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JOVENS INSEGUROS FACE A COMPETÊNCIAS EXIGIDAS NO MERCADO DE TRABALHO, REVELA ESTUDO

Human Resources Portugal Online

2026-09-11 16:13:03

Um estudo desenvolvido pela Universidade Portucalense (UPT) mostra que os estudantes reconhecem uma fasquia elevada nas competências que consideram valorizadas pelos empregadores, mas revelam menor confiança na sua própria preparação Ouça este artigo em formato áudio Numa escala de um a cinco, os estudantes de Economia e Gestão inquiridos atribuíram uma média de 4,40 às competências que consideram ser esperadas pelos empregadores. Quando avaliaram as suas próprias competências, a média desceu para 4,08. E, quando questionados sobre a capacidade de corresponder às expectativas que atribuem ao mercado de trabalho, o valor voltou a baixar, para 4,04. Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher Os resultados revelam, assim, um desfasamento entre aquilo que os estudantes percepcionam como exigência do mercado de trabalho e a confiança que têm na sua capacidade de responder a essa exigência. O estudo não avaliou diretamente os empregadores, pelo que os dados não permitem concluir que exista um défice objectivo de competências nos estudantes. Permitem, contudo, identificar uma diferença relevante entre a percepção das exigências profissionais e a autoavaliação dos estudantes. A gestão do tempo surge como uma das áreas onde esse desfasamento é mais evidente. Os estudantes atribuem-lhe uma importância média de 4,61, quando questionados sobre as competências que consideram que os empregadores esperam dos jovens à saída do ensino superior, e avaliaram a sua própria competência nesta área em 3,95. Nas competências profissionais, a diferença é ainda mais acentuada: 4,22 de expectativa face a 3,48 de autoavaliação. Continue a ler após a publicidade Continue a ler após a publicidade Também o pensamento estratégico e as competências de apresentação revelam diferenças relevantes entre aquilo que os estudantes consideram ser valorizado pelo mercado e a confiança que têm nas próprias capacidades. A experiência profissional surge como um dos factores associados a maiores níveis de confiança nas próprias competências. Os estudantes com mais de seis meses de experiência profissional avaliam as suas competências profissionais em 4,19, enquanto entre os estudantes sem experiência a média é de 3,13.As diferenças verificam-se também noutras áreas, como comunicação, criatividade e apresentação. No caso das competências profissionais, a diferença entre estudantes com e sem experiência apresenta uma dimensão particularmente elevada. Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação de causalidade entre experiência profissional e desenvolvimento de competências, os dados sugerem que o contacto com contextos reais de trabalho pode contribuir para que os estudantes tenham uma percepção mais concreta das suas capacidades. Continue a ler após a publicidade Esta percepção é também visível na forma como os estudantes identificam os espaços onde as soft skills são desenvolvidas. 89,74% consideram que o trabalho constitui um espaço de desenvolvimento destas competências, enquanto 73,61% atribuem esse papel à escola O estudo analisou 22 competências transversais, incluindo comunicação, pensamento crítico, liderança, trabalho em equipa, pensamento estratégico, gestão do tempo, planeamento e organização, apresentação, resolução de problemas, criatividade, flexibilidade, gestão do stress e inteligência emocional. Continue a ler após a publicidade Os resultados apontam para a necessidade de tornar o desenvolvimento destas competências mais integrado no percurso académico, não necessariamente através da criação de uma disciplina específica de soft skills, mas através de oportunidades para as praticar, observar e avaliar. Continue a ler após a publicidade Entre as propostas apresentadas pelos investigadores estão a integração destas competências nos objectivos de aprendizagem, a aproximação da avaliação académica a situações profissionais e a disponibilização de feedback mais explícito aos estudantes. A colaboração entre instituições de ensino superior e empregadores poderá igualmente contribuir para tornar mais concretas competências frequentemente descritas através de conceitos genéricos como “boa comunicação”, “proactividade” ou “resiliência”, transformando-as em comportamentos observáveis e passíveis de ser desenvolvidos. O estudo “Students and employers perceptions differential on soft skills: An analysis for university students”, desenvolvido por Margarita Carvalho, Mónica Azevedo e Luís Pacheco, foi publicado em 2026 na revista científica Industry and Higher Education e analisou as percepções de 384 estudantes de Economia e Gestão da Universidade Portucalense sobre 22 competências transversais. Continue a ler após a publicidade