pressmedia logo

EDUCAÇÃO - PROFESSORES DENUNCIAM “CONFUSÃO” NA CORREÇÃO DAS PROVAS

Jornal de Notícias

2026-06-30 06:02:02

Docentes denunciam confusão generalizada” na correção dos exames Ministro garante que avaliação decorre “dentro dos prazos” e que “nenhum aluno será prejudicado” Sílvia Gonçalves silvia.goncalves@jn.pt ENSINO Enquanto sindicatos e movimentos cívicos denunciam falhas relacionadas com o processo de correção dos exames do Ensino Secundário, que descrevem como um quadro de “confusão generalizada”, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, assegurou ontem que tudo decorre dentro da normalidade e que as dificuldades “estão a ser resolvidas”. O movimento cívico MetaPROF, que compila ono seu portal testemunhos e falhas que se têm verificado durante a realização dos exames nacionais, registava ontem 73 casos reportados , sete deles relacionados com convocatórias erradas, quatro relativos a professores convocados a corrigir provas de disciplinas que não lecionam, e 21 relacionados com problemas na plataforma a que os docentes têm de aceder para corrigir as provas. “A realidade demonstra que o sistema educativo português enfrenta hoje uma grave crise organizacional nunca antes vista”, referiu o Sindicato de Todos OS Profissionais da Educação, em comunica-do. “Muitos alunos correm o risco de ver o seu trabalho avaliado de forma deficiente pOr docentes pressionados por prazos impossíveis ou, pior, sem habilitação legal específica para aquela disciplina”, aponta o sindicato, alertando que a “confusão generalizada” cria “profunda injustiça e desigualdade ono processo de avaliação”. Movimentos cívicos co-mo a Missão Escola Pública têm denunciado atrasos na atribuição de credenciais que permitem o acesso à plataforma onde os docentes devem aceder aos itens das provas que lhes cabe avaliar, tal como: a convocação de professores para avaliar exames de disciplinas que não a sua, ou de docentes que já se encontram reformados há mais de um ano. A Federação Nacional da Educação (FNE) manifestou ontem, em comunicado, “profunda preocupação” perante as situações denunciadas, exigindo esclarecimentos, “com caráter de urgência”, ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA). “Quando estão em causa processos de avaliação com impacto direto na vida académica e profissional de milhares de alunos e docentes, qualquer falha assume uma gravidade acrescida e exige uma resposta proporcional”, considera a FNE. RESPONSABILIZAçaO A estrutura sindical considera ser “indispensável” que o EduQA demonstre que possui capacidade para resolver os problemas, considerando que, “caso não sejam dadas essas garantias”, deverão “ser assumidas as respetivas responsabilidades políticas e de gestão”. “[As dificuldades] estão a ser resolvidas, nós continuamos dentro dos prazos previstos”, disse ontem aos jornalistas o ministro da Educação, na Universidade Portucalense, ono Porto. “Aquilo que é importante é que os erros não prejudiquem nenhum aluno. Isso nós garantimos, que nenhum aluno será prejudicado”, afirmou.« Ministro assegurou ontem, no Porto, que dificuldades “estão a ser resolvidas” ANDAEP Diretores rejeitam responsabilidades nas falhas A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) rejeitou responsabilidades nas falhas registadas no processo de correção dos exames. Em comunicado, a Andaep refere que “o momento exige comunicação pública rigorosa, capaz de preservar a confiança dos professores classificadores, dos alunos e das suas famílias”, deixando críticas à nota publicada pelo EduQA, no sábado, que aponta a responsabilidade das escolas na indicação dos docentes de cada disciplina. Os diretores consideram inaceitável que a tutela “procure transferir para as escolas responsabilidades que manifestamente não lhes pertencem”. Sílvia Gonçalves