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BRAGA - DST QUER CONSTRUIR CASAS EM SÉRIE CONTRA CRISE DA HABITAÇÃO

Diário do Minho

2026-06-20 10:03:03

SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL QUER ACELERAR PRODUÇÃO COM NOVOS MOLDES DE FABRICO EM SÉRIE dst propõe «construir casas como carros» contra crise habitacional A modernização, a industrialização e a digitalização do setor da construção civil estiveram, ontem, em debate na sede do dst group, em Palmeira, Braga, num seminário promovido em parceria com a Ordem dos Engenheiros. O encontro, focado na urgência de responder à crise habitacional com novos modelos de produção, reuniu especialistas e decisores políticos, tendo sido antecedido, de manhã, por uma visita técnica à micro-cidade Norman Foster e à unidade ZETHAUS , Construção Industrializada, projetos de referência na produção de habitação em fábrica. O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, abriu o seminário anunciando um ciclo expansionista de 75 mil milhões de euros em obras públicas para os próximos dez anos. O governante assumiu que o setor precisa de um salto urgente na produtividade e que o governo pretende impor ferramentas digitais como o sistema BIM , Building Information Modeling, defendendo, ainda, uma consolidação empresarial que crie grandes grupos capazes de assumir os riscos destas empreitadas e mitigar o défice de mão de obra. O impacto económico e a falta de inovação na fase inicial da atividade foram detalhados pelo dirigente regional da Ordem dos Engenheiros, Bento Aires, que alertou para a perda de peso do setor na riqueza nacional, cuja fatia no valor acrescentado bruto caiu de 7,8% no ano 2000 para as previsões atuais de 4,5%. Para inverter esta tendência, o bastonário da Ordem, Fernando de Almeida Santos, defendeu que o mercado não pode continuar a projetar nos mesmos moldes de há 50 anos para só inovar na fase de obra, revelando que a associação propôs ao governo a criação de novos tipos de projeto obrigatórios focados na sustentabilidade e na digitalização. A dimensão europeia do problema foi trazida por mensagem de vídeo pelo comissário europeu para a Energia e Habitação, que alertou que «a Europa precisa de 650 mil casas adicionais por ano, apenas para alcançar a demanda». Para impulsionar esta transformação global, o bastonário Fernando de Almeida Santos anunciou que o European Council of Civil Engineers vai emitir a “Declaração de Braga” para acelerar a modernização através de novas dinâmicas conjuntas com o mercado. O documento estratégico conta com o forte aval de várias delegações internacionais presentes no evento, incluindo representantes do setor de Moçambique e de Cabo Verde. No encerramento, o presidente do dst group, o engenheiro José Teixeira, elevou a discussão para uma dimensão moral e social, defendendo uma revolução que democratize o acesso à habitação e eli-mine os muros que segregam as comunidades, alertando que «há vezes, hoje, em que a arquitetura, a engenharia e os construtores acrescentam pobreza à pobreza do lado de lá do muro social». O empresário adiantou que o grupo vai usar a agenda mobilizadora que captou para aproximar o fabrico de casas aos padrões de eficácia da indústria automóvel, permitindo «ter stands de casas a vender casas como no stand de automóveis se vendem carros», a preços compatíveis com os rendimentos dos portugueses. Esta mudança de paradigma visa alcançar uma ecologia total nos processos construtivos, aliando a redução de desperdícios à salvaguarda da dignidade humana no ordenamento das cidades. A modernização da construção é uma imposição moral para retermos os novos engenheiros no nosso país As casas industrializadas têm de ter alma, caráter e a personalidade de quem as vai habitar José Teixeira alerta que as empresas e as cidades não podem ficar para trás na «re-evolução digital» do setor Cristiana Barbosa