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XAVIER BARRETO DEFENDE ESTATUTO UNIVERSITÁRIO PARA A ULS BRAGA

Antena Minho Online

2026-06-01 20:01:12

Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares defendeu que o Hospital de Braga reúne as condições para ser uma Unidade Local de Saúde Universitária. Mas deixou alertas O futuro do Hospital de Braga esteve ontem em destaque no almoço-debate FMC Talks promovido pela Fundação Mestre Casais, que teve como convidado Xavier Barreto, administrador hospitalar do Hospital de São João e presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. No final do debate, questionado sobre o modelo que considera mais adequado para a Unidade Local de Saúde (ULS) Braga, Xavier Barreto foi claro ao defender o reconhecimento do carácter universitário do hospital. “Claramente o Hospital de Braga reúne os requisitos necessários para ser uma ULS universitária, pela dimensão, pela com- plexidade, pela diferenciação e pela ligação que tem ao ensino há muitos anos”, afirmou. Para o dirigente, o estatuto universitário “faria todo o sentido” e deveria ser encarado de forma autónoma relativamente à discussão em torno de uma eventual Parceria Público-Privada (PPP). “A questão da PPP é diferente e não deve ser apresentada como uma alternativa. São realidades distintas e com objectivos diferentes”, sustentou. Apesar de não se mostrar contra este modelo de gestão [PPP], Xavier Barreto alertou para as consequências que pode ter, por exemplo, na capacidade de atracção e retenção de profissionais de saúde nos restantes hospitais da região. “Colocar numa região como esta um hospital gerido em PPP, com autonomia para contratar e pagar aquilo que entender, significa concorrer directamente com hospitais como Viana do Castelo, Guimarães, Famalicão ou Barcelos”, referiu. Desta forma, na sua perspectiva, caso não sejam criados mecanismos de equilíbrio, existe o risco de uma concentração de profissionais em Braga, em prejuízo das restantes unidades do Minho, o que pode desvalorizar essas mesmas unidades. “O que temos pedido ao Governo é que não avance para uma PPP sem acautelar a assimetria que isso pode criar. Caso contrário, corre-se o risco de descapitalizar completamente os outros hospitais da região”, advertiu Xavier Barreto. Sobre a demora na concretização do processo, Xavier Barreto lembrou que a criação de uma PPP hospitalar é sempre um procedimento complexo, envolvendo a definição de contratos de longa duração, projecções assistenciais e modelos de financiamento. Durante a sua intervenção, Xavier Barreto traçou um retrato do actual estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS), recusando a ideia de que o sistema esteja numa situação de colapso permanente. Sublinhou que Portugal continua a apresentar indicadores de saúde positivos quando comparado com outros países, como pode ser observado em vários relatórios e estudos, nomeadamente da OCDE, destacando a esperança média de vida, a baixa mortalidade infantil e outros resultados clínicos que colocam o SNS entre os sistemas de referência a nível internacional. No entanto, reconheceu que os principais problemas sentidos pelos cidadãos estão relacionados com o acesso aos cuidados de saúde, nomeadamente as listas de espera para consultas e cirurgias e a falta de médicos de família em algumas regiões do país. E referiu que estas dificuldades resultam de problemas estruturais que se foram acumulando ao longo dos anos. Entre os principais problemas, Xavier Barreto apontou o subfinanciamento crónico das unidades de saúde, a falta de autonomia dos conselhos de administração para contratar profissionais e realizar investimentos e a excessiva politização na escolha dos responsáveis pela gestão hospitalar. Defendeu, por isso, uma reforma da governação do SNS, com maior autonomia, com uma maior responsabilização dos gestores associada e critérios mais exigentes na nomeação dos dirigentes. Carlos Costinha de Sousa