídos e os principais problemas identificados. Falta agora garantir os recursos financeiros para avançar com as obras, explicou esta quinta-feira Raquel Maia, administradora da APDL , Administração dos Portos de Douro e Leixões, durante a Porto Maritime Week 2026. A responsável admitiu que a evolução dos programas europeus de financiamento das vias navegáveis poderá abrir novas oportunidades para projetos ligados ao turismo fluvial, uma área que tem tido menos acesso a fundos tradicionalmente direcionados para o transporte de mercadorias. A APDL já investiu cerca de 13 milhões de euros na Via Navegável do Douro, sobretudo em segurança. O investimento incluiu levantamentos hidrográficos, sinalização fluvial, dragagens, melhoria dos canais de comunicação, instalação de sensores e aquisição de meios de apoio à navegação. Operadores pedem execução dos projetos Os operadores marítimo-turísticos defendem que o crescimento do Douro tem de ser acompanhado pela concretização das obras identificadas há vários anos. “Os estudos estão feitos, são conhecidos. O que precisamos é de execução”, afirmou Vasco da Silva, vice-presidente da Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD). O responsável apontou intervenções em zonas como Barca d Alva, Pocinho, Pinhão/Sabrosa e Régua e questionou o tempo necessário para que os projetos avancem. “A nossa única questão é quantos anos vamos esperar para que a obra aconteça”, disse. A associação defende também a criação de um Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento do Douro que reúna as diferentes entidades com responsabilidades sobre o rio e articule navegação, infraestruturas, turismo e desenvolvimento económico da região. O aumento da atividade turística não significa, contudo, que todo o território esteja a beneficiar na mesma medida. João Rodrigues, primeiro-secretário executivo da CIM Douro, que reúne 19 municípios, reconhece que o impacto económico da navegação continua abaixo do potencial da região. Municípios, populações e empresas têm sinalizado que é necessário aproximar os visitantes dos territórios atravessados pelo rio e aumentar o valor gerado pelo turismo fluvial para a economia local. A CIM Douro está a preparar, por isso, a Estratégia Douro 2040, que deverá ser submetida a aprovação a 30 de setembro. O documento pretende definir a estratégia de desenvolvimento da região para a próxima década e antecipar as prioridades para o próximo quadro comunitário. A estratégia resulta da auscultação de autarcas, empresas e outras entidades com intervenção no território. Teresa Cotrim