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SETOR ESPACIAL CRESCE, EM PORTUGAL, MAS AINDA TEM POUCA ESCALA COMERCIAL

Empreendedor Online

2026-09-18 17:13:03

Estudo da Nova SBE conclui que o setor espacial português cresce, mas continua dependente de financiamento público e de empresas de pequena dimensão. O setor espacial português gerou 191 milhões de euros em receitas operacionais e empregou diretamente 1.466 pessoas em 2024. Um estudo da Nova SBE conclui, porém, que o país ainda precisa de transformar a capacidade científica e técnica em empresas com maior escala comercial. O número de empresas ligadas ao setor espacial em Portugal aumentou 43% entre 2019 e 2023, segundo o estudo From Capacity Builder to Market Actor: Mapping Portugal s Space Economy and the Commercial Sustainability Challenge, desenvolvido pela Nova SBE em colaboração com a Agência Espacial Portuguesa. O relatório compara Portugal com quatro economias espaciais europeias de pequena dimensão, Áustria, Chéquia, Irlanda e Grécia, e conclui que o país avançou mais rapidamente na criação de competências e na integração em programas europeus do que no desenvolvimento de atividade comercial sustentável. Portugal dispõe de talento qualificado e de uma base científica e tecnológica reconhecida, destacando-se pela presença de profissionais na Agência Espacial Europeia face à contribuição financeira nacional. Essa capacidade ainda não se traduziu, porém, em empresas com dimensão suficiente para liderar grandes programas internacionais. Nenhuma empresa portuguesa do setor espacial emprega mais de 250 pessoas. Os centros de investigação concentram 33% do emprego do ecossistema, mas representam apenas 17,6% das receitas operacionais, mostrando o desequilíbrio entre a produção de conhecimento e a sua transformação em atividade comercial. “Portugal está bem posicionado, mas ainda não está bem enraizado”, conclui o relatório, defendendo que “o próximo ciclo de investimento tem de ser composto de forma diferente, e não apenas ampliado”. A necessidade de alterar o modelo de desenvolvimento torna-se mais urgente com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência. O peso do PRR no financiamento público destinado ao setor espacial aumentou de 11% em 2022 para 57% em 2025, mas o programa termina em dezembro de 2026. Segundo a Nova SBE, a transição para a próxima fase não deverá limitar-se à substituição dos atuais apoios por novos instrumentos públicos. Os investimentos terão de contribuir para criar produtos, serviços, clientes e receitas que permitam às empresas crescer de forma sustentável. O estudo recomenda que a investigação e desenvolvimento passe a representar 20% do investimento público espacial até 2030. Atualmente, apenas 9% desse financiamento é aplicado nesta área, uma percentagem inferior aos 37% registados na Áustria e aos 38% da Grécia. Os autores propõem também que os projetos financiados demonstrem um caminho credível para o mercado e que a contratação pública seja utilizada para criar os primeiros clientes e gerar receitas recorrentes. Para apoiar o crescimento empresarial, o relatório recomenda a criação de um programa seletivo dirigido anualmente a cinco a oito empresas com elevado potencial. Antes de novos investimentos em infraestruturas, incluindo na ilha de Santa Maria, deverá também ser realizada uma avaliação técnica e comercial da procura. A defesa e as tecnologias de duplo uso, com aplicações civis e militares, são identificadas como oportunidades para as empresas portuguesas, através da procura da NATO e do acesso ao instrumento europeu SAFE. O fabrico no espaço, a manutenção em órbita e a computação espacial são outros segmentos nos quais Portugal poderá procurar um posicionamento especializado. O relatório destaca ainda a Constelação Atlântica, liderada pela Força Aérea Portuguesa e pelo CEiiA, como exemplo do reforço da capacidade nacional. A componente portuguesa deverá integrar 12 satélites e alcançar capacidade operacional plena no final de 2027. “Este estudo representa exatamente o tipo de investigação aplicada que o projeto New Space Portugal foi concebido para produzir: rigorosa, baseada em dados e diretamente relevante para as decisões que o ecossistema espacial português precisa de tomar na próxima fase”, afirma Pedro Pais Penedos, responsável pelo projeto na Nova SBE. Os resultados do estudo serão apresentados a 21 de setembro, no campus da Nova SBE, em Carcavelos.