pressmedia logo

“HASBARA": AS REDES SOCIAIS COMO FRENTE DE GUERRA EM ISRAEL

Jornal de Notícias

2026-08-09 06:00:04

Para além do Irão, da Faixa de Gaza e do Líbano, Telavive também combate com milhões de euros na Internet para defender a narrativa alice.cargueja@jn.pt ANáLISE o termo "hasbara”, cuja tradução literal é “explicação”, é utilizado pelo Governo israelita para designar estratégias de campanha e relações públicas que difundem informações favoráveis ao país e uma das principais frentes de guerra do Governo de Benjamin Netanyahu, para lá das bombas, drones e soldados. Os críticos definem o conceito como sinónimo de “propaganda governamental” e, apesar de este tipo de campanha não ser “incomum”, explica ao JN Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais na Universidade Portucalense, há algumas diferenças para o que os estados habitualmente fazem. “Todos os estados fazem diplomacia pública” para informar o Mundo do que se passa no seu território. As ferramentas usadas para esta promoção interna são muitas vezes programas como o Erasmus , institutos como o British Council , eventos promovidos pelas embaixadas, bolsas de estudo, entre outros”, exemplifica o docente. Ainda assim, óno caso de Israel, segundo Ponte e Sousa, é proposta “uma realidade diferente, alternativa”, criando o debate sobre o que é realmente informação ou "propaganda”. Deixa de ser diplomacia e passa ter como foco “influenciar a realidade” e “influenciar o Mundo”, em vez de apenas informar. De acordo com uma investigação levada a cabo pelo jornal "Haaretz”, a propaganda israelita envolve gabinetes governamentais e missões diplomáticas, bem como campanhas online, através de parcerias com influenciadores e figuras públicas. CAMPO DE BATALHA ONLINE O investimento de Israel em campanhas de redes sociais permite “um diálogo mais direto” com o público e o recurso a influenciadores para promover conteúdos é também uma forma de passar “a mensagem que o Estado quer transmitir”, realça Ponte e Sousa. Para Israel, um dos elementos fundamentais desta estratégia é “assumir que as redes sociais são uma frente de guerra, tão ou mais importante do que a guerra real”. O Estado utiliza estes agentes de promoção, “quer eles estejam conscientes disso ou não, para transformar a realidade” e para “produzir uma verdade alternativa”. são “soldados desta estratégia”. No caso de Portugal, uma viagem de influenciadores a Telavive financiada pelo Governo israelita reabriu o debate sobre a transparência e a instrumentalização geopolítica do marketing de influência. No total, para 2026, o orçamento de diplomacia pública rondará os 630 milhões de euros. EMPRESAS ESTRANGEIRAS Para ajudar neste conflito digital, o Estado israelita contratou empresas estrangeiras especializadas em narrativa digital, produção de conteúdo e publicidade. Telavive contratou, pOr quase quatro milhões de euros pOr mês, a Havas, multinacional de publicidade e relações públicas, que inclui serviços da empresa detida pelo consultor Brad Parscale, gestor das campanhas digitais de Trump. Além do contrato com a Parscale, Israel também tem acordos com a agência criativa nova-iorquina Piro para um projeto de “narrativa digital” (866 mil euros); uma campanha direcionada ao público evangélico (2,8 milhões de euros); escritórios de advocacia e empresas de relações públicas em Washington; e uma ONG norte-americana que levou influenciadores dos EUA a Israel em visitas de diplomacia pública (130 mil euros). A soma de todos estes contratos e parcerias ultrapassa os 43 milhões de euros. E é através deste investimento que Israel parece querer mostrar que a"verdade” pertence a quem paga mais. MUNDO SABER MAIS Empresas Embora Israel historicamente tenha evitado contratar entidades oficiais que fosse obrigado a reve lar através da lei norte-americana dos agentes estrangeiTOS, esta agora a caminho de se tomaí o pais que mais investiu nessa area em 2026. Estudo Cerca de 60% dos norte-americanos tinham uma visão desfavora vel em relação aOs israelitas em março de 2026, um aumento notorio em comparação a0S 42% em 2022. 1 Influenciadores portugueses em Jerusalém 2 Israel investe milhões em propaganda Alice Carqueja