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CONSTRUTORA LIGADA A OBRAS DE LUÍS NEVES ESTÁ NO TOPO DOS CONTRATOS DA PJ

Idealista Online

2026-07-29 16:12:03

Construbarcelos somou 17 contratos durante o mandato de Luís Neves, no valor de 2,3 milhões, ficando a par da Sotécnica no número de adjudicações. A Construbarcelos destacou-se entre as empresas com mais empreitadas adjudicadas pela Polícia Judiciária (PJ) durante a direção de Luís Neves, atual ministro da Administração Interna, somando 17 contratos no valor de 2,3 milhões de euros entre 2019 e 2025. Neste sentido e no meio de toda a polémica que envolve o ministro, aumentam as dúvidas sobre as obras privadas realizadas pela mesma construtora numa propriedade do governante em São Teotónio, Odemira, onde, além da piscina, também o parque de estacionamento em betão terá sido construído sem as autorizações exigidas. A empresa de João Carvalho, amigo pessoal de Luís Neves, ficou a par da Sotécnica, do grupo Vinci, no topo das construtoras com maior número de contratos celebrados com a PJ naquele período, segundo a publicação da Renascença. Em valor, a liderança pertenceu à DST, com pouco mais de 11 milhões de euros, enquanto a Construbarcelos ocupou o segundo lugar, embora a larga distância. No total, a PJ celebrou 232 contratos de empreitada com 96 empresas e gastou pouco mais de 27 milhões de euros em seis anos. Publicidade Dos 17 contratos atribuídos à Construbarcelos, nove recorreram ao regime de contratação excluída, que permite consultar apenas uma entidade. Estes negócios renderam 1,45 milhões de euros, correspondentes a 61% do valor total recebido pela empresa. Ainda assim, a PJ sublinha que esta modalidade não foi usada exclusivamente com a construtora de Barcelos. Entre 2019 e 2025, celebrou 82 contratos por essa via, cerca de 35% do total, incluindo três empreitadas da DST no valor conjunto de 5,7 milhões de euros. A PJ garante que a contratação excluída respeitou o regime legal e justifica a opção com as exigências especiais de segurança de determinadas obras. Alguns projetos incluem informação sensível sobre a configuração de edifícios, redes técnicas, acessos e sistemas de proteção, cuja divulgação poderia comprometer interesses essenciais do Estado. Estacionamento no monte de Luís Neves também levanta dúvidas A ligação entre a Construbarcelos e o antigo diretor nacional da PJ está agora sob maior escrutínio devido a intervenções na propriedade de São Teotónio. O terreno rústico, com 4.200 metros quadrados (m2), está abrangido simultaneamente pela Reserva Agrícola Nacional, pela Reserva Ecológica Nacional e por uma Zona de Proteção Especial da Rede Natura 2000. Este enquadramento exigiria autorizações e pareceres favoráveis para obras que alterem a morfologia do solo. Além da piscina já contestada, foi construído um parque de estacionamento em betão com quase 400 metros quadrados, entre o portão e a casa, tornando o terreno impermeável.  Segundo o Expresso, as obras deste tipo, fora dos perímetros urbanos, dependem de parecer favorável do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ou da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Luís Neves tinha afirmado à CNN Portugal que, no seu entendimento, não precisava de pedir autorização, mas não prestou novos esclarecimentos ao jornal. O ICNF confirmou ao semanário que os serviços regionais do Alentejo estão a avaliar a situação e que darão o seguimento legal necessário. Já a Câmara de Odemira diz estar a verificar a legalidade das intervenções, embora não tenha decretado o embargo. Perante a sobreposição das três classificações de proteção, o governante poderá vir a enfrentar um processo de contraordenação ambiental, uma coima até 3.740 euros e a obrigação de repor o terreno nas condições anteriores. É de recordar que a polémica surgiu depois de se saber que a Construbarcelos, beneficiária de vários contratos da PJ, tinha sido escolhida por Luís Neves para obras particulares no Alentejo. O caso ganhou outra dimensão quando uma galera apreendida numa investigação de tráfico de droga foi encontrada nas instalações da empresa. Martim Galvão