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ESTALEIROS DE VIANA DO CASTELO JÁ TÊM ENCOMENDAS ATÉ 2030

Expresso

2026-08-21 06:00:04

Estratégia Com duas empresas no top 5 das exportações e cinco concelhos no top 30, a região minhota tem um ecossistema multissectorial e já olha para o espaço Do ouro ao vento, O Minho cheira a negócio Foto Rui DUARTE SILVA Todos os anos, as mordomas desfilam com o seu ouro nas Festas da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Esta quarta-feira, foram mil a manter viva a chieira, palavra que expressa orgulho e vaidade no Minho, um dos principais centros da indústria de ourivesaria nacional, num triângulo definido entre Guimarães, Viana do Castelo e Póvoa de Lanhoso, “onde cabe produção artesanal e tecnologia e onde as melhores marcas do mundo vêm comprar joias”, como diz ao Expresso João Faria, presidente da AORP , Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal. Das joias aos têxteis, calçado, metalurgia, cutelaria, automóvel, construção, indústria alimentar ou vinho, a força exportadora do Minho é transversal a diferentes sectores industriais e agrícolas. Concentrando mais de um quinto das empresas e um terço das exportações do sector automóvel, a região tem duas fábricas de capital alemão Bosch e Continental Mabor - no top 5 dos maiores exportadores nacionais, tem em Famalicão o terceiro concelho mais exportador do país e conta, ainda, com Braga, Guimarães, Viana do Castelo e Barcelos no ranking dos 30 maiores exportadores portugueses. Mais: Braga, a cidade mais jovem do país, é um concelho em destaque no mapa nacional pela sua capacidade de criar emprego. Conhecedor da economia regional, João Cerejeira, professor na Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho (UMinho), fala de “um tecido económico muito heterogéneo e diferenciado, do Alto Minho aos vales do Ave e do Cávado”. “ê difícil encontrar ecossistemas como este na Europa, a cobrir fileiras completas como acontece nos têxteis, da fiação à confeção, com o apoio de centros de inovação. A região consegue dar respostas em diferentes sectores juntando conhecimento e capacidade de fazer, o que não é muito comum”, diz. Salários e futuro “o futuro vai depender muito da capacidade de entrar em segmentos de valor acrescentado e oferecer salários atrativos aos jovens”, sublinha o economista, que tem trabalhado em planos de desenvolvimento económico com diferentes concelhos. E OS dados mostram que os salários ainda são inferiores à média nacional, embora tenham crescido a um ritmo superior à média na última década, com as sub-regiões do Alto Minho e Cávado a crescer um pouco acima da média no PIB per capita. No »verde Minho, há quem diga que “até o vento é um bom negócio”. No epicentro da energia eólica em Portugal, sob o impulso do concurso eólico do Governo Sócrates (que atraiu investimento como o da alemã Enercon), a região recebeu ao largo de Viana o primeiro parque eólico flutuante semissubmersível do mundo. Operacional desde 2020, o WindFloat Atlantic tem capacidade instalada de 25 MW, gerando anualmente eletricidade equivalente ao consumo de 25 mil lares. Provada a viabilidade de produzir energia em águas profundas (a 100 metros de profundidade) e aberto o caminho para a exploração de vento em alto mar, onde o recurso é mais abundante do que em terra, o que falta para o projeto pré-comercial ganhar escala? “Falta vontade política para ver na energia eólica offshore uma ferramenta para a transição energética, mas também uma possibilidade de atração de investimento, de criação de fileira e de emprego”, responde José Pinheiro, administrador delegado da Ocean Winds, acionista maioritária do parque. A trabalhar já em França, no Reino Unido, na Polónia, na Coreia do Sul, no Japão e no Brasil, o gestor lamen-ta “ver Portugal ser ultrapassado nas eólicas offshore por outros países que começaram mais tarde, mas que estão a ganhar escala”. Da Inditex à universidade Do mar para o campo, O Minho é uma das principais bacias leiteiras do país: “os distritos de Braga e Viana do Castelo concentram 470 produtores e cerca de um quinto da produção de leite nacional”, sublinha Maria Cândida Marramaque, diretora-geral da ANIL Associação Nacional de Laticínios. Quanto à ligação à Galiza, o antigo ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral destaca “o trabalho em rede”e e “a relação muito próxima entre os dois lados da fronteira”, visível “na forte interligação” em sectores como o automóvel, onde muitas fábricas do Minho são fornecedoras de fabricantes automóveis espanhóis, ou os têxteis, que têm um dos seus pilares na ligação do made in Portugal a marcas espanholas, numa relação transfronteiriça importante para ambos os países. “A Inditex chegoua ter mais de um terço da produção em Portugal e construiu um modelo de negócio só possível por esta cadeia de fornecimento de proximidade”, sublinha o diretor da Escola de Formação de Executivos da UMinho, sem esquecer “a proximidade entre a Universidade e as empresas”. “A estreita ligação às empresas, mas também ao território, é a nossa marca identitária mais reconhecida”, sublinha Pedro Arezes, reitor da UMinho, presente no capital social de mais de 70 entidades externas, com uma tradição de lançamento no mercado de cursos inovadores, como aconteceu com as engenharias de Polímeros, Têxtil e de Sistemas e Informática, a par de formações à medida das empresas. Só no caso da Bosch, a parceria já envolveu cerca de 100 patentes e um investimento a arondar os EUR187 milhões. O crescimento da região passa também pelo turismo: da natureza ao património ou ao enoturismo, o Minho duplicou dormidas e triplicou as receitas do sector em 10 anos, para os EUR190 milhões. E O futuro passa ainda pelo espaço e pela defesa, como indicam os investimentos de mais de EUR17 milhões anunciados para o Guimarães Space Hub, O Minho Defense Hub e a primeira fábrica de satélites óticos do país. Construção naval Da liquidação à elite mundial”, a West Sea navega com uma carteira de projetos de EUR400 milhões Estaleiros de Viana já têm encomendas até 2030 Textos MARGARIDA CARDOSO Foto Rui DUARTE SILVA Apartir de Viana do Castelo, a West Sea navega no sector da construção naval com uma carteira de encomendas de EUR400 milhões (“cheia até 2030"), a expetativa de aumentar este ano em 16% a faturação, para EUR140 milhões, e a perspetiva da criar “novas oportunidades” com a conclusão, este mês, do investimento de EUR25 milhões numa nova doca seca. “Estamos a falar de uma doca que permite a entrada de navios de maior calado (profundidade) e deverá trazer um aumento de 50% a 100% na atividade de reparação, o que significa equilibrar a faturação num rácio de 60% na construção e 40% na reparação, quando atualmente ronda os 80% e 20%, respetivamente”, diz o administrador Vítor Figueiredo. ê um cenário “bem diferente” daquele que a Martifer, dona da West Sea, encontrou em 2014, ao assumir a concessão de terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, em processo de liquidação pelo Estado. “Começámos do zero, sem herdar trabalhadores nem atividade”, recorda. Para arrancar, a empresa focou-se na reparação, de forma a “mitigar riscos e gerar fluxo de caixa imediato, oque permitiu cobrar a primeira fatura logo no primeiro mês”, conta. A partir daí, foi cumprindo escalas. Reativou a construção naval com projetos para o DourO, passou dos navios fluviais para os oceânicos, entregou, em 2019, o primeiro navio de expedição polar construído em Portugal, assumiu a construção de navios patrulha oceânicos para a Marinha Portuguesa, começou a trabalhar no conceito de navios ecologicamente eficientes com a Noruega eestá a desenvolver um projeto de engenharia para a norte-americana Avalon. Um cliente do Canadá traz anualmente quatro a seis navios para reparar. Do Japão, país que com a Coreia do Sul iniciou uma forte concorrência à construção naval europeia nos anos 80, a Ryobi Holdings co. veio encomendar um navio de cruzeiro de luxo de EUR100 milhões, a entregar em 2027. A par deste navio e das reparações, os projetos em curso incluem mais três navios para o Douro, e seis novos navios patrulha para a Marinha, num contrato de EUR300 milhões. Focada na alta tecnologia e na engenharia para contornar a concorrência asiática, a West Sea acredita no potencial do sector da defesa, “uma área estratégica tanto na vertente de construção como na da reparação e manutenção”, nota Vítor Figueiredo. O desafio da mão de obra Em 12 anos a empresa construiu e entregou 23 navios e soma uma média de 50 reparações anuais, 80% para o estrangeiro. Paralelamente, já investiu mais de EUR40 milhões nos estaleiros de Viana, onde emprega 400 trabalhadores diretos, mas tem uma média de 1400 pessoas a operar diariamente, o que justifica preocupações com a mão de obra. "ê cada vez mais difícil ter trabalhadores qualificados e experientes, devido à forte concorrência salarial da Galiza, a meia centena de quilómetros”, comenta o idministrador preocupado com “a pressão abismal” colocada pelo arranque dos investimentos na energia eólica offshore em Espanha. Quanto ao futuro, “no momento em que a Europa realiza investimentos significativos em defesa, faz todo o vsentido que os equipamentos militares, navios incluídos, sejam construídos na Europa, evitando a dependência de outros países”, acredita Vítor Figueiredo, atento a oportunidades em Africa e à possibilidade de o programa de defesa europeu abrir portas a uma maior especialização dos Estados-membros. E porque é que Portugal comprou três fragatas a Itália? Não havia capacidade interna para as construir? “Com apoio tecnológico poderíamos perfeitamente preparar-nos para o fazer. A tecnologia evoluiu, mas os estaleiros já as fizeram nos anos 60”, responde. O modelo a seguir poderia passar pela integração em consórcios com gigantes europeus da defesa ou a participação num programa de transferência de tecnologia semelhante ao que países como o Brasil, Austrália ou França já fizeram: a primeira fragata seria desenvolvida lá fora, com a equipa da West Sea a bordo, a segunda seria construída localmente, com apoio de quem domina a tecnologia ea terceira já poderia ser feita integralmente em Portugal, avança. O objetivo para os próximos cinco anos é “consolidar a trajetória de crescimento” e “colocar a West Sea no mapa internacional como um estaleiro de elite mundial, reconhecido pela qualidade, inovação tecnológica e cumprimento dos prazos”. Inovação A construção está a trocar o estaleiro pela fábrica Casais quer criar em Braga um hub europeu S casas de banho chegam à antiga Fábrica de Sabonetes Confiança, em Braga, embaladas em caixas brancas. Depois, uma grua coloca-as nos diferentes pisos e a equipa de construção distribui-as pelos quartos e zonas comuns. “Tudo simples e rápido. ê assim a construção industrial” diz o presidente executivo da construtora Casais, António Rodrigues, numa visita à maior residência estudantil pública do país, com 786 camas prontas a estrear. Quando a construção troca o estaleiro pela fábrica, “o prazo da obra é reduzido em 30% a 50%”, a fase da montagem pode encurtar de seis meses para um e “o retorno financeiro do projeto acelera”, adianta. ê “uma revolução” a que a líder ibérica na construção industrializada de madeira e betão já aderiu: o grupo familiar bracarense, fundado em 1958. ,já tem aqui um dos seus motores e após ver o volume de negócios duplicar de EUR500 milhões, em 2019, para EUR1000 milhões, em 2025, projeta duplicar novamente a sua dimensão, puxado pela industrialização, tecnologia digital e internacionalização. “Se em cinco anos não tivermos duplicado de dimensão, diria que não cumprimos o nosso objetivo”, afirma. No centro da estratégia está o Offsite and Technology Hub, um ecossistema onde colaboram várias empresas do grupo especializadas em diferentes áreas da cadeia de valor, e onde a Casais desenvolve, testa e produz soluções industriais para projetos, procurando processos mais seguros, sustentáveis e escaláveis. Foi assim que construiu um hotel da cadeia B&B Hotels em Madrid, com mais de 70% dos componentes fabricados em Portugal, o que mostra o potencial de internacionalização do negócio a partir de Braga, onde acredita ser “possível criar um grande hub europeu de construção industrial”, até pela força do sector na região, sede de algumas das principais construtoras lusas, da DST à ACA ou à Gabriel Couto. 100 empresas As raízes desta força, explica António Rodrigues, estão “no passado, quando o município de Braga antecipou o crescimento da cidade, criou infraestruturas e disponibilizou terrenos para quem quis promover habitação, facilitando o aparecimento de muitos pequenos empreendedores, construtores e promotores”. A isto juntam-se “os ciclos de emigração e retorno”, com bracarenses que regressam a casa depois de anos a trabalhar em países como França ou Alemanha para se estabelecerem e,ainda, “um ecossistema forte de empresas subcontratadas e fornecedores locais”. Com mais de 100 empresas e 8800 trabalhadores, 75% dos quais no estrangeiro, a segunda maior construtora lusa tem apenas 1% de quota no mercado nacional, o que explica pela pulverização do sector, mas também pela internacionalização. Nas obras em carteira, os destaques vão para o projeto de abastecimento de água a Luanda e para a Alta Velocidade em Portugal. Quanto ao futuro, a Casais quer expandir a construção industrializada, sabendo que o modelo a seguir em mercados distantes, como os EUA, deve replicar “o que faz a Apple”, o que significa “exportar propriedade intelectual, know how e design, e subcontratar a produção a parceiros locais”. Distinguida pela rede BuiItWorlds como um dos 75 maiores inovadores globais na engenharia, construção e imobiliário em 2025, a Casais recebe visitas internacionais frequentes, incluindo dos EUA. “Há muito interesse na nossa capacidade de inovar na construção industrial”, diz António Rodrigues, notando que “a inovação foi a marca deixada na empresa logo na primeira geração, enquanto a segunda deixou a internacionalização como marca a terceira deixa a industrialização”. Quanto à quarta, acredita, “o foco vai estar ainda mais no digital e no sustentável, associado ao industrial”. Valorização Produtores de várias regiões estão a investir nos verdes, com vinhos que vão ao encontro das tendências do mercado Fladgate investe no vinho verde premium Os últimos anos, o Minho tem-se afirmado como destino de investimento de alguns dos principais grupos vitivinícolas portugueses, atraindo empresas do Douro ao Alentejo. Esporão, Granvinhos, Falua, Symington, Parras, WineStone ou F Fladgate são alguns dos produtores que estão a apostar na região atraídos pelo potencial de valorização e crescimento dos Vinhos Verdes, numa altura em que os consumidores procuram vinhos brancos, mais frescos e leves. Com 17.509 hectares de vinha distribuídos por mais de 65 mil parcelas, o Minho, ao contrário de outras regiões do país, não tem sentido a pressão dos stocks e em 10 anos viu as vendas ao exterior crescer 118%, para EUR119 milhões, indica a CVRVV Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Mas continua a ser preciso valorizar o produto para fazer subir o preço médio de EUR2,5 por litro na exportação, dizem os produtores. Ordem para exportar é exatamente essa a aposta da Quinta da Pedra, da The Fladgate Partnership, que deu o duplo salto do Douro para o Minho e do Vinho do Porto para os vinhos tranquilos, decidida a apresentar vinhos premium das castas Alvarinho e Loureiro, as mais emblemáticas da região, e a “elevar a perceção internacional do Vinho Verde”. Assim, em 2023, comprou a Ideal Drinks e entrou na Quinta da Pedra, no Alto Minho (Alvarinho), e no Paço da Palmeira, no Baixo Minho (Loureiro). Três anos depois, prevê produzir 140 toneladas de uvas para fazer vinhos como o Milagres Alvarinho Purple Edition, vendido a EUR45 cada garrafa. A estratégia privilegia qualidade e complexidade: “Não colocamos os vinhos no mercado enquanto não acreditarmos que atingiram o nível de evolução que pretendemos. Acreditamos que a espera acrescenta valor ao vinho e diferencia a nossa proposta”, diz Adrian Bridge, diretor-geral de um projeto que produzia quatro toneladas de uva por hectare, já atingiu as oito e espera chegar às 12. Com vendas de EUR115 milhões entre o vinho e o turismo, a Fladgate fatura EUR10 milhões nos vinhos tranquilos nas regiões dos Vinhos Verdes, Douro, Dão e Bairrada, onde espera triplicar vendas até 2030, com a ajuda da exportação. “Quando comprámos a Ideal Drinks a empresa tinha 97% das vendas em Portugal”, diz. A percentagem já caiu para os 60%, e a ambição é aumentar o peso do mercado externo em linha com o negócio do grupo, que tem 93% das vendas no exterior. Indústria Empresa têxtil exporta 98% Dune Bleue calça 12 marcas uma simples meia cabem o saber fazer, a capacidade de inovação e a aambição da indústria têxtil portuguesa? “Perfeitamente”, responde Ricardo Faria, fundador da Dune Bleue, protagonista de uma história que começa em 2005, quando percebeu que a confeção enfrentava uma “concorrência feroz” devido à globalização, mas havia espaço para crescer no segmento das meias técnicas. Vindo da área comercial, começou sozinho, sem fábrica, mas com marca, decidido a contrariar a crise e a tradição do sector. Duas décadas depois, tem 11 marcas, prepara o lançamento da 121, agora para “calçar” as vendas online, e acredita que “a logística e o stock são trunfos essenciais ao sucesso”. “Responder a uma encomenda de França mais rapidamente do que a concorrência local é decisivo” justifica. Com capacidade de produção instalada para fazer 2,5 milhões de pares de meias por ano, mas com uma produção limitada a 1,7 milhões de pares por apostar “num produto técnico, com valor acrescentado”. vende EUR2 milhões por ano e exporta 98% do que faz para a Europa, Canadá e Médio Oriente. O desafio de Israel Em Famalicão estão 12 pessoas dedicadas ao desenvolvimento de produto, gestão, logística e armazém. Em Fafe, onde Ricardo Faria comprou há três anos a fábrica de um fornece-dor para ser vertical e ganhar autonomia, estão 40 pessoas, numa lógica de proximidade seguida por milhares de outras empresas dos vales do Ave e do Cávado, onde bate o coração têxtil nacional e é possível garantir todo o ciclo da fileira num raio de 50 quilómetros. Na fábrica, tem investido na digitalização e na sustentabilidade, desde os fios reciclados utilizados em 75% da produção ao passaporte digital dos produtos e aos painéis solares, que produzem um terço da eletricidade consumida. As meias destinam-se a diferentes segmentos, da moda ao desporto, da saúde à defesa. Há modelos para diabéticos, para problemas de circulação ou recuperação muscular. Há meias específicas para golfe ou esqui. Outras recorrem a fibras recicladas, materiais antibacterianos, propriedades antifúngicas, compressão localizada ou tecnologias de microencapsulação capazes de libertar aroma de menta, ou substâncias funcionais à medida que quem as calça se movimenta. Um dos produtos mais caros da casa (EUR70 cada par) são as meias de lã de caça fabricadas para OS Emirados. Uma das inovações recentes resultou da participação num concurso para o exército de Israel. “Apresentava requisitos extremamente difíceis” como garantir que as meias pudessem ser usadas 10 dias seguidos sem que um cão as conseguisse detetar pelo cheiro. “Conseguimos isso e nem apresentámos o preço mais caro, mas perdemos para OS Estados Unidos”, conta o empresário, que aproveitou a experiência para alargar o portefólio e hoje trabalha com o exército português. A West Sea prevê faturar EUR140 milhões este ano e crescer 50% a 100% na atividade de reparação naval com a nova doca seca Minho tem cinco concelhos nos 30 mais exportadores de Portugal E12 PORTUGAL PRODUZ é uma série de 12 trabalhos que o Expresso publica ao longo de 2026, ao ritmo de um por mês, sobre algumas das regiões que mais se destacam na economia nacional e que estão a afirmar-se enquanto espaços de criação de emprego, atração de investimento e dinamização das exportações. Na série damos a conhecer o que de melhor se faz nas várias regiões, como têm crescido e que desafios enfrentam. CINCO PERGUNTAS A Ramiro Brito Presidente da Associação El npresarial do o Minho P Como caracteriza a economia do Minho? R é um ecossistema muito interessante, assente na diversidade e na proximidade, com boas empresas e oferta nas áreas mais relevantes da economia, incluindo o conhecimento. Se há uns anos a indústria queria terrenos e mão de obra baratos, agora quer conhecimento, e o Minho tem isso. Tem algumas das maiores exportadoras nacionais. Tem uma agricultura forte, com um produto único que é o Vinho Verde. Tem capacidade de inovação e de diferenciação, dos sectores tradicionais às tecnológicas e à construção. E tem, ainda, uma localização geopolítica privilegiada. P A ligação à Galiza é um fator determinante? R Sim. é o nosso canal mais óbvio de relações externas. é uma ligação estratégica. As empresas deviam ter uma via verde para a Galiza. Basta pensarmos que a fronteira mais dinâmica do país está aqui, na ligação entre O Minho e a Galiza. P A força do Minho é reconhecida? R Nem tanto, talvez pelo centralismo histórico de Lisboa. A verdade é que temos capacidade de diferenciação de produto e a concentração de toda a cadeia de produção de alguns sectores num raio de até 100 km, o que é uma coisa única na Europa. E temos grande capacidade de inovação, com cinco centros tecnológicos, quatro laboratórios colaborativos, EUR580 milhões de investimento em I&D e a Universidade do Minho no topo dos pedidos de patente. P O Minho é um dos motores económicos do país? R Sem dúvida. António Costa Silva, o antigo ministro da Economia que definiu a visão estratégica do PRR , Plano de Recuperação e Resiliência, disse mesmo que O Minho era “o motor da economia nacional, onde se concentra a indústria, onde estão as empresas mais exportadoras do país”. Lisboa tem sedes, nós temos produção. São 145 mil empresas, 97% das quais micro e pequenas empresas, e mais de EUR10 mil milhões em exportações, cerca de 14% do total nacional. p E quais são os maiores desafios? R Termos mais peso nas decisões estratégicas para o país, deixarmos de ser uma zona de investimento periférico para termos investimento estruturante, organizarmo-nos como região, criarmos um sistema de mobilidade integrada e deixarmos a lógica do minifúndio na agricultura e em tudo o resto. Festas da Senhora da Agonia são o ponto alto do ano em Viana do Castelo, que concentra boa parte da atividade económica do Minho West Sea já construiu 23 navios e em média faz 50 reparações por ano Na última década, as exportações de vinho da região do Minho mais do que duplicaram A Fladgate apostou nas castas Alvarinho e Loureiro e quer promover o vinho verde lá fora Um dos produtos mais caros da Dune Bleue são meias de lã de caça, vendidas a EUR70 cada par milhões de pares é a capacidade de produção da fábrica de Fafe, mas a empresa está a fazer apenas 1,7 milhões de pares por ter apostado num produto técnico, com valor acrescentado MARGARIDA CARDOSO