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RISCOS DA GUERRA ATRASAM MAIS DE UM MÊS PROPOSTAS PARA A ALTA VELOCIDADE

Negócios

2026-05-27 21:09:15

ALTA VELOCIDADE Guerra no Irão atrasa propostas mais de um mês Potenciais concorrentes ao troço Oiã-Soure estão preocupados com a instabilidade nos mercados, pelo aumento do custo de financiamento e dos preços dos materiais. Prazo para a entrega de propostas ao concurso, que foi lançado antes da guerra no Irão começar, foi adiado para 6 de julho. mbabo@negocios.pt Oprazo para a entrega das propostas no concurso para o troço entre Oiã e Soure da linha de alta velocidade Lisboa-Porto voltou a ser adiado, desta vez para 6 dejulho. Em cauisa estão designadamente as preocupações manifestadas pelos potenciais concorrentes nos pedidos de esclarecimento feitos à Infraestruturas de Portugal (IP) face aos riscos da guerra no Irão e da instabilidade que tem gerado nos mercados, seja por via do aumento do custo de financiamento, seja por via do aumento dos preços dos materiais Este é o segundo concurso para esta parceria público-privada (PPP), lançado depois do primeiro procedimento ter ficado deserto pela exclusão da única proposta apresentada por não cumprir o caderno de encargos, mas antes do início do conflito no Médio Oriente. IP eo Governo quiseram manter o preço-base nos 1,6 mil milhões de euros, aindaque oobjeto do contrato tenha sido reduzido, diminuindo a extensão deste troço em 11 quilómetros para um total de 60 (terminando agora em Taveiro), assim como eliminando uma ligação à linha do Norte. No entanto, para os potenciais concorrentes, mesmo depois daIP terintroduzido mecanismos que permitem equilibrar o risco de taxas de juro e de inflação dos custos da construção, o preço-base continua a ser considerado demasiado baixo. O Negócios sabe que a datar de entrega da propostaj já irá incorporar impactos da guerra no Irãonos custos de matérias-primas, tendo a IP procurado evitar o contágio do efeito do conflito assumindo como base o primeiro trimestre deste ano de forma a “salvar” o concurso. Inicialmente o prazo para entrega das propostas era 25 de maio, data quie foi ientretanto adiada para ] dejunhoe agora, com novos esclarecimentos pedidos, passou para 6 de julho, OLI seja mais um mês e meio face ao prazo ini-cial. O objetivo da IP e da Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos (UTAP) éde, perante o contexto internacional menos favorável, conseguirem que os potenciais candidatos , que têm estado ativamente a trabalhar há muitos meses, e com custos de alguns milhões de euros, para montar as propostas - possam apresentar ofertas válidas e assim garantir concorrência no procedimento. Apesar de Governo e IP não quiererem atrasar muito o projeto, querem assegurar que apesar da volatilidade dos mercados venham a jogo três consórcios. Até agora isabe-se do interesse do agrupamento da Mota-Engil com outras seis construtoras portuguesas Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril, Gabriel Couto e Manuel Couto Alves , já queo CEO do grupo tem reafirmado que irá concorrer a todos os concursos para a alta velocidade. Também o presidente da DST, José Teixeira, já disse ao Negócios queo consórcio quie integra coma Sacyr e a Alberto Couto Alves (ACA) vai apresentar proposta. Tem sido igualmente apontado o interesse do agrupamento da FCC, Ferrovial e Acciona, quie, no entanto, ainda não o confirmou oficialmente. O Governoj já disse querer assinar o contrato para a concessão do troço Oiã-Soure em 2027. No primeiro concurso da alta velocidade, para o troço Porto-Oiã, foi entregue apenas uma proposta válida, a do consórcio liderado pela Mota-Engil quie acabou por ganhar esta concessão. Nesse concurso, a aliança entre Sacyr, DST e ACA chegou a fazer uma oferta, ainda quie em mão ejá depois de terminado o prazo, acabando por não ser aceite a justificação apresentada. No primeiro concurso para a segunda PPP quie acabou por ficar deserto quier o agrupamento da Sacyr quer o da FCC, entenderam ficar fora da corrida por não conseguirem encaixar no preço. Parajár o calendário da IP para o lançamento da terceira PPP, para o troço Soure-Carregado, mantém-se para a segunda metade deste ano, sendo quie a empresa pública não quer que haja sobreposição de trabalhos da mesma natureza nestes processos. 1,6 MIL MILHôES No segundo concurso do troço Oiã-Soure, o preço-base ficou nos 1,6 mil milhões de euros, que os privados têm considerado baixo. 60 KM O concurso que está agora a decorrer reduziu a extensão do troço Oiã-Soure em 11 quilómetros, para um total de 60. Os potenciais concorrentes têm sido críticos do preço-base do concurso. MARIA JOÃO BABO