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COMO É QUE FORAM ROUBADOS OS DADOS DE MAIS DE 100 MIL UTENTES DO SNS?

Renascença Online

2026-05-26 21:06:11

O acesso ao sistema é feito com apenas recurso a uma palavra-passe, não havendo um método de verificação em dois passos, entre outro tipo de medidas de proteção digital. Na última semana, a Renascença avançou com a noticia de que tinham sido feitos acessos a dados de menores, no SNS, através das credenciais de um médico de Miranda do Corvo. A Policia Judiciária já avançou mais pormenores. O Explicador Renascença esclarece. O que se sabe sobre este caso? Foram afetadas mais de 100 mil pessoas - de várias regiões do continente e ilhas - por este roubo de dados do Serviço Nacional de Saúde, e não terão sido apenas dados administrativos. A Policia Judiciária avisa que, se considerar oportuno, irá entrar em contacto com alguns desses cidadãos para recolha de informação importante para a investigação que está em curso, numa altura em que se faz a análise forense ao que aconteceu. Como é que terá sido possível aceder aos dados? A Polícia Judiciária admite duas possibilidades: o recurso a métodos tradicionais, roubo de credenciais, ou com recurso a Inteligência Artificial. A Policia Judiciária está mais inclinada para a segunda hipótese, o que torna toda a investigação mais complexa. Quem serão os responsáveis? O autor do crime é desconhecido ou, pelo menos, por agora não foi revelado. Noutro plano, o Diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária, José Ribeiro, aponta o dedo aos Serviços partilhados de saúde a quem cabe garantir condições de segurança e impedir o acesso a informações pessoais e confidenciais dos utentes. Apela, por isso, a que clínicos e administrativos mudem com regularidade as credenciais, tecendo a critica de que isso normalmente não acontece. O acesso ao sistema é feito com apenas recurso a uma palavra-passe, não havendo um método de verificação em dois passos, entre outro tipo de medidas de proteção digital. Serviços Partilhados de Saúde também podem ser responsabilizados? À Renascença, a advogada Elsa Veloso (especialista na legislação do ciberespaço) explica que o Conselho de Administração do SNS vai ter de responder do ponto de vista criminal e cível. Os gestores têm responsabilidade perante as vulnerabilidades do sistema, tendo agora de se apurar se ignoraram alertas. Como podem ser usados esses dados roubados? O alegado pirata poderá usar as informações para fins comerciais ou fins maliciosos, porque o cibercrime, explicou a Policia Judiciaria, tem como forma de atuação vários modelos de negócio. Se o autor for identificado, a que pena estará sujeito? No limite pode ir até aos 10 anos de prisão por desvio de dados e utilização indevida de informações pessoais se o crime for praticado em infraestruturas criticas, como é o caso do SNS. Explicador Renascença Liliana Monteiro