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SEGURO DIZ QUE PACTO PARA A SAÚDE DEPENDE DE "VONTADE POLÍTICA" E "DISPONIBILIDADE REAL" PARA A MUDANÇA

Expresso Online

2026-05-27 21:09:14

Seguro encerrou conferência sobre Sustentabilidade em Saúde a explicar, pela primeira vez, o que pretende com o Pacto para a Saúde. Ao Governo, oposições e corporações deixou aviso: as mudanças só acontecem se houver “vontade política” “Problemas crónicos de acesso à saúde”, “insuficiência de médicos de família”, “demoras no atendimento e cirurgias”, ou falta de dinheiro entre os mais velhos para comprar medicamentos foram alguns dos problemas identificados esta quarta-feira por António José Seguro no encerramento de uma conferência sobre Saúde, onde defendeu a importância de políticos e corporações sairem da lógica das “trincheiras” e tentarem encontrar soluções para o acesso à Saúde que durem para lá da legislatura - sem a ditadura dos “calendários eleitorais”. Num discurso dirigido a uma plateia onde se encontrava a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, Seguro criticou o facto de haver “um conservadormismo persistente na organização e gestão e uma relutância real em inovar”, e apelou ao poder político, profissionais do setor e corporações que saíssem da lógica de ”trincheiras“ e se empenhassem em olhar para os denominadores comuns em busca de soluções. Porque, disse, o Serviço Nacional de Saúde ”não é propriedade de ninguém, não serve nenhuma corporação, serve apenas os interesses dos portugueses". Saindo em defesa da sua própria iniciativa de designar Adalberto Campos Fernandes como coordenador de um Pacto Estratégico para a Saúde, Seguro que não esteve na conferência, explicou que se tratou de cumprir a palavra dada em campanha eleitoral, afirmando que seria "indesculpável" que não desse seguimento a esse compromisso. “Ao Presidente da República seria indesculpável, nenhum português entenderia, não empenhar a sua magistratura de influência e o poder da sua palavra para mobilizar profissionais da Saúde e decisores políticos em torno de soluções para um problema grave que atravessa toda a sociedade”, disse na conferência promovida pelo Expresso, a Nova-IMS e a AbbVie, defendendo que a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde depende de "uma resposta conjunta que articule recursos humanos e financeiros, inovação, disponibilidade real para a mudança e, acima de tudo, vontade política". No seu entender, só havendo vontade política, se conseguirá olhar para lá das legislaturas e do cálculo eleitoral que daí advém. "A sustentabilidade do SNS depende de soluções consistentes que perdurem no tempo e não se percam nas alternâncias do calendário eleitoral", disse, criticando implicitamente os sucessivos governos que não tomaram medidas a pensar nos custos eleitorais. “Tenho a esperança de que o contributo desta Presidência seja um impulso para essa tomada de decisão. Um apelo à ação no respeito pelos poderes constitucionais de cada órgão de soberania”, afirmou ainda, respondendo assim às críticas que lhe foram feitas de que estaria a extravasar os seus poderes constitucionais ao designar um coordenador para uma área estratégica da governação. Para Seguro, a Saúde deve estar no topo das “prioridades” e compete ao Presidente incentivar o poder político a agir. Pegando nos resultados do Índice de Saúde Sustentável, ali apresentados, Seguro destacou, entre outros problemas, um “dado demasiado violento para ser esquecido”: 12% dos utentes não compraram medicamentos por motivos de preço, o que representa uma subida superior a um terço em comparação com os valores de 2018. “Outros estudos mostram que os indicadores se agravam precisamente na população mais idosa e mais pobre, contrariando uma das vocações fundadoras do SNS: esbater as desigualdades socioeconómicas e garantir uma resposta verdadeiramente universal”, acrescentou, criticando as difculdades persistentes no acesso à saúde a tempo e horas, que não têm sido esbatidas apesar de os orçamentos para a saúde terem aumentado de ano para a ano. “Acima de tudo, existem portugueses que sofrem. Pessoas que esperam demasiado tempo por uma consulta. Famílias angustiadas por uma cirurgia adiada. Doentes que percorrem longas distâncias para obter cuidados básicos. Cidadãos que sentem, na sua vida concreta, que o acesso à saúde se tornou mais difícil”, resumiu, apelando à procura de respostas. Rita Dinis Jornalista Rita Dinis