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BRAGA - CONSTRUTORES DO ESTÁDIO PROCESSADOS POR OBRAS DE 20 MILHÕES

Jornal de Notícias

2026-06-06 06:00:06

Construtores do estádio processados para fazer obras de 20 milhões Câmara de Braga intenta ação contra empresas que construíram equipamento municipal, inaugurado em 2003. LNEC reportou defeitos de construção justica@jn.pt RESPONSABILIDADE O Município de Braga intentou uma ação ono Tribunal Administrativo do Porto exigindo a sete empresas, do consórcio que construiu o estádio da cidade para o Euro 2004, que suportem os custos da reparação das 23 ancoragens que suportam a bancada poente e a cobertura. A autarquia não aponta números, mas fonte do setor disse ao JN que as obras podem custar cerca de 20 milhões de euros. “Não faz sentido, é extemporâneo”, contestou fonte do extinto consórcio da Soares da Costa e associados, que se designava ASSOC. Sustentou que a Câmara de Braga, ainda presidida POT Ricardo Rio, abriu um concurso para a reparação das ancoragens, POr 300 mil euros, O que foi executado pela construtora DST, não tendo sido reportadas mais anomalias. A ação administrativa da Câmara presidida pOr João Rodrigues (PSD) visa as empresas Casais Engenharia & Construção, Elevolution Engenharia, Rodrigues & Névoa 2 (atual OmniRodrigues), Domingos da SilvaTeixeira (DST), Alexandre Barbosa Borges (ABB), J. Gomes, Sociedade de Construções do cávado (em insolvência), e Sociedade de Construções da àfrica Austral (ex-Soares da Costa). “ROTURAS SUCESSIVAS” A autarquia pretende que aquelas empresas “substituam as ancoragens ou suportem os custos de reposição da segurança estrutural, incluindo inspeções, monitorização, vigilância e intervenções téc-nicas necessárias”. As ancoragens são constituídas POr uma espécie de parafusos gigantes, fixados na rocha, a que estão presos os cabos de sustentação da estrutura, que inclui as palas e as bancadas. Em causa estão as ancoragens instaladas na bancada poente para garantir a estabilidade da estrutura, cuja vida útil, contratualmente prevista, atinge os cem anos. “os relatórios técnicos identificaram roturas sucessivas, cedências e fenómenos de degradação que afetam elementos essenciais ao funcionamento do estádio”, aponta a ação administrativa, subscrita pelo advogado Nuno Albuquerque e suportada por um parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). As conclusões do LNEC “afastam a existência de defeitos no aço utilizado de origem chinesa , apontando antes para deficiências no sistema de proteção contra a corrosão, em zonas de ligação e acoplamento dos varões”. 23 ANOS NãO DESCULPAM Sublinha que os defeitos desenvolveram-se em zonas não observáveis, que apenas se tornaram percetíveis através de monitorização, inspeções e análises laboratoriais. Um dos pontos da ação prende-se com o facto de a obra, concluída em 2003, ter sido objeto de receção definitiva. O Município de Braga entende que tal “não pode funcionar como exoneração automática de responsabilidade quando estão em causa defeitos apenas detetáveis mediante conhecimento técnico especializado”. Câmara exige reparações a sete firmas P.18 custoS milhões de euros o projeto previa um custo de 79 milhões de euros. Mas terão sido gastos 190. Tese que 0 PS contesta: foram só 150. Câmara pagou IS milhões extra No fim da obra, o consórcio construtor exigiu em tribunal mais 11 milhões de euros. A Càmara de Braga pagou-os e entrou com mais quatrO milhões para o consórcio do arquiteto Souto Mourà. Sc Braga queria O I.® de Maio O Sporting Clube de Braga queria reconstruir o Estádio 1.® de Maio, com um projeto “dé terceira geração” e direito de cedência pOI 80 anos. O Município recusou. EUR o novo Estádio Municipal de Braga foi inaugurado em 2003 RELATÓRIO Auditora alertou para corrosão nas estruturas Em 20I5, dois anos após ter tomado posse, o ex-presidente da Câmara Ricardo Rio (PSD) foi confrontado com um relatório da empresa AfaConsulting encarregada pelo Executivo anterior do socialista Mesquita Machado (PS) de monitorizar todo o estádio , de que havia 23 ancoragens “estragadas”, devido a corrosão, e avisando que outras iriam deteriorar-se. Falava mesmo em “perigo” e em eventual necessidade de um dia vir a ser necessário “evacuar o estádio”. o Executivo de Ricardo Rio mandou reparar as ancoragens, para o que pagou 300 mil euros, e foi dizendo que a situação estava controlada, não havendo perigo para OS adeptos. Por seu lado, o Sporting Clube de Braga manifestou interesse em adquirir o estádio, mas não chegou a acordo com a Câmara, que pedia 20 milhões de euros, a pagar em prestações. As partes dizem que as conversas continuam. Luís Moreira