ENERGIA - “HÁ MUITO A FAZER NO LICENCIAMENTO” DOS POSTOS DE CARREGAMENTO
2026-05-27 21:09:15

Miguel Pinto Luz aplaude o investimento da Galp na rede de postos ultrarrápidos na A1 e A2, mas reconhece o trabalho árduo de obter as licenças para que estas redes sejam uma realidade. PAULO MOUTINHO Portugal está bem colocado na adoção da mobilidade elétrica, mas falta a infraestrutura de carregamento acompanhar esse crescimento. Miguel Pinto Luz queixa-se da dificuldade que é encontrar postos para carregar a bateria do carro apontando o dedo aos problemas do licenciamento. Mas diz que o Governo está a trabalhar para acelerar esses processos. “Somos os sextos na Europa em termos de crescimento de vendas de carros elétricos, mas a infraestrutura tem de acompanhar” esse progresso. Até porque, diz, a inauguração da rede de postos ultrarrápidos da Galp na A1 e A2, há muitas queixas por parte daqueles que já adotaram esta mobilidade. “Todos temos amigos e familiares, e eu também tenho, com queixas da dificuldade de carregar carro”, atirou o ministro das Infraestruturas. É uma falha que tem um culpado: a burocracia. “Temos muito a fazer do lado do licenciamento”, disse Pinto Luz. “Eu como ministro, o presidente da Câmara de Pombal [Pedro Pimpão], a Galp e a a Brisa também, temos de acelerar estes processos”. “Temos de acelerar estes investimentos, e algo que estamos a trabalhar”, rematou. A Galp também sentiu esses constrangimentos na execução do corredor de postos de carregamento ultrarrápidos, num total de 96 carregadores nas várias áreas de serviço da A1 e A 2. Estes “oito hubs arrancaram há 16 meses. Foi uma longa caminhada”, atirou o Co-CEO da Galp, João Marques da Silva. Questionado sobre os problemas de licenciamento, se são um problema para a Galp, o responsável atirou que é “um problema para os portugueses”, no sentido em que atrasa o desenvolvimento. Sublinhou, contudo, que “estamos habituados a trabalhar com esses problemas” na atividade em Portugal. Rede que chegue a todo o país Os oito hubs, com uma potência total de 20 MW, que oferecem 96 carregadores ultrarrápidos aos utilizadores de veículos elétricos, representam o “maior investimento em mobilidade elétrica da Galp”, diz o Co-CEO, apontando que os 6,1 milhões de euros representam cerca de 10% do total já investido. “Já investimos cerca de 60 milhões de euros [na mobilidade elétrica] desde 2020", revelou João Marques da Silva, acrescentando que a meta está fixada em aplicar cerca de 15 milhões de euros ao ano, nos próximos anos. Sobre onde nascerão novos postos, não revelou. Isto depois de ter ouvido António Pires de Lima, o CEO da Brisa, a fazer o apelo para que se invista na rede de carregamento também no interior do país. "Temos, na nossa rede, 260 postos de acesso a carregamento nas nossas autoestradas e a Galp tem sido parceiro extraordinário nesse investimento” disse Pires de Lima. É perfeitamente possível ter carro elétrico nas cidades, nas autoestradas, mas é ainda uma aventura assegurar carregamento fácil nas zonas do interior”, disse. “Nem sempre é fácil o business case para fazer esses investimentos”, acrescentou, apelando a uma maior, aproximação entre privados e o Estado. “Temos que garantir que com esta transformação encontramos a oportunidade de desenvolvimento do negócio”, afirmou também Pinto Luz.